9 LIÇÃO 4 TRI 22 GOGUE E MAGOGUE: UM DIA DE JUÍZO

 

9 LIÇÃO 4 TRI 22 GOGUE E MAGOGUE: UM DIA DE JUÍZO

9 LIÇÃO 4 TRI 22 GOGUE E MAGOGUE: UM DIA DE JUÍZO

 

TEXTO ÁUREO

 

”E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar para as ajuntar em batalha.” (Ap 20.8)

 

VERDADE PRÁTICA

 

A palavra profética anuncia que, antes da restauração espiritual de Israel, virão Gogue e seu bando para invadir a Terra Santa, mas eles serão derrotados.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Gn 10.2 Magogue é um descendente de Jafé, filho de Noé

 

Terça – Jr 1.14 “O mal vem do Norte” era o ditado desde os dias de Jeremias

 

Quarta – Ez 27.13; 38.2 Meseque e Tubal aparecem como confederados de Gogue

 

Quinta – Ez 38.16 Nesse conflito todas as nações ficarão sabendo que Javé é Deus

 

Sexta– Ap 16.13-16 A batalha do Armagedom não é a mesma do conflito de Gogue

 

Sábado – Zc 14.2-4 Os inimigos de Israel serão derrotados no fim dos tempos

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Ezequiel 38.1-6; 39.1-10

 

Ezequiel 38

1 – Veio mais a mim a palavra do SENHOR, dizendo:

 

2 – Filho do homem, dirige o rosto contra Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal, e profetiza contra ele.

 

3 – E dize: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal.

 

4 – E te farei voltar, e porei anzóis nos teus queixos, e te levarei a ti, com todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, todos vestidos bizarramente, congregação grande, com escudo e rodela, manejando todos a espada;

 

5 – persas, etíopes e os de Pute com eles, todos com escudo e capacete;

 

6 – Gomer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, da banda do Norte, e todas as suas tropas, muitos povos contigo.

 

Ezequiel 39

1 – Tu, pois, ó filho do homem, profetiza ainda contra Gogue e dize: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu sou contra, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal.

 

2 – E te farei voltar, e te porei seis anzóis, e te farei subir das bandas do Norte, e te trarei aos montes de Israel.

 

3 – E tirarei o teu arco da tua mão esquerda e farei cair as tuas flechas da tua mão direita.

 

4 – Nos montes de Israel, cairás, tu, e todas as tuas tropas, e os povos que estão contigo; e às aves de rapina, e às aves de toda a asa, e aos animais do campo, te darei por pasto.

 

5 – Sobre a face do campo cairás, porque eu falei, diz o Senhor JEOVÁ.

 

6 – E enviarei um fogo sobre Magogue e entre os que habitam seguros nas ilhas; e saberão que eu sou o SENHOR.

 

7 – E farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo de Israel e nunca mais deixarei profanar o meu santo nome; e as nações saberão que eu sou o Senhor, o Santo em Israel.

 

8 – Eis que é vindo e se cumprirá, diz o Se­nhor JEOVÁ; este é o dia de que tenho falado.

 

9 – E os habitantes das cidades de Israel sairão, e totalmente queimarão as armas, e os escudos, e as rodelas, com os arcos, e com as flechas, e com os bastões de isso por sete anos.

 

10 – E não trarão lenha do campo, nem a cortarão dos bosques, mas com as armas acenderão fogo; e roubarão aos que os roubaram e despojarão aos que despojaram, diz o Senhor JEOVÁ.

 

 

Hinos Sugeridos: 237, 457, 492 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

 

O livro de Ezequiel trata de profecias que ainda não se cumpriram em Israel. Isso significa que elas se cumprirão no futuro, pois a Palavra de Deus não falha. As profecias da Bíblia, a respeito da nação de Israel, são um testemunho poderoso da intervenção divina no mundo. Essas profecias revelam muito da natureza da relação de Deus com o seu povo. A profecia de Gogue e Magogue é uma daquelas que ainda se cumprirá.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Identificar Gogue;

II) Identificar Magogue;

III) Explicar o contexto escatológico da profecia.

B)Motivação: A nação de Israel está radiante de uma colisão de nações para destruí-la. Isso ocorrerá antes ou no início da Grande Tribulação. Quais são as nações que formarão essa coalizão? A presente lição trará uma exposição importante a respeito desse assunto.

C) Sugestão de Método: Falaremos aqui a respeito da sexta lei do ensino: a lei da aprendizagem. Podemos resumi-la assim: ”o aluno deve reproduzir em sua mente a verdade a ser aprendida”. Três coisas devem ser levadas em conta para a sua aula:

1) Faça boas perguntas, pois elas são importantes para os alunos reproduzirem o conhecimento na mente;

2) Pratique com os alunos a paráfrase, pois eles precisam reproduzir com as próprias palavras o que estão aprendendo;

3) Faça-se de ”desentendido”, voltando constantemente a um princípio ou verdade que você ensinou.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

  1. A) Aplicação: Faça uma revisão com os alunos a respeito dos três tópicos. Conclua dizendo o quanto que as profecias bíblicas são atuais e concretas.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 92, p.40, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

  1. B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto ”Gogue” aprofunda o assunto a respeito da identidade de Gogue no livro de Ezequiel; 2) O texto ”Magogue” amplia a identificação de Magogue como território.

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

A profecia cumprida na antiguidade bíblica tem levado a ala cética a argumentar que a profecia foi escrita depois do fato acontecido. Com relação às profecias messiânicas, não há como defender esse pensamento. Nesta lição, veremos as profecias de Ezequiel que tratam de eventos que ainda não ocorreram com Israel. Muito mais agora, com Israel no centro do noticiário mundial, eles não podem dizer que o profeta escreveu a profecia depois dos fatos.

 

COMENTÁRIO

 

 

Os oráculos contra “contra Gogue, da terra de Magogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal” constituem um único oráculo em várias partes. A primeira ocupa todo o capítulo 38, que descreve a invasão de Gogue e seus confederados; a segunda, no capítulo 39, anuncia a derrocada dos invasores e seu chefe com o completo aniquilamento dessas hordas pelo poder de Javé. A palavra profética anuncia que antes da restauração espiritual de Israel virão Gogue e seu bando para invadir a Terra Santa, mas eles serão derrotados.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 105.

