9 Lição 4 Tri 20 Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus

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Texto Áureo

Mas disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-sedo mal é a inteligência. ” (Jó 28.28)

Verdade Prática

A verdadeira sabedoria está associada ao temor do Senhor e não ao mero acúmulo de conhecimento.

OBJETIVO GERAL

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingirem cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Expor que todos os esforços humanos são inúteis para a aquisição da sabedoria divina;

Destacar que a sabedoria tem seu preço, e que excede todos os bens materiais existentes;

Revelar que o verdadeiro valor da sabedoria é de natureza espiritual

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Mostrar que a verdadeira sabedoria consiste no temor do Senhor.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Jó 28.11 Trazendo luz ao que estava escondido

Terça – Jó 28.12 Onde estará a sabedoria e o entendimento?

Quarta – Jó 28.13,14 Quem conhece o valor da sabedoria?

Quinta – Jó 28.15,17 O que pode comprar a sabedoria? A prata? O ouro fino?

Sexta – Jó 28.18,19 O preço da sabedoria é maior que o das pérolas

Sábado – Jó 28.28 O temor do Senhor é a verdadeira sabedoria

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Jó 28.1-28

1 Na verdade, há veios de onde se extrai a prata, e, para o ouro, lugar emque o derretem.

2 O ferro tira-se e da pedra se funde o metal.

3 O homem pôs fim às trevas e até à extremidade ele esquadrinha, procurando as pedras na escuridão e na sombra da morte.

4 Transborda o ribeiro até ao que junto dele habita, de maneira que se não pode passar a pé; então, intervém o homem, e as águas se vão.

5 A terra, de onde procede o pão, em baixo é revolvida como por fogo.

6 As suas pedras são o lugar da safira e têm pós de ouro.

7 Essa vereda, a ignora a ave de rapina, e não a viram os olhos da gralha.

8 Nunca a pisaram filhos de animais altivos, nem o feroz leão passou por ela.

9 Ele estende a sua mão contra o rochedo, e revolve os montes desde assuas raízes.

10 Dos rochedos faz sair rios, e o seu olho descobre todas as coisas preciosas.

11 Os rios tapa, e nem uma gota sai deles, e tira para a luz o que estava escondido.

12 Mas onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar da inteligência?

13 O homem não lhe conhece o valor; não se acha na terra dos viventes.

14 O abismo diz: No está em mim; e o mar diz: Ela não está comigo.

15 Não se dará por ela ouro fino, nem se pesará prata em câmbio dela.

16 Nem se pode comprar por ouro fino de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira.

17 Com ela se não pode comparar o ouro ou o cristal; nem se trocará por joia de ouro fino.

18 Ela faz esquecer o coral e as pérolas; porque a aquisição da sabedoria é melhor que a dos rubis.

19 Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem se pode comprar por ouro puro.

20 De onde, pois, vem a sabedoria, e onde está o lugar da inteligência?

21 Porque está encoberta aos olhos de todo vivente e oculta às aves do céu.

22 A perdição e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama

23 Deus entende o seu caminho, e ele sabe o seu lugar.

24 Porque ele vê as extremidades da terra; e vê tudo o que há debaixo dos céus.

25 Quando deu peso ao vento e tomou a medida das águas;

26 quando prescreveu uma lei para. a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões,

27 então, a viu e a manifestou; estabeleceu-a e também a esquadrinhou.

28 Mas disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência.

HINOS SUGERIDOS: 124; 126; 131.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Quem é o sábio segundo as Escrituras? É o que fala diversos idiomas? Quem lê mais de 60 livros por ano? O que conhece muito de filosofia? O que conhece muito de teologia? Quem tem profundo conhecimento da literatura mundial e nacional? Quem é o sábio segundo as Escrituras? Aqui não há nenhuma reprovação às atividades contidas nas indagações acima. Pelo contrário, como seria bom que cada vez mais cristãos tivessem uma compreensão profunda, segundo a cosmovisão cristã, acerca de todos esses temas. Mas o que queremos mostrar é que a verdadeira sabedoria, da qual fala a Palavra de Deus fala, tem como fundamento o “temor do Senhor”.

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INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos uma das mais belas exposições bíblicas sobre a sabedoria. O capítulo 28 foi propositadamente colocado pelo autor para delimitar o fim dos longos discursos dos amigos do homem de Uz. O seu propósito é contrastar a sabedoria meramente humana com a sabedoria revelada, que é de origem divina. Assim, temos o objetivo de declarar que somente Deus é a fonte da verdadeira sabedoria. Essa divina sabedoria se manifesta na vida dos homens de forma prática através do temor do Senhor.

Comentário

Chegamos ao Hino à Sabedoria que, segundo se presume, tomou o lugar de certas porções apagadas do escrito original. Isso aparece em nossas Bíblias, como se fosse parte da continuação da réplica de Jó ao terceiro discurso de Bíldade, mas que, de fato, não foi realmente escrito por essa razão. Foi uma bela peça escrita que o poeta relutou em excluir, pelo que, um tanto desajeitadamente, a inseriu onde a encontramos.

“Podemos ter poucas dúvidas de que esse magnífico poema, sobre quão inacessível é a sabedoria para o homem, não pertence, de fato, aos discursos de Jó. Não acompanha o estilo dele, não está vinculado a nenhum contexto de Jó… Vários detalhes do hino são intimamente paralelos aos discursos de Yahweh” (Samuel Terrien, in loc.). Dou as notas expositivas desses paralelos, conforme prosseguimos.

Três Divisões Naturais do Hino:

1. Vss. 1-13: O homem escava fundo, mas não encontra a sabedoria.

2. Vss. 14-22: A sabedoria não se acha nas profundezas do mar.

3. Vss. 23-28: Só Deus sabe o caminho da sabedoria.

Seja como for, o Hino serve tanto para denunciar Jó quanto seus amigos críticos que pretendiam conhecer a Mente Divina. Deus é totalmente outro, transcendental, e precisamos ser lembrados desse fato, para evitar nossas representações extremamente antropomórficas da deidade. Deus também é imanente, mas essa não é a consideração do texto à nossa frente.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1971.