 

 

Esta seção consiste em sete oráculos, cada um dos quais é introduzido pela fóimula: Assim diz o SENHOR Deus (38:3-9, 10-13, 14-16, 17-23; 39:1-16, 17-24, 25-29). Descrevem como Gogue, o príncipe-chefe de Meseque e Tubal, invadirá a terra de Judá, vindo do norte, para despojá-la e destruir o povo que, mais uma vez, está pacificamente restabelecido na sua terra. O Senhor, porém, vindicará a Sua santidade massacrando os invasores, de modo que seus cadáveres ficarão espalhados nos montes de Israel como presas para as feras, e seus restos mortais levarão sete meses para serem enterrados no Vale das Forças de Gogue. Além disto, suas armas fornecerão ao povo de Israel lenha que servirá para sete anos.

Ora, a idéia de uma enorme batalha escatológica entre as forças do mal, ou o norte, e o povo fiel de Deus, não era nova. Ezequiel tinha consciência de que falava de um cumprimento de eventos que porta-vozes anteriores profetizaram. (38:17; 39:8), e suas palavras ecoavam a linguagem de outros, especialmente Jeremias (Jr 4:5-6:26; cf. J1 2:20).

Estava, na realidade, representando os últimos dias em termos da linguagem figurada do “dia do Senhor” que dominava o futuro para profetas tais como Joel (J1 2:28-32), Amós (Am 5:18-20) e Sofonias (Sf 1:14-18), e que aparece de modo destacado em partes de Isaías (Is 29:5-8; 66:15ss.), e de Zacarias (Zc 12:1-9; 14:1-15). Este é um quadro totalmente diferente do tema da “idade de ouro,” em cuja linguagem fora descrita a volta do exílio para a terra prometida. Até que ponto é possível reconciliar as duaS abordagens num esquema cronológico consistente, fica para o julgamento de outros, com base nos esforços daqueles que já fizeram a tentativa. O que importa notar é que Ezequiel, aparentemente, conseguiu usar as duas formas de linguagem figurada sem qualquer senso de contradição, embora não ofereça qualquer orientação clara quanto à maneira de equilibrá-las.

Mais uma palavra de cautela deve ser dita acerca da interpretação destes dois capítulos. A linguagem é a linguagem apocalíptica: em grande medida, é simbólica, e às vezes deliberadamente obscura e até mesmo enigmática.

Embora os pormenores sejam vagos, o impacto principal é expresso com clareza e destaque. A interpretação, portanto, deve corresponder ao conteúdo, e as tentativas de atribuir significados demasiados aos detalhes incidentais da profecia, revelam a engenhosidade do especulador mais do que a sobriedade do exegeta.

Taylor. John B,. Ezequiel. Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 217-218.

 

 

Os limites do oráculo de Gogue são claramente definidos. A fórmula palavra-evento, em 38.1, seguida pela abordagem direta de Yahweh ao profeta e pela ordem para que ele volte seu rosto para Gogue e profetize contra ele, no v. 2, coloca esse texto fora do precedente. A fórmula-signatária, em 39.29, forma um fechamento adequado, uma conclusão confirmada por 40.1, que começa com um novo relato visionário com a informação de data.

O texto interposto é apresentado como um oráculo único, descrevendo primeiro a invasão da terra de Israel por Gogue e suas hordas, e, depois, o completo aniquilamento dessas forças por Yahweh. Mas isto não significa que a trama se desenvolve sem dificuldades ou que o estilo literário da unidade seja consistente. Além das frequentes e abruptas mudanças de foco, o excesso de fórmulas disjuntivas dá a impressão de que uma série de episódios, geralmente únicos e soltos, foram enfileirados.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 390.

 

 

Palavra-Chave: JUÍZO

 

 

I – SOBRE A IDENTIDADE DOS POVOS INVASORES  (PARTE 1)

 

Essa profecia envolve muitos nomes, e alguns deles até parecem enigmáticos. O nosso desafio é identificar quem são, hoje, os povos que Ezequiel menciona na antiguidade.

 

1- Os invasores (38.6; 39.2).

 

A profecia deixa claro que essa invasão será para o ”fim dos anos” (38.8); “no fim dos dias” (38.16); depois da restauração do Estado de Israel (38.12). Isso significa que será antes da Grande Tribulação, ou, talvez, logo no início dela, portanto não é a mesma batalha do Armagedom (Ap 16.16). Outra informação importante é que os povos da coalizão do príncipe ou comandante chamado Gogue são da ”banda do Norte” e outros grupos do norte da África, como etíopes e os de Pute (38.5). O capítulo 39 descreve a derrocada de Gogue e os seus confederados (39.4-6). Essa informação geográfica é vaga e muito genérica, considerando a vasta extensão territorial e a multidão de povos que habitam ali.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O capítulo 39 descreve a derrocada de Gogue e seus confederados, e isso é anunciado e descrito na segunda metade dessa profecia. O profeta não se cansa de dizer que a fonte dos oráculos que ele anuncia é o próprio Javé, e na introdução desse discurso não é diferente: Assim diz o Senhor Deus (v. 1b.). Na última parte do versículo o profeta reafirma que Javé é contra Gogue e seu bando, com praticamente as mesmas palavras que introduz a mensagem no capítulo 38:

Eis que estou contra você, Gogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal (v. 1c). Essa repetição enfatiza que Javé é contra esses invasores. A identificação deles já foi dada anteriormente (38.2). Mais uma vez, a palavra profética expressa é que Deus que vai conduzir Gogue e suas tropas: Eu o farei mudar de direção e o conduzirei (v. 2a), e mostra a procedência deles, os lados do Norte, para serem derrotados nos montes de Israel: e o trarei aos montes de Israel (v. 2b).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 111.

 

 

Nos montes de Israel cairás. O exército, grande e potente, foi reduzido a nada, servindo somente de comida para as aves de rapina e as bestas selvagens. Alguns interpretam que estes animais representam outras forças (como as humanas) que cooperaram na destruição generalizada.

“A preservação de Israel resulta da destruição de seus inimigos, com Yahweh realizando uma obra dupla. Cf. Dan. 11.45, que descreve a blasfêmia voluntária do rei do norte, que chegará ao seu fim, sem que ninguém o ajude” (Fausset, in ioc). “Compare-se esta destruição àquela do faraó, em Eze. 39.4-5” (Ellicott, in loc.).

Virgílio fala da omissão de um enterro decente e de corpos deixados para serem comidos pelas aves e bestas do campo, como um julgamento de Deus, reservado a homens especialmente ímpios (Aen. 1.10).

Cairás em campo aberto, porque eu falei, diz o Senhor Deus. Adonai-Yahweh (o Soberano Eterno Deus) pronunciou seu oráculo de aniquilação contra Gogue e suas hordas, e assim aconteceu. Ver o vs. 1 para este título divino. Mesmo a maldade sendo forte, Deus ainda é o Governador. Suas intervenções mudam o curso da vida dos homens e das nações.

Meterei fogo em Magogue. Eze. 38.19-22 descreve a devastação do exército de Gogue e seus aliados, pelas forças da natureza, e aquela descrição se completa aqui com fogo, possivelmente numa alusão à erupção vulcânica. A ira divina é assim simbolizada. Ver no Dicionário o artigo chamado Fogo, Simbolismo de, para detalhes. Talvez relâmpagos temíveis também façam parte da alusão. Gogue não será a única vítima; as ilhas e cidades da costa também serão atingidas pelo fogo divino. O autor fala dos que habitam seguros nas terras do mar, que se aliaram a Gogue. Eze. 26.15,18; 27.3,6-7,16,35 que mencionam outras nações, em lugares mais distantes, como sujeitas ao castigo de Yahweh.

Saberão que eu sou o Senhor. Yahweh ficará conhecido nesse julgamento, quando os profanos sofrerem o que merecem. Para o tema de Yahweh ficar conhecido pelo julgamento ou pela restauração (63 vezes neste livro), ver as notas em Eze. 38.23.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3323.

 

 

Yahweh vai levar a cabo a suprema indignidade com os cadáveres de Gogue e seu exército,’’ entregando-os para os animais que comem carniça, mediante a exposição nos montes e no campo aberto. Duas espécies de animais devoradores de carniça são mencionadas. As aves de rapina são referidas por “êt, que ocorre em outros textos apenas cinco vezes.

Embora a etimologia do termo seja incerta, seu uso é sugestivo. Três textos descrevem explicitamente essa classe de aves comendo carcaças mortas, apoiando o ponto de vista de que as aves de Ezequiel são abutres, embora os hebreus nem sempre fizessem distinção entre abutres e águias. A raridade de “ayit é, provavelmente, levada em conta para o comentário explicativo, sippôr k”l-kãnãp (lit. “ave de todas as asas”). sippôr é um termo genérico para aves, conquanto seja mais fi’equente se referir a uma ave pequena, adequada para o consumo humano. Uma vez que os israelitas tinham tabus rigorosos sobre o consumo de aves de rapina, a frase “êt sippôr k”l-kãnãp parece paradoxal.

A intenção de Ezequiel é, provavelmente, incluir uma ampla série de aves comedoras de carniça, incluindo abutres, corvos e gralhas. A linguagem inclusiva sugere a magnitude da derrota militar; haverá alimento suficiente para todas as espécies de aves devoradoras de carniça. Os mamíferos comedores de carniça são referidos de modo genérico como hayyat haééãdeh (lit. criaturas do campo). Chacais e hienas estão, obviamente, em mente, mas deixando de mencionar as espécies, ele permite que animais como lobos e leões façam parte da festa.”

Yahweh vai mandar fogo contra as terras das quais Gogue e seus aliados vieram. O fogo foi anteriormente usado como um símbolo de julgamento, mas esta é a primeira ocorrência de Sillah eS bè, “mandar fogo em”, no livro.-® A aplicação que Amós faz da expressão idiomática para queimar os muros da cidade e outras fortificações sugere uma tática ofensiva por parte de Yahweh. Não satisfeito com a destruição dos exércitos de Gogue, ele ataca seus territórios pátrios, ou seja, o lugar de origem de Gogue e Magogue (cf 38.2), eyõSebê ha’iyy’m, “os habitantes das terras costeiras”, uma referência às praias do Mediterrâneo e às regiões insulares, representadas por Társis, em 38.13,^’ aludindo às forças navais aliadas com os exércitos liderados pelas hordas anatolianas.

Em 38.13, o profeta havia criado a impressão de que essas e outras nações mercantes eram apenas espectadores invejosos das aventuras de Gogue, mas, agora, tomou-se aparente que elas tomaram, realmente, sua posição ao lado de Gogue e contra Yahweh. A descrição dos habitantes como “seguros” (lãbetah), realça a ironia da situação. O comprido braço de Yahweh se estende além dos limites de sua própria terra até os confins da terra.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 419-420.

 

 

2- Compreendendo a profecia.

 

O discurso de Ezequiel deixa claro que a mensagem não é para a sua geração, mas para quando Deus fizer regressar o seu povo da diáspora de todas as nações da terra (Ez 36.24; Am 9.14,15). Como a profecia é para um tempo ainda distante, esses oráculos divinos foram vazados na linguagem da época do destinatário original. É necessário, pois, identificar esses povos no contexto em que vivia o profeta e procurar identificá-los nos tempos atuais, quando possível. Isso tornará a profecia compreensível e mais vívida em nossos dias.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Tomar-vos-ei de volta de entre as nações. A volta de Judá do cativeiro pelo poder de Adonai-Yahweh (o Soberano Eterno Deus) se realizará, porque haverá arrependimento e mudança de conduta. No processo de julgamento-arrependimento-recuperação, o santo nome de Yahweh será vindicado, honrado e louvado. Quando o nome divino for glorificado, seu povo também o será. A realização maior do ideal deste versículo será no Reino do Messias, no dia escatológico.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3314.

 

 

O reagrupamento de Israel (36.24)

As ações reconstituintes de Yahweh começam onde é necessário, com 0 reagmpamento do seu povo de todas as nações para onde foi disperso. A promessa, que concebe o evento como um novo êxodo, prevê três fases, descritas em três linhas paralelas:

wèlãqahtí ‘etkem min-haggôyim wèqibbasti ‘etkem mikk”l-hã’ãrãsôt, wèhêbê’ti ‘etkem ‘el-‘admatèkem.

Eu vos tirarei dentre as nações,

Eu vos ajuntarei de todas as terras,

Eu vos trarei para a vossa própria terra.

O tema do novo êxodo ocorre dez vezes em Ezequiel, mas ganha crescente preeminência nos oráculos de restauração. Embora Êx 6.6,7 possa ter estado na mente de Ezequiel, sua fraseologia foi influenciada mais diretamente por Dt 30.4: “Ainda que os teus desterrados estejam para a extremidade dos céus, desde lá Yahweh, teu Deus, te ajuntará (qibbês), e desde lá ele te tomará (lãqah), e Yahweh, teu Deus, te trará (hêb’ ’) para a terra que os teus antepassados possuíam”. Dirigindo-se diretamente para o insulto escarne- cedor dos observadores do exílio de Israel (v. 20), essa promessa declara que o próprio Yahweh vai demonstrar tanto fidelidade ao seu povo e à sua terra, como competência para cumprir suas responsabilidades de protetor, confonne é entendido pelas nações.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 329-330.

 

3- Gogue (38.2a; 39.1a).