O último discurso de Jó é um resumo dos fatos da sua posição básica em vez de um novo argumento contra seus três amigos. E difícil avaliar a posição legítima do capítulo 28, mas aqui podemos ver esse discurso como uma resposta às afirmações dos amigos de que a sabedoria foi conferida a eles para reconhecerem a causa do sofrimento de Jó.

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 74.

PONTO CENTRAL:

O temor do Senhor é o fundamento da verdadeira sabedoria.

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I – A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM NATURALPONTO CENTRAL

1. O empenho na busca da sabedoria.

Neste capítulo (28) Jó faz um contraste entre a busca do homem por minérios naturais e a sabedoria. Primeiramente, o patriarca descreve a habilidade do homem na exploração dos minérios naturais (vv.1-11). Então, ele contrasta o trabalho nas minas coma busca do homem pela sabedoria.

Da mesma forma que desde os primórdios o homem usa diligentemente a tecnologia na busca de metais preciosos, assim também ele tem empreendido um grande esforço para encontrar a sabedoria. Para ser encontrado, primeiramente, o minério precisa ser garimpado; a sabedoria igualmente. O minério existe, mas está enterrado; a sabedoria existe, mas está oculta.

Comentário

Na verdade, a prata tem suas minas. “A sabedoria não está à disposição do homem, mas permanece como uma das prerrogativas de Deus. Assim como Bildade louvou o poder divino no céu, na terra e no seol (ver Jó 25.2-6; 26.5-11), também o poeta pesquisou cada porção do universo, a fim de encontrar a sabedoria divina” (Oxford Annotated Bible, comentando sobre este versículo).

Na terra, encontramos metais preciosos contidos em veios. Esses metais podem ser difíceis de extrair. Muito labor é necessário para obtê-los, mas eles estão disponíveis. Além disso, os homens têm meios para refinar os metais, a fim de torná-los úteis para trabalhos de decoração e construção de objetos. Os homens são capazes de recuperar certa variedade de metais, como o ouro, a prata, o ferro, o cobre e algumas pedras preciosas. Seus esforços são recompensados e os produtos são bons; não é assim que se dá com a sabedoria de Deus. O homem não é capaz de encontrar a sabedoria por seus próprios esforços. A verdadeira sabedoria é atributo divino.

O homem tem sua tecnologia e seus métodos científicos, e suas realizações são verdadeiramente estupendas. Mas a sua tecnologia, até a representada pela ciência moderna, não foi capaz de abrir os tesouros da Sabedoria divina. Esses tesouros nos vêm pela revelação.

O ferro tira-se da terra. Metais fortes são usados para fazer instrumentos de guerra, ou são úteis nas edificações, que precisam de materiais duradouros, como o ferro e o cobre. Esses metais podem ser dissolvidos, refinados e trabalhados nos itens requeridos para as tarefas que lhes forem atribuídas. Tais metais úteis estão ocultos na terra; é preciso esforço para obtê-los e refiná-los. Mas eles estão disponíveis aos que trabalham. Não se trata do mesmo caso com o maior tesouro de todos, a Sabedoria divina. Deus dá de Sua sabedoria, até certo ponto, aos homens, através da revelação.

Trata-se de um atributo divino e comunicável somente por um ato especial da vontade divina. Logicamente, portanto, que o homem é um ser limitado que, com frequência, fala como se estivesse falando por Deus. Usualmente, em tais casos, o pobre homem fará tudo impulsionado pela arrogância, pensando que é um porta-voz de Deus.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1971.

O ouro se refina, e o ferro tira-se da terra (vv. 1,2). O autor desta obra conhecia o processo de refinamento do ouro e do ferro, pouco comum nos tempos de Moisés no deserto, a menos que estejamos na ignorância de fatos e coisas do antigo Egito. Por muitos anos, até o governo de Davi, os hebreus não tinham o uso do ferro; os filisteus o tinham trazido da Ásia Menor, comprado ou roubado aos hiteus, cujo segredo lhes pertencia.

Entretanto, Moisés, ou quem escreveu este drama, conhecia o processo. É por isso que alguns acham que Moisés não tenha sido o autor. Por outro lado, o conhecimento das minas do Sinai é aqui fielmente retratado, pois era lá que os mineiros extraíam das rochas as pedras preciosas para a coroa egípcia.

Conheceriam os egípcios o segredo do ferro? Eles usavam uma liga de ferro e cobre que dava aos utensílios ou ferramentas a dureza do diamante. Este segredo perdeu-se assim como o segredo do embalsamamento dos mortos. Portanto, não basta simplesmente dizer que Moisés ignorava o segredo do ferro, porque os seus irmãos não o conheciam. A fundição do cobre era conhecida, porque Moisés fez uma serpente deste metal; a do ouro também, porque Arão fez um bezerro de ouro fundido.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

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2. Como quem explora o minério, assim o homem faz com a sabedoria.

No trabalho de mineração requer-se habilidade, diligência, persistência e muita técnica na execução; a busca da sabedoria também demanda tais características. As minas geralmente são locais de difícil acesso e de pouca iluminação, por isso, há a necessidade de se abrir caminho e colocar luz artificial (vv.3,4). Assim também ocorre no empreendimento do homem pela busca pela sabedoria, mas apesar de todo o do aos alunos sobre o conceito de esforço nessa procura, Jó crê que isso tem sido feito sem sucesso.

Comentário

Os homens põem termo à escuridão. A referência aqui é às antigas técnicas de mineração. O mineiro tem de penetrar na terra, onde tudo é escuro como breu. Não há ali nenhuma luz natural. Portanto, o homem tem de levar sua própria luz, sua tocha, sua lanterna. Com a tecnologia, ele pode iluminar o que era escuro; pode abrir túneis e iluminá-los.

Mas não pode descobrir a Luz de Deus, Sua Sabedoria. “Até as pedras que jaziam escondidas no seio da terra, ele escavou e trouxe para a luz. Ele penetrou nos lugares onde a luz do sol nunca entrou; portanto, parece ter penetrado em regiões da sombra da morte” (Adam Clarke, in loc.). Grandes são as realizações do homem, mas a Sabedoria divina não está no âmbito de suas buscas, não se sujeita aos métodos científicos.