 

O nome ”Gogue” fora da profecia de Ezequiel só aparece mais duas vezes nas Escrituras, um descendente de Rúben, sem qualquer vínculo com a profecia (1 Cr 5.4), e na revolta de Satanás contra Deus e seu povo depois do Milênio, em Apocalipse 20.8, como outro acontecimento. Tais nomes em Apocalipse são emprestados de Ezequiel 38 e 39. A Enciclopédia Judaica identifica Gogue com o rei Gyges, também conhecido como Gogo, da Lídia, região da Anatólia, na atual Turquia asiática. Essa é a interpretação da maioria dos expositores do Antigo Testamento e dos arqueólogos. Mas a descrição profética parece indicar um título, como “Faraó”, no Egito; ”Xá”, na antiga Pérsia; ”César”, em Roma, e não o nome pessoal de alguém.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Mas não se deve confundir a confederação de Gogue e Magogue de Ezequiel com a rebelião de Apocalipse 20.8. G. K. Beale diz: “Essa universalização da profecia de Ezequiel sugere que a opressão de Israel em Ezequiel 38–39 é também universalizada, e de fato é equivalente a Apocalipse 20.9 para ‘o acampamento dos santos e a cidade amada’, a qual é para ser entendida como a igreja em toda a terra”.

Os detalhes de Ezequiel e Apocalipse mostram que se trata de eventos distintos. A invasão de Israel, segundo Ezequiel, será depois da sua restauração nacional (Ez 38.8), e a de Apocalipse, depois do milênio (Ap 20.7.8); a de Ezequiel será feita por um pequeno grupo de nações (38.1-6), a de Apocalipse, pelas “nações que estão nos quatro cantos da terra” (Ap 20.8). Em Ezequiel, Gogue é o governante, e Magogue, uma localidade geográfica (38.2); em Apocalipse são personalizações satânicas (Ap 20.7, 8). Então, não existe a alegada “universalização da profecia de Ezequiel”.

 

A identidade de Gogue, Magogue, Meseque e Tubal.

Sobre a expressão, Filho do homem, ver o Estudo 1, “Ezequiel, o atalaia de Deus”. Com respeito à mensagem … contra Gogue, da terra de Magogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal, o nome “Gogue” só aparece em Ezequiel, cinco vezes no capítulo 38.2, 3, 14, 16, 18 e seis vezes no capítulo 39.1 (duas vezes), 11 (três vezes), 15 (uma vez). Fora da profecia de Ezequiel, só aparece mais duas vezes nas Escrituras, como um descendente de Rúben, sem nenhum vínculo com a profecia (1Cr 5.4), e na revolta de Satanás contra Deus e seu povo depois do milênio (Ap 20.8).

Mas os nomes “Gogue e Magogue” em Apocalipse são emprestados de Ezequiel e não significa que os dois eventos escatológicos, a invasão de Israel depois de sua restauração nacional e a rebelião de Satanás depois do milênio, sejam o mesmo. Alguns consideram nomes enigmáticos, mas não é o que parece, pois isso indicaria que os aliados, como os persas, os etíopes e o de Pute, ou seja, os líbios (v. 5), seriam também nomes enigmáticos, o que não vem ao caso.

Há diversas interpretações para esse nome desde a antiguidade, todas inconclusivas. Para alguns, a descrição profética parece indicar um título, como “Faraó”, no Egito; Xá, na antiga Pérsia; César”, em Roma, e não o nome pessoal de alguém. A inexistência de consenso para a identidade de Gogue não é por falta de esforço ou de pesquisas. Há uma tentativa antiga em identificar com Gogue com Gyges, rei da Lídia, nome que aparece em seis inscrições de Assurbanipal, rei da Assíria (668-631 a.C.). Houve a batalha de Eclipse entre Lídia e Média em 585 a.C.; além disso, Lídia tornou-se dominante na Anatólia ocidental pelo bisneto de Gyges, Alyattes. Se compararmos as datas de Gyges e de Ezequiel, tal interpretação pode fazer sentido; contudo, trata-se de uma interpretação possível, mas que não é absolutamente uma certeza. Para a maioria dos expositores do Antigo Testamento e dos arqueólogos, Gyges é o nome mais cotado para Gogue. A Enciclopédia Judaica identifica também Gogue com o rei Gyges, também conhecido como “Gogo, rei da Lídia”, uma região da Anatólia, na atual Turquia asiática.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 112; 106-107.

 

 

GOGUE

Não se conhece o significado dessa palavra, no hebraico. Todavia, alguns estudiosos arriscam o sentido de «monte elevado». Nas páginas do Antigo Testamento, aparece como nome de dois indivíduos; e, no Novo Testamento, parece estar em pauta alguma localização geográfica, combinada com outra, chamada Magogue:

O governante Magogue.

Esse Gogue, ao que parece, foi uma personagem histórica, príncipe de Meseque e Tubal. Alguns estudiosos interpretam as passagens envolvidas (Eze. 38:2,3,14,16,18; 39:1,11), como se elas dissessem «príncipe de Ros, Meseque e Tubal».

Alguns eruditos têm identificado Gogue como Giges, rei da Lidia, em cerca de 660 A.C., que os assírios chamavam de Gugu. Tal nome acabou tornando-se uma metáfora para indicar algum poderoso inimigo de Israel, prenunciando uma tremenda batalha que Israel terá de enfrentar, nos últimos dias, antes da segunda vinda de Cristo, conforme se explica no artigo sobre Gogue e Magogue.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 3. 11 ed. 2013. pag. 924.

 

 

GOGUE E MAGOGUE O trecho de Apocalipse 20:8 reflete, evidentemente,

Ezequiel 38 e 39, no que concerne a Gogue, chefe e príncipe de Magogue. Naquela passagem do Novo Testamento, lemos: «…Satanás será solto da sua prisão, e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-los para a peleja…» Há dois detalhes que precisamos destacar aqui: Primeiro, conforme a linguagem usada o indica, nesse trecho do Novo Testamento «Gogue» não é mais um indivíduo, e, sim, uma localização geográfica — um extremo de uma região cujo outro ponto extremo seria Magogue. Segundo, o livro de Ezequiel parece referir-se a um acontecimento anterior ao milênio, e até mesmo à batalha final do Armagedom, não fazendo parte da mesma (ver Apo. 20:7-9), ao passo que o Apocalipse alude a uma ocorrência que haverá ao término do milênio.

A batalha do Armagedom, sem interessar quais as suas proporções exatas, será o último conflito armado da história da humanidade, de nação contra nação. O alvo do ataque será Israel, e os atacantes serão todas as outras nações do globo. Já no caso da batalha referida em Ezequiel 38 e 39, embora o alvo também seja a nação de Israel, os atacantes serão vários aliados provenientes do norte de Israel, encabeçados por Gogue, o príncipe. E, no caso da rebeldia final, contra o governo milenar do Senhor Jesus, aludido no livro de Apocalipse, as nações estarão de pleno acordo entre si. Conjuntamente, tentarão oferecer resistência ao Senhor Jesus, lideradas pelo próprio Satanás.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 3. 11 ed. 2013. pag. 924-925.

 

 

Como em 38.2, a fórmula de acusação, no 39.1 b, traça as linhas do conflito: Yahweh se estabeleceu em oposição a Gogue. Por uma série de oito declarações sarcásticas e duras, Yahweh esboça sua estratégia contra o inimigo: ele vai girar Gogue, arrastá-lo, conduzi-lo {he’èlâ) da parte mais remota do norte,’“ levá-lo {hèb’ ‘) aos montes de Israel, derrubar {hikkâ) o arco de sua mão esquerda, forçá-lo a deixar cair (hipp’l) suas flechas da mão direita, entregar {nãtan) seu cadáver como alimento {lè'”klâ) para todos os animais e aves de rapina, e queimar as terras de onde Gogue e seus aliados vieram.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 419.

 

 

SINOPSE I

 

O capítulo 39 de Ezequiel descreve a derrocada de Gogue e os seus confederados. Gogue se refere a um líder semelhante ao ”Faraó’: ”Xá” ou ”César”.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

GOGUE

 

“Gogue é o rei da terra de Magogue e o principal governante de Meseque e Tubal. Em Gn 10.2, Magogue, Meseque e Tubal são os nomes dos filhos de Jafé. Por conseguinte, a batalha futura aqui descrita será travada por um descendente de Jafé. Gogue também pode ser um nome representativo da iniquidade e da oposição a Deus (ver Ap 20.7-9). Esses países localizam-se, possivelmente, ao extremo norte de Israel (vv. 6.15; 39.2). Serão apoiados por exércitos vindos do Leste e do Sul (v.5). É difícil determinar a ocasião dessa batalha, mas evidentemente não se trata da mesma batalha de Gogue e Magogue, de Ap 20.7-9, que ocorrerá no fim do milênio” (Comentário Bíblico Beacon: Isaías a Daniel. Vol. 4. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p. 476).

 

 

II – SOBRE A IDENTIDADE DOS POVOS INVASORES. (PARTE 2)

 

1- Magogue (38.2b; 39.1b, 6a).

 

É o nome de um descendente de Jafé, filho de Noé (Gn 10.2;1 Cr 1.5), que aparece em Ezequiel como um lugar. As fontes antigas o incluem com os habitantes do Cáucaso, procedentes de Gomer. O historiador judeu Flávio Josefo (37-103 d.C.) identifica Magogue com os citas, um conjunto de etnias nômades que viviam na região norte do Mar Negro e do Mar Cáspio. Os citas aparecem no Novo Testamento juntamente com os bárbaros (Cl 3.11).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Terra de Magogue. O nome “Magogue” só aparece cinco vezes em toda a Bíblia, sendo duas vezes em Ezequiel em relação à profecia (38.2; 39.6), duas vezes na descrição da genealogia de Jafé, filho de Noé (Gn 10.2; 1Cr 1.5), e a última vez associado a Gogue na batalha escatológica de Apocalipse (Ap 20.8). O historiador judeu Flávio Josefo (37-103 d.C.), quando escreve sobre a genealogia de Gênesis capítulo 10, procura identificar os povos conhecidos na sua geração que procederam desses filhos de Noé.

Nessa lista, Josefo identifica Magogue com os citas, conhecidos hoje como um conjunto de etnias nômades que viviam na região norte do mar Negro e do mar Cáspio: “Magogue fundou a (colônia) dos magogianos, a que chamam citas” (Antiguidades Judaicas, Livro Primeiro, capítulo 6). Os citas aparecem no Novo Testamento juntamente com os bárbaros (Cl 3.11). “Bárbaros” eram os não gregos que não falavam grego e, entre os bárbaros, os citas estavam bem abaixo na escala social e cultural. Segundo Josefo, os citas eram “tão cruéis que não sentem maior prazer do que derramar sangue humano e não diferem quase nada dos animais selvagens” (Contra Ápion, Livro Segundo).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 107-108.

 

 

A Identificação de Gogue e Magogue não é indubitável. Os comentadores estão divididos quanto às seguintes possibilidades:

Seriam os inimigos de Israel vindos do norte, sem distinção de nações particulares.

Seriam os inimigos em geral de Israel, sem identificação de localidade (uso espiritual).

Alguns veem aqui os godos e outros antigos povos guerreiros.

Josefo identificava os citas como descendentes de Magogue, um povo da Sibéria ocidental. Isso, naturalmente, nos leva a uma possível identificação com a União Soviética.

Na opinião de alguns, «Magogue» é a designação da nação ou nações envolvidas, ao passo que «Gogue» seria o seu príncipe ou chefe (ver Eze. 38:2). Nessa referência, «Meseque», é identificado por alguns como «Moscou»; «Tubal» seria a cidade de «Tobolsk». Se isso é verdade, então a Rússia está claramente em foco. Pelo menos é certo que Gogue e Magogue são usados como nomes simbólicos para indicar todos os adversários do Messias, da igreja cristã e da nação de Israel; mas cremos que a identificação da União Soviética, neste ponto, é quase certa.

Para a peleja. Nessa oportunidade a batalha não será grande, porquanto haverá a intervenção divina, que porá fim a tudo (ver o nono versículo). Mas, 6 interessante notar que as três grandes batalhas dos fins dos tempos, aquela referida em Eze. 38 — 39, durante a tribulação; — a batalha de Armagedom (ver o artigo separado sobre este assunto), após a tribulação, a qual dará início à «parousia»; e após o milênio, essa guerra de Gogue e Magogue, todas terão como ponto central a terra da Palestina, o território do povo escolhido de Deus.

O número desses é como a areia do mar. Eles conquistarão muitos aliados. Quão estranho, mas quão típico será tudo! Os homens, embora ricos materialmente e, segundo todas as aparências, espiritualmente abençoados, podem permanecer in- conversos, prestando apenas serviço de lábios a Cristo. E é isso que sucederá durante o milênio. Porém, não se tendo convertido em seus corações, serão presa fácil para o último e grande ludíbrio de Satanás. Revoltar-se-ão e mostrarão que sua natureza humana é decaída, a despeito do fato de que viverão em um meio ambiente perfeito, o da idade áurea. «Importa-vos nascer de novo» (João 3:3-5).

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 2. 11 ed. 2013. pag. 926.