Se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do Senhor e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento.

(Provérbios 2.4-6)

Abrem entrada para minas longe da habitação dos homens. A Revised Standard Version diz que homens abrem fendas na terra, longe de onde vivem.

Eles exploram lugares onde o viajante nunca pisou, locais “esquecidos” e misteriosos.

A King James Version e outra versão portuguesa, diferente da nossa, dizem que os homens descobrem rios subterrâneos, águas que há muito foram esquecidas e ocultadas em seus leitos. Esses rios passam no subsolo, mas ninguém sabe deles. Tais rios subterrâneos são alimentados pelas águas que corriam à superfície; aparentemente, esses rios secaram, mas sob a superfície do solo fluem com força, e forneceriam um espetáculo terrível se pudessem ser vistos. O mineiro, porém, vê esses fenômenos misteriosos e escondidos; no entanto, não é capaz de descobrir a sabedoria de Deus.

O hebraico original é incerto, de modo que existem traduções largamente diferentes. A navegação aparece como o sujeito do versículo, por parte de alguns intérpretes, mas isso é completamente estranho ao contexto, que fala da mineração e de suas maravilhas. Algumas vezes, os rios subterrâneos são liberados pelas escavações dos mineiros, aflorando à superfície e espalhando destruição. O que era invisível tornou-se visível, mas outro tanto não acontece com relação à Sabedoria divina.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1971.

Na verdade, há veios de onde se extrai a prata, e, para o ouro, lugar em que o derretem. O ferro tira-se da terra, e da pedra se funde o metal. O homem pôs fim às trevas e até à extremidade ele esquadrinha, procurando as pedras na escuridão e na sombra da morte. Trasborda o ribeiro até ao que junto dele habita, de maneira que se não pode passar a pé; então, intervém o homem, e as águas se vão. A terra, de onde procede o pão, embaixo é revolvida como por fogo. As suas pedras são o lugar da safira e têm pós de ouro.

Essa vereda, a ignora a ave de rapina, e não a viram os olhos da gralha. Nunca a pisaram filhos de animais altivos, nem o feroz leão passou por ela. Ele estende a sua mão contra o rochedo, e revolve os montes desde as suas raízes. Dos rochedos faz sair rios, e o seu olho descobre todas as coisas preciosas. Os rios tapa, e nem uma gota sai deles, e tira para a luz o que estava escondido.

Na primeira parte da sua exposição sobre a sabedoria (28.1-11), Jó usa a metáfora das minas para ilustrar a busca da sabedoria como um bem natural. Assim como os homens usam técnicas avançadas para encontrarem minérios e metais preciosos na natureza, da mesma forma eles têm-se gastado em busca da sabedoria. Nenhum esforço é poupado.

“Na verdade, há veios de onde se extrai a prata, e, para o ouro, lugar em que o derretem. O ferro tira-se da terra, e da pedra se funde o metal” (28.1,2). Esses metais estão escondidos na terra e, para serem encontrados, demandam grandes esforços e uso apurado das técnicas. “O ferro tira-se da terra, e da pedra se funde o metal.

O homem pôs fim às trevas e até à extremidade ele esquadrinha, procurando as pedras na escuridão e na sombra da morte” (28.2,3). As minas são locais insalubres, que, além de precisarem de apuradas técnicas de escavação, precisam ser bem iluminadas. Todo esse esforço é justificável tendo em vista o fim que o objetiva: encontrar a sabedoria.

“Essa vereda, a ignora a ave de rapina, e não a viram os olhos da gralha. Nunca a pisaram filhos de animais altivos, nem o feroz leão passou por ela” (28.7,8). A palavra hebraica ayit, usada aqui como ave de rapina, também é traduzida em outras versões como “águia”. Esse termo ocorre em Gênesis 15.11 e é usado em Isaías 18.6 como referência às “aves dos montes”. Independentemente da tradução que se use, o sentido do texto é que a ave destacada aqui possui grande capacidade e habilidade.

Mesmo assim, ela demonstra-se incapaz de enxergar aquilo que lhe é oculto na terra. Isso, porém, não é apenas uma questão de habilidade, mas também de força. O leão, o mais forte dos animais, também se mostra impotente: “Nunca a pisaram filhos de animais altivos, nem o feroz leão passou por ela” (28.8). Nas palavras de Schonberger (202012, p. 141):

O ser humano pode encontrar coisas que estão ocultas profundamente nas trevas da terra; pode entrar em lugares que, no fundo, são impraticáveis (v.4). Aves de rapina, que conseguem enxergar mil vezes mais penetrantemente do que o ser humano, não conseguem divisá-los (v.7); feras selvagens, que se movimentam de forma hábil e segura do que os seres humanos, não os podem alcançar (v.8). Até aqui, a fascinação pela capacidade humana, o louvor de uma razão técnica.

Em outras palavras, nem as aves, com os seus argutos olhares, e nem tampouco o leão, com a sua força descomunal, são páreos para o homem na sua engenhosidade. O homem é inteligente. Ele revira a terra e “os rios tapa, e nem uma gota sai deles, e tira para a luz o que estava escondido” (Jó 28.11). Tudo isso em busca da sabedoria; mas, mesmo assim, não pode encontrá-la.

GONÇALVES. José,. A Fragilidade Humana e a Soberania Divina. O Sofrimento e a Restauração de Jó. Editora CPAD. pag. 155-157.

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3. De onde vem a sabedoria?

Jó demonstra que o homem tem sido êxito sono seu trabalho junto as minas, todavia, incapacitado na “escavação da sabedoria”. Têm procurado mas não tem encontrado. O homem descrito por Jó é capaz de desviar o curso das águas, a fim de evitar a inundação das minas (v.12), mas não é capaz encontrar a sabedoria. A sabedoria dos sábio se da academia estava disponível para ser alcançada. Todavia, a sabedoria retratada por Jó não era fruto da tradição nem podia ser obtida pelo método acadêmico.

Embora os metais preciosos pudessem ser encontrados na terra escavada, a verdadeira sabedoria não podia ser obtida pelo simples esforço humano. Isso justificava o conflito que havia entre a teoria teológica dos amigos de Jó e a vivência concreta do patriarca. Portanto, a verdadeira sabedoria não era propriedade dos sábios, mas uma dádiva de Deus. Tiago nos lembra de que “se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não lança em rosto; e ser-lhe-á dada” (1.5).

Comentário

Mas onde se achará a sabedoria? A despeito de todos os esforços dos homens, e apesar de todos os seus avanços no campo da tecnologia, a Sabedoria permanece distante deles, que não se tomaram espertos na compreensão espiritual. A Sabedoria não está nos lugares onde os homens a procuram. Eles não têm escavado as minas da sabedoria, nem acumulado as águas da compreensão.

Embora o homem se mostre otimista e determinado em suas realizações, o poeta não viu razão para otimismo no tocante às realizações espirituais. O poeta não acreditava que a sabedoria estivesse ao alcance do homem. “Ele não acreditava que o segredo da vida jaz ao alcance do homem ou à sua disposição” (Samuel Terrien, in loc.). Ver o vs. 20, onde essas questões são repetidas.

O maior de todos os tesouros é a Sabedoria divina. O poeta, pois, antecipou o ensino paulino da graça. Deus precisa dar sabedoria, mediante um ato de Sua divina vontade. Deus tem de tomar providências, ou o homem estará para sempre limitado a realizações bastante pequenas.

Os vss. 12-27 personificam a Sabedoria, e os intérpretes cristãos cristianizam esses versículos. Cf. Pro. 8.22 ss., que alguns transformam em trecho profético e messiânico, fazendo-o falar sobre o Logos, que era chamado o Cristo em Sua encarnação.

Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tomou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.

(I Coríntios 1.30)

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!

(Romanos 11.33)

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1972.

O lugar dela, pois é impossível de descobrir. “Onde se achará a sabedoria?” (v. 12). Jó pergunta isto: 1. Como alguém que realmente deseja encontrá-la. Esta é uma pergunta que todos nós devemos fazer. Quando muitos homens perguntam “Onde se achará o dinheiro?”, nós devemos perguntar, “Onde se achará a sabedoria?” para que possamos buscá-la e encontrá-la, não a vã filosofia, nem a política carnal, mas a verdadeira religião; pois esta é a única sabedoria verdadeira, que é o que melhor aprimora as nossas faculdades e melhor assegura o nosso bem-estar espiritual e eterno. Ela é aquilo pelo que devemos clamar e buscar (Pv 2.3,4).

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 136.

SÍNTESE DO TÓPICO I

Jó descreve o contraste entre a busca do homem por minérios naturais e a sabedoria.

SUBSÍDIO DIDÁTICO- PEDAGÓGICO

Comece a aula de hoje indagando aos alunos sobre o conceito de sabedoria. Ao mesmo tempo que você ouve as respostas, perceba como é comum muitos confundem sabedoria com capacidade intelectual. Após ouvi-los, explique que, embora uma pessoa sábia possa apresentar uma grande capacidade intelectual, a sabedoria não está associada diretamente a tal capacidade. Procure deixar isso bem claro para os alunos. E, como veremos nesta lição, afirme que a sabedoria divina está intimamente ligada ao “temor do Senhor” na vida do crente.

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II – A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM COMERCIAL

1. O preço da sabedoria.

Podemos ver um paralelo entre a sabedoria exposta por Jó neste capítulo (vv.12-19) com a descrita no livro de Provérbios. Esse livro, por exemplo, contém várias exortações para se adquirir a sabedoria. Todavia, há uma diferença entre o que Jó ensina e o que Salomão ensinou sobre a sabedoria em Provérbios. Em Salomão, a sabedoria tem um custo e pode ser encontrada, se busca com diligência e entendimento. Ela tem seu preço e pode ser passada de pai para filho (Pv4.5,7,23).

Por outro lado, para Jó a sabedoria está em outro patamar. Ela tem valor, mas não preço. Como bem destacam estudiosos, a sabedoria em Jó é incomparável, não se pode comprar ou trocar com todos os outros tesouros. E patrimônio exclusivo de Deus; no é possessão dos mestres, por isso, não pode ser transmitida (cf. Tg 1.5).

Comentário

A Maior Fonte de Toda Sabedoria

“… ao Rei eterno, imortal, invisível, único Deus” (I Tim. 1.17); “… o único Deus, nosso Salvador” (Jud. 25). O teísmo bíblico representa Deus como o dono de qualidades humanas mais nobres em grau infinito. Platão transformou a sabedoria em um de seus “universais”, a partir da qual fluem todas as manifestações inferiores da mesma qualidade, e isto está em consonância com o pensamento bíblico. A sabedoria é atribuída à Deidade (I Reis 3.28; Isa. 10.13; 31.2; Jer. 10.12; 51.15; Dan. 5.11).

Deus tornou conhecida Sua sabedoria na natureza e na revelação. Ele a abre à intuição humana se um homem for piedoso e estiver em busca de um caminho mais alto (Rom. 11.33; I Cor. 1.24,26; Tia. 1.5; Apo. 7.12; Atos 6.10; Efé. 1.17; Col. 1.9; 3,16). Logicamente, a despeito das revelações, a sabedoria divina não pode ser alcançada pelo homem em nenhum sentido completo, mas é meramente um aspecto da salvação do homem (o ser finito, em constante movimento em direção a Deus, o Infinito). Esse é um processo eterno.

1. Platão fazia da “sabedoria” uma das quatro principais virtudes, juntamente com a coragem, a temperança e a justiça. A sabedoria é o conhecimento do todo, bem como a capacidade de aplicar esse conhecimento de forma correta e justa, em qualquer situação dada. Segundo ele, o rei-filósofo deveria ser treinado para não somente ser o homem mais sábio, mas também o mais justo, o que o qualificaria a governar. A sabedoria deve proceder do mundo das idéias, porquanto todas as qualidades, das maiores às menores, são apenas imitações ou reflexos deste mundo material e da percepção dos sentidos. Assim sendo, em última análise, a sabedoria é uma qualidade divina inerente que os homens possuem em certo grau e que têm a obrigação moral de cultivar.