 

 

O verso 2b parece colocar Gogue como cabeça de Meseque e Tubal, conquanto a sintaxe de nèé’ rõ ’s meSek wètubãl seja problemática. A questão gira em tomo de se rõ’s é o nome de um grupo étnico ou um substantivo comum. Tanto o ápxovxa Pwç da versão da Septuaginta como a pontuação construto dos massoretas argumentam a favor da primeira hipótese.” Mas quem é, então, este Rôs? A identificação popular de Rôs com a Rússia é incrivelmente anacrônica e baseada numa etimologia imperfeita, sendo as semelhanças assonantes entre a Rússia e Rôs puramente acidentais.“

No 19° século, alguns estudiosos associaram Rôs com Rús, uma tribo cita, habitante dos Montes Taurus do norte,“’ de acordo com os escritos bizantinos e árabes. Tentativas recentes para equiparar Rôs com Ráshu/Rêshu/Arashi nos anais neoassirios são mais confiáveis,“- com exceção de que o lugar assim denominado se localizava na fronteira extrema entre a Babilônia e o Elão, e não teria nada a ver com Meseque e Tubal.“’ Esta interpretação também é difícil (embora não impossível), a partir de um ponto de vista gramatical.

Se Rôs deve ser lido como o primeiro de uma série de nomes, a conjunção deveria preceder “Meseque”. rõ’s é, portanto, melhor compreendido como um substantivo comum, apositivo e oferecendo uma definição mais próxima de nõi”.“’ Consequentemente, o principe, chefe de Meseque e Tubal. combina com o título preferido por Ezequiel para os reis, com uma designação hierárquica, sendo que a adição serve para esclarecer o termo arcaico precedente.“* O alvo de Ezequiel é mostrar que Gogue não é apenas uma das muitas figuras principescas anatolianas, mas o líder entre os príncipes e sobre vários grupos tribais/nacionais.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 398-399.

 

 

2- Meseque e Tubal (38.2c; 39.1c).

 

Tubal e Meseque são dois dos sete irmãos filhos de Jafé, filho de Noé: “os filhos de Jafé são: Gomer, e Magogue, e Madai, e Javã, e Tubal, e Meseque, e Tiras” (Gn 10.2). Esses dois jafetitas deram origem a Tabal e Mushki, reinos frigianos da Capadócia, na Anatólia, segundo inscrições assírias. Nessa coalizão aparece mais um da família de Jafé, Togarma, filho de Gomer (Gn 10.3). Gomer é o primeiro da lista dos filhos de Jafé, ele é identificado desde a antiguidade com o povo do Cáucaso.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Meseque e Tubal. Tubal e Meseque são dois dos sete irmãos filhos de Jafé, filho de Noé: “Os filhos de Jafé foram: Gomer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tiras” (Gn 10.2). Esses dois nomes juntos, “Meseque e Tubal” ou “Tubal e Meseque”, aparecem sete vezes nas Escrituras, cinco em Ezequiel, dessas três nessa profecia (38.2, 3; 39.1) e duas nos oráculos contra as nações vizinhas (27.13; 32.26); e as outras duas vezes, como já foi dito, na genealogia de Jafé (Gn 10; 1Cr 1.5). Há outra personagem de mesmo nome da linhagem de Sem que não aparece na genealogia de Gênesis 10 (1Cr 1.17).

Meseque aparece ainda como localidade em Salmos 120.5. Josefo identifica Tubal com os “iberos” e Meseque com os capadócios “mescinianos”.80 Esses dois jafetitas deram origem a Tabal e Mushki, reinos frigianos da Capadócia, na Anatólia, segundo inscrições assírias. Nessa coalizão de Gogue e seus aliados, aparece mais um da família de Jafé, Togarma, filho de Gomer (Gn 10.3). Gomer é o primeiro da lista dos filhos de Jafé; ele é identificado desde a antiguidade com o povo do Cáucaso, que segundo Josefo são os frígios. Os gomerianos estão também nessa confederação (v. 6).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 108.

 

 

Referências Proféticas. Nos capítulos 38 e 39 do livro de Ezequiel (que têm atraído tanto a atenção dos eruditos dispensacionalistas), o uso que se faz do nome Meseque talvez seja diferente. Pois tal nome pode ter sido empregado como símbolo, juntamente com o de Tubal, e não como uma referência direta a um povo conhecido. Ali, Meseque e Tubal são apresentados como poderes liderantes na terra de Magogue. Ao que parece, eles representam forças contrárias a Deus e ao povo de Israel.

Os intérpretes dispensacionalistas empurram a questão inteira para os tempos do fim, e opinam que Magogue refere-se à União Soviética, ao passo que Gogue seria o chefe deles. Isso posto, Meseque e Tubal corresponderiam, a grosso modo, a Moscou e Tobolsk. Além disso, Tobolsk fica às margens de um rio chamado Tobol. Assim sendo, esses intérpretes pensam que aqueles dois capítulos do livro de Ezequiel aludem a um ataque da União Soviética contra Israel, durante a batalha do Armagedom (ou algum tempo antes, conforme outros supõem), e também após o milênio, segundo se vê em Apo. 20:8 ss. Ver o artigo intitulado Gogue e Magogue. Ver também o artigo separado chamado Gogue. Essa interpretação dispensacionalista não tem sido vista com bons olhos por muitos eruditos, embora seja muito popular, em largos segmentos da Igreja evangélica.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 4. 11 ed. 2013. pag. 238.

 

 

Os confederados de Gogue são identificados como Meseque e Tubal. Estes nomes apareceram anteriormente na lista comercial de Tiro (27.13, na ordem inversa) e entre os mortos no sheol (32.26). Tanto Meseque (Musku/MuSku) como Tubal (Tabal) são bem atestados nas fontes neoassirias. Registros antigos afirmam que os contatos do primeiro com a Assíria são tão antigos quanto os séculos 12-11 a.C. Durante o reinado de Sargon II, Meseque (Mushki) era governada pelo rei Midas, da Frigia.

A presente associação de Meseque com Gogue é apoiada pelo Sl 120.5-7, que descreve o primeiro como um inimigo selvagem. De acordo com Heródoto, 0 Meseque posterior fazia parte dos dezenove sátrapas de Dario. Tubal/Tabal era a designação territorial do reino interior da Anatólia, conhecido pelos assírios como Bit Buritash. Este reino, cercado de terras, limitava-se, ao oeste, com Meseque, ao sul com Hilakku. ao leste com Melidu e Til-garimmu (Bete-Toganna), e ao norte por Kasku. Embora não tenhamos evidências de que Lídia/ Frigia tenha, em algum tempo, predominado sobre Tubal, os anais de Sargon 11 relatam que ele acabou com uma revolta anatoliana na qual Mitâ, de Mushki (provavelmente Midas, da Frigia), estava aliado com Tabalu.