2. Aristóteles falava sobre a sabedoria especulativa e sobre a sabedoria prática, refletindo, assim, a diferença entre sophia e phrónesis. A sabedoria especulativa (que poderíamos designar aqui como “sabedoria”) requer a aplicação de rigorosa filosofia e de um raciocínio bem controlado, a busca das causas primeiras e dos princípios. Essa pesquisa pode ser vista de modo mais proeminente na teologia e então na metafísica, também conhecida como a primeira filosofia. A sabedoria prática corresponde à phrónesis, “prudência”, de Aristóteles, e relaciona-se à conduta prudente na vida diária.

3. Os filósofos cirenaicos, epicureus e estóicos enfatizavam a phrónesis, ou seja, a sabedoria prática.

4. Tomás de Aquino cristianizou a ideia de Aristóteles, preservando a distinção entre a sabedoria especulativa e a sabedoria prática. Ele via a principal expressão da sabedoria especulativa na teologia revelada e nas operações iluminadoras do Espirito Santo.

5. Nicolau de Cusa não se impressionava muito diante da sabedoria humana, preferindo chamá-la de “ignorância informada”.

6. Spinosa tinha sua própria divisão dupla. Ele falava sobre a ratio, “razão”, relacionada ao conhecimento e às leis científicas, e sobre a scientia intuitiva, “conhecimento intuitivo”, através da qual o indivíduo pode chegar a “ver” o universal em todos os particulares da existência. Esta seria a verdadeira sabedoria, mediante a qual o indivíduo compreenderia as essências e significados da existência e do ser, ou seja, “a vida sob o aspecto da eternidade”.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 5196-5197.

Como alguém que já perdeu a esperança de encontrá-la em qualquer lugar, senão em Deus, e de qualquer maneira, senão pela revelação divina: Ela “não se acha na terra dos viventes” (v. 13). Não conseguimos obter um entendimento apropriado sobre Deus e a sua vontade, sobre nós mesmos e o nosso dever e interesse, lendo quaisquer livros ou homens, mas lendo o livro de Deus e os homens de Deus. Tal é a degeneração da natureza humana que não se encontra verdadeira sabedoria em ninguém, senão nos que nasceram de novo, e que, pela graça, participam da natureza divina.

Quanto aos outros, até mesmo os mais diligentes e empenhados, não podem nos dar notícias desta sabedoria perdida. (1) Pergunte aos mineiros, e junto a eles, o abismo dirá: “Não está em mim” (v. 14). Os que escavam nas entranhas da terra, para extrair os tesouros dali, não podem encontrar nos seus escuros recessos esta joia rara, nem com toda a sua astúcia se tornar senhores dela. (2) Pergunte aos marinheiros, e junto a eles, o mar dirá: “Ela não está comigo”. Ela não poderá ser obtida negociando nas águas, nem mergulhando nelas, não poderá ser sugada da abundância dos mares ou dos tesouros escondidos na areia. Onde houver um veio para a prata não haverá veio para a sabedoria, e nem para a graça.

Os homens podem superar as dificuldades que encontram ao obter a riqueza terrena mais facilmente do que as que encontram na busca da sabedoria celestial, e podem se esforçam mais para aprender como viver neste mundo do que para aprender a viver para sempre em um mundo melhor. Tão cego e tolo se tornou o homem, que é inútil perguntar-lhe: “Onde está o lugar da inteligência?” e qual é o caminho que conduz até ela?

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 136.

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2. O valor da sabedoria.

Sobre o valor da sabedoria vale a pena recordar o que disse certo pregador londrino: “A sabedoria é o uso correto do conhecimento. Conhecer não é ser sábio. Muitos homens têm extensos conhecimentos e, justamente por isso, são os mais tolos. Não há tolo maior do que o tolo instruído. Mas saber como usar o conhecimento é ter sabedoria”. Assim, em Jó, vemos que o homem ainda não aprendeu o verdadeiro preço da sabedoria nem onde encontrá-la (Jó 28.13) e que, por isso, acredita ser fácil adquiri-la.

Comentário

O homem não conhece o valor dela. Nenhum ser humano pode apreçar a sabedoria e, se algum homem inteligente conseguir fazê-lo, ninguém poderia pagar por ela. Sem essa sabedoria, o homem é pobre. Ninguém conhece o caminho da sabedoria (ver a Revised Standard Version), e sua vereda não pode ser achada na terra dos vivos. O verdadeiro valor da sabedoria não é conhecido pelos homens, nem podem eles descobri-lo, como um mineiro faz com o ouro.

“É de um valor infinito e a única ciência que diz respeito a ambos os mundos. Sem a sabedoria, porém, o mais sábio dos homens é apenas um animal irracional.

Mas, com a sabedoria, o homem mais simples só perde para um anjo” (Adam Clarke, in too.).

Já não verei o Senhor na terra dos viventes.

(Isaías 38.11)

A sabedoria tem valor incalculável e seria impossível comprá-la, caso ela pudesse ser apreçada. Em outras palavras, ela é inacessível aos homens, a menos que seja dada como dom de Deus, por meio da revelação e transformação da alma para que se faça o que é requerido. “Não há nada no globo terrestre inteiro que se iguale ao valor da sabedoria” (John Gill, in ioc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1972-1973.

Como alguém que já perdeu a esperança de encontrá-la em qualquer lugar, senão em Deus, e de qualquer maneira, senão pela revelação divina: Ela “não se acha na terra dos viventes” (v. 13). Não conseguimos obter um entendimento apropriado sobre Deus e a sua vontade, sobre nós mesmos e o nosso dever e interesse, lendo quaisquer livros ou homens, mas lendo o livro de Deus e os homens de Deus. Tal é a degeneração da natureza humana que não se encontra verdadeira sabedoria em ninguém, senão nos que nasceram de novo, e que, pela graça, participam da natureza divina.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 136.