A ordem da tríade de nomes de Ezequiel reflete um conhecimento da geografia e das recentes realidades políticas em Anatólia. Gogue (Lídia), situada no oeste longínquo, está no alto de uma federação com Meseque em sua fronteira oriental, e com Tubal, a leste de Meseque. A razão pela qual o olhar atento do profeta deveria focalizar essas nações em particular é obscura. Cidadãos esclarecidos de Judá estavam, provavelmente, cientes da existência desses povos no norte longínquo, mas seu conhecimento a respeito deles deve ter se baseado em relatos de segunda ou terceira mão.

Talvez a fama de Gyges e Midas tenha se espalhado até a longínqua Jerusalém, depois, certamente, até a Babilônia, cujos tentáculos imperiais alcançaram a área central anatoliana. Entretanto, ao contrário dos egípcios, assírios e babilônios, com os quais Judá tinha frequente contato, os povos, no norte distante, estavam envoltos em mistério. Os relatos, a respeito desses povos misteriosos, que penetravam na parte de baixo do mundo conhecido, falavam de povos selvagens, brutais e bárbaros. Esta combinação de mistério e brutalidade fez de Gogue e de seus confederados símbolos perfeitos do inimigo arquétipo, levantando-se contra Deus e seu povo.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 399-400.

 

 

3- A coalização de Gogue (38.5).

 

Fazem parte do bando de Gogue mais cinco povos: ”persas, etíopes e os de Pute com eles, todos com escudo e capacete; Gomer e todas as suas tropas; a casa de Togarrna” (38.5,6). Todos eles são citados previamente nos oráculos de Ezequiel (27.10; 30.5). A Bíblia hebraica emprega o nome cushe, para Etiópia e pute para Líbia. Ambos, Cuxe e Pute são descendentes de Cam, filho de Noé (Gn 10.6; 1 Cr 1.8). O norte da profecia em relação a Israel inclui a Mesopotâmia, a Asia Menor e as regiões do Mar Negro e do Mar Cáspio. Os persas são os atuais iranianos. A Pérsia teve o nome mudado para o Irã em 1935.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Fazem parte do bando de Gogue mais cinco povos: persas e etíopes e Pute com eles, todos com escudo e capacete (v. 5). Esses três povos são mencionados nas profecias contra as nações vizinhas na segunda parte do livro: os persas, os de Pute (27.10) e Etiópia (30.5). A Bíblia hebraica emprega o nome cushe, para a Etiópia e pute para a Líbia. Esses dois povos são de origem camita, filhos de Cam, netos de Noé (Gn 10.6; 1Cr 1.8). Os persas são os atuais iranianos, a Pérsia teve o nome mudado para Irã em 1935. A maior dificuldade é entender como a Pérsia, sendo uma grande nação nos dias de Ezequiel, aparece como um povo confederado de Tiro juntamente com os lídios e os de Pute (27.10).

Gômer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, do lado do Norte, e todas as suas tropas, muitos povos com você (v. 6). O oráculo reitera os nomes de Gômer e Togarma, como os outros dois povos, e traz a informação de que eles procedem “do lado do Norte” e são acompanhados por muitos povos. O Norte nessa profecia é em relação a Israel e isso inclui a Mesopotâmia, a Ásia Menor e as regiões do mar Negro e do mar Cáspio, mas com o Norte dos oráculos de Jeremias, que identifica claramente o Norte como Babilônia e o seu rei Nabucodonosor (Jr 25.9). Ele foi posto como o azorrague de Javé para açoitar o seu povo (Jr 27.8; 51.20-24).

Gogue não é o inimigo do Norte anunciado por Jeremias; Gogue é escatológico, para o “fim dos anos” (38.8); “nos últimos dias” (38.16), e a invasão de Jerusalém por Nabucodonosor é evento contemporâneo de Jeremias (Jr 39.11).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 110.

 

 

Gômer. Isto é, o assírio Gimerai, referindo-se aos cimeiros da Ásia Menor central (cf. Gên. 10.2-3). Alguns intérpretes conseguem ver aqui a Alemanha, ou até a Alemanha Oriental, uma interpretação popular antes da reunificação da Alemanha. Togarma é o assírio Til-garimmu, a leste da extremidade sul do rio Hales, a sudeste de Gômer (Eze. 24.14). A Assíria ocupava territórios ao norte, como a Babilônia, mas esses países não estavam situados no extremo norte, como está a Rússia. Estão em vista o exército universal da Babilônia, historicamente, e os inimigos de Israel, do futuro, simbolizados por aquele exército antigo. Talvez o Armagedom seja o objeto das profecias, escatologicamente falando.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3320.

 

 

O v.5 acrescenta capacetes iqôbã’ à lista. A descrição é a de um exército excelentemente equipado, terrivelmente eficiente contra vítimas desavisadas.

Mas Gogue não vem só. A frase qãhãl rãb, “um grande ajuntamento”, no V. 4, prepara para a enumeração das forças que se associam a Meseque e Tubal, nos w. 5,6. O texto nomeia cinco aliados, mas graças à improbabilidade das nações africanas, ou seja, Cuxe (Etiópia) e Pute (Líbia) unirem forças com os anatolianos numa campanha Síria, e à referência precipitada a Paras (Pérsia), a tríade no V. 5 é geralmente omitida por ser considerada um comentário irreal, posterior.’

“ Mas Odell aconselha corretamente contra a remoção do verso muito prontamente.’’ Primeiro, no tempo de Ezequiel os persas eram um povo ainda relativamente desconhecido nas orlas do conhecimento israelita, consequentemente qualificado para o presente contexto misterioso. Segundo, a associação de Paras, Cuxe e Pute em outros textos no livro sugere que está tríade se origina de uma lista tradicional de aliados do Egito. Na qualidade de poder imperial, o Egito é conhecido como havendo se engajado no auxílio das forças anatolianas, em seus conflitos com a Assíria.” Terceiro, a presença da Pérsia numa lista de subordinados de Gogue, aqui e em 27.10, teria sido irreal em qualquer situação pós-539. Quarto, em contraste com Jeremias (por ex., 51.11, 27,28), Ezequiel jamais mostra a mínima preocupação com os povos do norte e do leste da Babilônia. Seu interesse está na margem mediterrânea. Quinto, a identificação de Paras com a Pérsia é provavelmente errônea, sendo que a semelhança entre os nomes é puramente uma questão de coincidência. Dever-se-ia ver, aqui, uma referência a alguma potência militar ou comercial, com fortes ligações com Tiro e Egito, mas, até o momento, não atestada nos registros extrabiblicos, ou uma soletração alternativa, talvez egípcia, para Patros, “Terra do Sul”. Mas qualquer que seja a interpretação, aquilo que é comumente desprezado como um comentário irreal se toma evidência para um notável conhecimento dos tradicionais aliados do Egito.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 401-402.