9 Lição 4 Tri 20 Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus

3. A sabedoria não é um bem comercial.

O patriarca não nega que a sabedoria exista ou que ela pode ser encontrada, mas o que ele diz é que a sabedoria não é um bem comercial. Ela não pode ser encontrada em toda parte, nem mesmo nas mais poderosas forças da natureza primitiva – o abismo (hb. tehon) e o mar (hb. yam). A sabedoria é de valor inestimável e só quem pode concedê-la é Deus.

Comentário

O abismo diz: Ela não está em mim. O poeta personifica várias essências inanimadas da terra. O mar é uma entidade profunda e misteriosa. Muitos animais incomuns habitam no mar, que oculta surpresas. Mas o mar diz: “A sabedoria não se encontra em mim!”. A profundidade é parte integrante do mar, mas fala como se fosse uma entidade desesperada. Essa profundidade é a porção mais enigmática do mar. A metáfora declara que não há como o homem buscar a Sabedoria.

O homem pode ter ideias sobre o que procurar, no entanto, todos os homens falham nessa busca. Não há vereda que possa ser seguida e leve à Sabedoria. O poeta usou o abismo (no hebraico, tehom) e o mar (no hebraico, yam), como variação poética, mas o primeiro, de fato, é a parte mais misteriosa do segundo, de maneira que esse fato se presta bem à metáfora. Talvez o poeta aluda a certas práticas de culto politeísta e a certas crenças do antigo Egito, nas quais essas essências misteriosas eram transformadas em deuses ou habitações de deuses. Isso se parece com a declaração de Plínio, acerca de homens escavando a terra para encontrar em suas entranhas espíritos malignos (ver o vs. 11).

Assim, os homens que desciam às profundezas do oceano poderiam encontrar algum deus, ao qual ofereceriam sacrifício e adoração. “As forças do abismo e do oceano primevo não somente foram personificadas, mas também deificadas. Os homens antigos adoravam-nas como a seres divinos e buscavam seu favor, para dar estabilidade à terra” (Samuel Terrien, in ioc). Cf. a antiga crença dos gregos, ainda defendida no tempo de Sócrates, que fazia da lua um deus (500 A.C.).

Mas o poeta negou que nas profundezas do oceano houvesse qualquer poder ou inteligência que pudesse dar aos homens sabedoria, e certamente a própria Sabedoria não estava em tal lugar. Os homens falavam sobre Abadon ou a Morte, de maneira personificada, endeusada, mas o poeta não via nenhuma utilidade em tal conversa, se um homem estivesse em busca da Sabedoria. Ver sobre o vs. 22, quanto a essa referência.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1973.

Quanto ao seu valor (vv. 15-19) não se compra com ouro fino, o ouro de Ofir, nem se troca pelo precioso ônix, nem mesmo pela desejada safira. O ouro não se lhe iguala, nem o cristal tem valor de comparação; e quaisquer joias ficam muito aquém do seu preço. Junto dela o coral, o cristal e as pérolas são como nada; ela é superior a tudo. Se se tentar igualá-la ao topázio da Etiópia ou contrastá-la com o mais puro ouro, nada valerão para termo de semelhança. Esta sabedoria, assim incompreensivelmente valiosa, incomparável a tudo que há de maior valor, ninguém sabe onde está, nem onde se pode encontrar (Prov. 3:1-3-19).

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

SÍNTESE DO TÓPICO II

A sabedoria não tem preço, mas tem um valor que remonta ao temor do Senhor.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“A Excelência da Sabedoria -vv.14-19. Tendo falado sobre a riqueza do mundo, que os homens valorizam tanto, e que se esforçam tanto por obter, Jó aqui fala de outra joia mais valiosa, 9ue é a sabedoria e o entendimento, conhecer e ter prazer, em Deus e em nós mesmos.

Os que descobriram todos os caminhos e meios para enriquecer se julgam muito sábios; mas Jó não considera que tenham sabedoria. Ele supõe que eles conseguiram o seu objetivo, e trouxeram à luz aquilo que buscavam (v.11), mas pergunta: ‘Mas onde se achará a sabedoria?’ pois ela não está aqui. Este seu caminho é a sua loucura.

Devemos, portanto, buscá-la em outro lugar; e ela não será encontrada em outra parte, senão nos princípios e nas práticas da religião. Há mais conhecimento verdadeiro, satisfação e felicidade na divindade genuína, que nos mostra o caminho para as alegrias do céu, do que na filosofia natural ou na matemática, e que podem nos ajudar a encontrar o caminho para as entranhas da terra” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento :Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.136).

9 Lição 4 Tri 20 Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus

III – A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM ESPIRITUAL

1. Uma verdade revelada.

No versículo 20, Jó faz a importante pergunta: “De onde, pois, vem a sabedoria, e onde está o lugar da inteligência? ” Anteriormente, Jó fez um contraste entre o trabalho de um minerador e o de quem procura a sabedoria. Nele, os homens, semelhante a um mineiro, Sabedoria, senão pela revelação divina têm garimpado à procura da sabedoria, mas, mesmo assim, não têm achado. Toda diligência, técnica e determinação não têm sido suficientes para que ele a encontre.

A sabedoria não está no centro da terra, nem com os sábios de forma que possa ser passada pela simples via da tradição. Ela está oculta. Todos os esforços humanos revelam-se inúteis na sua aquisição. A sabedoria está em Deus e somente Ele pode outorgá-la. Deus é a fonte da sabedoria e somente Ele pode revelá-la.

Comentário

Donde, pois, vem a sabedoria…? A Grande Pergunta. Se a sabedoria não é produto ou empreendimento humano, “de onde” ela vem? Onde é o lugar da compreensão, visto que nenhum lugar humano é seu lar? Deve haver um lugar e uma maneira de buscá-la.

“O homem tem gastado fortunas imensas não somente na construção e ornamentação de santuários, mas também na celebração sazonal de enfeites e rituais festivos. O homem tem pago um alto preço para comungar com as forças universais, ou para proteger-se delas. Muito naturalmente, o homem poderia pedir delas o prêmio mais cobiçado: a sabedoria! Ele poderia até buscar as divindades do submundo, Abadon e a Morte (vs. 22)” (Samuel Terrien, in loc.). Mas a sabedoria permanece facilmente oculta para o homem, a despeito de seus esforços e de sua devoção.

Este versículo repete, quase verbatim, o vs. 12 do presente capitulo, onde ofereço outra ideia.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1973-1974.

“De onde, pois, vem a sabedoria […]? (28.20). A pergunta do versículo 12 é repetida no 20. Jó está caminhando para a conclusão do seu argumento. Como ele mostrou no primeiro ciclo do seu argumento (28.1-11), não é possível obter a sabedoria simplesmente pelo esforço humano, mesmo que os homens sejam diligentes e aguerridos nesse projeto. Ela também não tem preço. Não é um bem comercial e, por isso, não pode ser comprada. Não tem preço, mas possui valor. Ela é um bem imaterial, na verdade espiritual. Não pode ser adquirida por meio da tradição, mas por revelação. Não é um produto humano, mas divino.

GONÇALVES. José,. A Fragilidade Humana e a Soberania Divina. O Sofrimento e a Restauração de Jó. Editora CPAD. pag. 159.

9 Lição 4 Tri 20 Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus

2. Uma verdade prática.

A sabedoria vem de Deus. Ela está em Deus e é Ele quem a revela. A sabedoria divina não é uma verdade a ser apenas contemplada, mas a ser vivida. Ela é prática. Jó diz que a sabedoria está no “temor do Senhor” (Jó 28.28). O temor do Senhor aproxima o homem de Deus e o afasta do mal. A sabedoria, portanto, é relacional. Esse foi um testemunho que o próprio Deus já havia dado sobre Jó. Ao contrário de seus amigos, ele vivia a sabedoria divina. Não apenas a sabedoria contemplativa, tradicional, transmitida pela tradição. A sua sabedoria era uma verdade revelada, por isso, convertia- -se em ação prática e relacionamento duradouro.

Comentário

E disse ao homem. O homem não é capaz de adquirir a sabedoria por meio de sua tecnologia e de ritos e cerimônias religiosas. Nem é capaz de possuir a Sabedoria divina. Não obstante, pode ter um bom começo quanto a essa questão. O temor do Senhor é sabedoria, e afastar-se do mal é a compreensão. Tais coisas são apenas aspectos da Sabedoria divina, mas para o homem representam um bom começo.

Naturalmente, em Cristo, em quem o homem regenerado adquire natureza divina (II Ped. 1.4), ele chega a compartilhar os atributos divinos, incluindo a sabedoria, posto que de maneira finita. Contudo, o finito cresce cada vez mais, conforme o indivíduo avança para a infinitude, e o homem continuará a mover-se na direção do infinito.

O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal.

(Provérbios 8.13)

O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que a praticam. O seu louvor permanece para sempre.

(Salmo 111.10)

O texto ensina que adquirir a sabedoria é uma questão moral, e não apenas mística. Somente o indivíduo justo tem chance de crescer na sabedoria. Nós a procuramos sendo bons. O temor do Senhor indica que estamos admirados diante do Ser divino e não ousamos poluir nossos caminhos. E aí que começamos a caminhar pela vereda espiritual. O conhecimento divino pertence exclusivamente ao Criador do cosmos, mas uma atitude prática de comportamento humano nos conduz a ela.

Contudo, a sabedoria mencionada no vs. 28 não resulta de algum empreendimento humano, mas um homem pode condicionar-se para receber o dom divino. O livro trata de uma espiritualidade genuína que o próprio sofrimento não pode anular. Pode o homem adorar a Deus de maneira desinteressada? ■ esse é o tema principal do livro. Pode um homem manter esse tipo de espiritualidade diante de intensos sofrimentos? Ou o ser humano é um egoísta que corre para o ateísmo na primeira vez em que sofre um golpe divino?

Essa passagem naturalmente é uma censura aos amigos-críticos de Jó, a terrível tríade. A sabedoria estava fora do alcance deles, mas eles se gabavam como depositários do conhecimento de Deus. Não obstante, eles não resolveram os problemas de Jó nem apresentaram solução para o problema do sofrimento humano. E mesmo para nós, hoje em dia, embora tenhamos superior revelação, a questão do sofrimento humano ainda contém enigmas.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1975.

O conhecimento da vontade revelada de Deus, da vontade do seu preceito. E isto está ao nosso alcance; está de acordo com a nossa capacidade, e nos fará bem (v. 28): “Mas disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria”.

Não devemos dizer que quando Deus ocultou os seus conselhos do homem, e lhe proibiu a participação nos frutos da árvore da ciência, tenha sido porque Ele lhe tenha recusado qualquer coisa que pudesse contribuir com a sua real bem-aventurança e satisfação; não, Ele deixou que o homem soubesse aquilo que lhe interessava saber, para o seu dever e felicidade; a ele será confiada a sua mente soberana, até o ponto que seja necessário e adequado para um súdito, mas ele não deve se julgar capacitado para ser um conselheiro.

Deus disse a Adão (segundo alguns), ao primeiro homem, no dia em que o criou; Ele lhe disse claramente que ele não devia se divertir com investigações curiosas sobre o mistério da criação, nem pretender solucionar todos os fenômenos da natureza, ele descobriria que não era possível nem lucrativo fazê-lo. Diz o arcebispo Tillotson: Uma sabedoria em nada menor do que aquela que criou o mundo pode compreender plenamente a sua filosofia.

Mas que o homem considere isto como sua sabedoria: temer o Senhor e afastar-se do mal; que ele aprenda isto, e terá aprendido o suficiente; que este conhecimento lhe seja útil. Quando Deus proibiu ao homem a árvore da ciência, Ele lhe permitiu a árvore da vida, e esta é a árvore de Provérbios 3.18.

Não podemos alcançar a verdadeira sabedoria, senão pela revelação divina. “O Senhor dá a sabedoria” (Pv 2.6). Entretanto, ela não é encontrada nos segredos da natureza ou da providência, mas nas regras para o nosso próprio proceder. Ao homem, Ele não disse, “Suba ao céu, para encontrar ali a felicidade”, nem “Desça às profundezas, para encontrá-la ali”. Não, a “palavra está mui perto de ti” (Dt 30.14). Ele te mostrou, ó homem, não o que é grande, mas o que é bom; não o que o Senhor teu Deus deseja fazer contigo, mas o que Ele pede de ti (Mq 6.8). “A vós, ó homens, clamo” (Pv 8.4).

Senhor, o que é o homem, para que seja assim visitado! Veja, perceba isto, aquele que tem ouvidos, que ouça o que o Deus do céu diz aos filhos dos homens: O temor do Senhor, isto é a sabedoria. Aqui temos:

1. A descrição da verdadeira religião, a religião pura e imaculada; é temer o Senhor e afastar-se do mal, o que está de acordo com a descrição que Deus faz de Jó (Jó 1.1). O temor do Senhor é a fonte e o resumo de toda a religião. Existe um temor servil do Senhor, que se origina de maus pensamentos sobre Ele, e que é contrário à religião (Mt 25.24).

Existe um temor egoísta de Deus, que se origina de pensamentos terríveis sobre Ele, e que pode ser um bom passo em direção à religião (At 9.5). Mas existe um temor filial de Deus, que se origina de pensamentos grandiosos e elevados sobre Ele, e que é a vida e a alma de toda a religião. E, onde quer que este temor reine no coração, ficará evidente por uma preocupação constante em se afastar da iniquidade (Pv 16.6). Isto é essencial para a religião. Nós devemos, em primeiro lugar, deixar de fazer o mal, ou jamais aprenderemos a fazer o bem. Virtus est vitiumfugere – Mesmo na nossa fuga da iniquidade há alguma virtude.

2. O louvor da religião: é sabedoria e entendimento. Ser verdadeiramente religioso é ser verdadeiramente sábio. Da mesma maneira como a sabedoria de Deus aparece na instituição da religião, também a sabedoria do homem aparece na sua prática e observância. É entendimento, pois é o melhor conhecimento da verdade; é sabedoria, pois é a melhor administração dos nossos assuntos. Nada guia o nosso caminho e alcança o nosso objetivo com mais segurança e certeza do que o fato de sermos religiosos, sim, homens e mulheres tementes e obedientes ao precioso e bendito Senhor.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 138.

SÍNTESE DO TÓPICO III

A sabedoria é uma verdade revelada e tem implicações práticas.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Não podemos alcançar a verdadeira Sabedoria, senão pela revelação divina. O Senhor dá a sabedoria’ (Pv 2.6). Entretanto, ela não é encontrada nos segredos da natureza ou da providência, mas nas regras para o nosso próprio proceder. Ao homem, Ele não disse, Suba ao céu, para encontrar ali a felicidade, nem ‘Desça às profundezas, para encontrá-la ali’. Não, a palavra está mui perto de ti’ (Dt 30.14). Ele te mostrou, ó homem, não o que é grande, mas o que é bom; no que o Senhor teu Deus deseja fazer contigo, mas oque Ele pede de ti (Mq 6.8). ‘A vós, ó homens, clamo’ (Pv 8.4).

Senhor o que é o homem, para que seja assim visitado! Veja, perceba isto, aquele que tem ouvidos, que ouça o que o Deus do céu diz aos filhos dos homens: O temor do Senhor, isto é a sabedoria. Aqui temos: 1. A descrição da verdadeira religião, a religião pura e imaculada; é temer o Senhor e afastar-se do mal, o que está de acordo com a descrição que Deus faz de Jó (1.1). O temor do Senhor é a fonte e o resumo de toda a religião” (HENRY Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.138).

9 Lição 4 Tri 20 Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus

CONCLUSÃO

Vimos que mesmo com empenho na busca da sabedoria, os resultados não são satisfatórios. A sabedoria não é alcançada. A sabedoria é um bem valioso e caro; ela não tem apenas preço, mas, sobretudo, valor. Não pode ser comprada ou comercializada, nem mesmo pode ser herdada. Ela é uma verdade revelada. Somente Deus é a fonte legítima da sabedoria. Ela se materializa no temor do Senhor. Quem teme ao Senhor é um sábio.

9 Lição 4 Tri 20 Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus

PARA REFLETIR

A respeito de “Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus”, responda:

1 – Que contraste Jó faz no capítulo 28?

R: Neste capítulo (28) Jó faz um contraste entre a busca do homem por minérios naturais e a sabedoria.

2 – O que o homem descrito por Jó é capaz e no é capaz de fazer?

R: O homem descrito por Jó é capaz de desviar o curso das águas, a fim de evitar a inundação das minas (v.12), mas não é capaz encontrar a sabedoria.

3 – Que paralelo é possível ver no capítulo 28 de Jó?

R: Podemos ver um paralelo entre a sabedoria exposta por Jó neste capítulo (vv.12-19) com a descrita no livro de Provérbios.

4 – O patriarca Jó nega a existência da sabedoria?

R: O patriarca não nega que a sabedoria exista ou que ela pode ser encontrada, mas o que ele diz é que a sabedoria não é um bem comercial.

5 – O que aproxima o homem de Deus e o afasta do mal?

R: O temor do Senhor aproxima o homem de Deus e o afasta do mal.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

1° Lição – O Livro de Jó

2° Lição – Quem Era Jó

3° Lição – Jó e a Realidade de Satanás

4° Lição – O Drama de Jó

5° Lição – O Lamento de Jó

6° Lição – A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem?

7° Lição – A Teologia de Bildade: Se Há Sofrimento, Há Pecado Oculto?

8° Lição – A Teologia de Zofar: O Justo não Passa por Tribulação?

Estaremos apresentando conteúdo diferênciado aos professores que estaram usando nossas ferramentas (Site, Grupo do Telegram e Facebook). Vamos usar todo material disponivel para fazer a obra do Senhor Jesus.

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