 

 

SINOPSE II

 

No livro de Ezequiel, Magogue aparece como um lugar, um território.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

MAGOGUE

 

“um descendente de Jafé (Gn 10.2; 1 Cr 1.5). De acordo com Ezequiel 38.2, um povo cujo território será futuramente governado por Gogue (q.v.). Em 38.2, lê-se literalmente: ‘Firma bem a tua face contra Gogue, contra a terra de Magogue […]’. […] Gogue liderará urna horda do norte em uma invasão contra Israel (Ez 38.8-12), mas o Senhor fará com que os seus exércitos retrocedam, e enviará uma saraiva de fogo na terra de Magogue e nas áreas ao redor dela (39.6)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.1200).

 

 

III – SOBRE O CONTEXTO ESCATOLOGICO

 

A interpretação popular que considera a Rússia como Gogue ganhou muito espaço durante o período da Guerra Fria.

 

1- Gogue e Magogue.

 

A mensagem contra ”Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tual” (38.2; 39.1) é uma das passagens mais difíceis das Escrituras. Muitos acreditam tratar-se de uma expressão genérica para indicar o futuro inimigo de Israel. O rei Gyges, da Lídia, por exemplo, seria a figura do futuro inimigo de Israel que comandaria os seus confederados. Segundo o Talmude, literatura religiosa muito antiga dos judeus, Gogue e Magogue são dois nomes paralelos de uma mesma nação. Esses inimigos de Israel serão derrotados e isso nos desperta a esperança da nossa vitória em Cristo, pois a profecia mostra que Deus está do lado do seu povo.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Muitos acreditam que “Gogue e Magogue” é uma expressão genérica para indicar o futuro inimigo de Israel. O rei Gyges, da Lídia, por exemplo, seria a figura do futuro inimigo de Israel que comandaria os seus confederados. Segundo o Talmude, literatura religiosa muito antiga dos judeus, Gogue e Magogue são dois nomes paralelos de uma mesma nação.

A frase Gogue, da terra de Magogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal (v. 2) é uma das passagens mais difíceis das Escrituras. A passagem paralela do capítulo seguinte é mais curta: estou contra você, Gogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal (39.1), omitindo as palavras “da terra de Magogue”. A palavra “Rôs” é uma transliteração do termo hebraico ro’sh, de significado amplo, “cabeça, chefe, pico, monte, parte superior”. As versões TB e ARA traduzem por “Rôs”; a ARC, por “chefe”; a NTLH, por “principal governador”; a TEB, por “grande príncipe”; a BJ, por “príncipe e cabeça”; a BP, por “chefe e caudilho”; a EP, por “chefe e cabeça”; a MB, “príncipe soberano”; e a NVT, por “príncipe que governa”.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 111-112; 108.

 

 

Os analistas criteriosos têm feito aqui o suficiente para investigar Gogue e Magogue. Não é nossa pretensão acrescentar algo à suas observações, nem acabar com suas controvérsias. Parece que Gogue era rei e Magogue era o seu reino, de modo que Gogue e Magogue eram como Faraó e os egípcios.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 790.

 

 

Contra Gogue. Esse nome é encontrado em I Cr 5.4. A Septuaginta usou “Gogue” para traduzir nomes como Agague (Nm 24.7) e Ogue (Dt 3.1), possivelmente com a intenção de mostrar que, embora fosse um nome próprio, ele passou a ser usado como um nome genérico para designar um inimigo do povo de Deus. Gogue, muito provavelmente, porta a ideia de “alto” ou “aquele que é supremo”, baseado na comparação feita em Nm 24.7.

Ele se refere a uma pessoa, descrita como um “príncipe” da terra de Magogue, que é o último anticristo. Esses títulos são usados ali simbolicamente para a última insurreição do mundo contra Jerusalém, seu povo e contra o Rei Messias. Esse ataque virá não apenas do norte, mas dos quatro cantos da terra, quando um mundo de pecadores ao final do reinado de mil anos virá para lutar contra os santos na “cidade amada” de Jerusalém. Nessa ocasião, somente uma arma será utilizada: o fogo divino. Esse é o clímax da última batalha contra Satanás e seus exércitos, cujo destino eterno já está fixado.

A isso se seguirá o julgamento final de todos os ímpios na presença do Senhor (Ap 20.11-15) e a criação do estado eterno e sem pecado (Ap 21.1). Magogue. Alguns consideram esse povo como descendente de )at’é (Gn 10.2), posteriormente denominados de citas. Outros propõem que se trata de um povo a sudeste da Anatólia, posteriormente conhecidos como um povo de origem asiática como os mongóis c: os hunos. Outros veem Magogue como um termo genérico para os quaisquer povos bárbaros, ao norte da Palestina, do entorno dos mares Cáspio e Negro.

MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 1057.

 

 

2- Como a Rússia aparece nesse contexto?

 

A profecia afirma que Gogue é “príncipe e chefe de Meseque e de Tubal” (38.2; 39.1). A palavra “chefe” em hebraico é ro’sh, de significado amplo, “cabeça, chefe, pico, monte, parte superior”. Curiosamente, a Septuaginta traduziu o termo como substantivo próprio, árchonta Rhos, ”príncipe de Ros”. Isso é mantido na versão bíblica Tradução Brasileira e em algumas versões inglesas. Foi a semelhança de Sons, Roshe – Rússia, que levou muitos estudiosos a identificarem Roshe com a Rússia; Meseque, com Moscou, atual capital da Rússia e Torgarma com To­bolsk, cidade russa.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Mas pouquíssimo ou quase nada há entre os pesquisadores que leve essa interpretação a sério. Walther Zimmerli, uma referência internacional respeitada em Ezequiel, é um deles: “Certamente שאר (“chefe”) é para ser conectado com אי שנ (“príncipe”), e não para ser interpretado como uma indicação geográfica”. Ele reafirma o que é dito por Gesenius, que a identificação de Rôs com a Rússia veio do período bizantino. O pensamento que é consenso na atualidade mostra que foi a semelhança de sons, Roshe – Rússia, e não a exegese bíblica, que levou muitos estudiosos a identificarem Roshe com a Rússia, Meseque com Moscou, atual capital da Rússia, e Torgarma com Tobolsk, cidade russa.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 108.

 

 

Alguns pensam que Gogue e Magogue se encontravam muito longe, sendo a Cítia, Tartária ou a Rússia. Outros dizem que estavam mais perto da terra de Israel, que estavam na Síria, na Ásia ou mais perto ainda. Ezequiel recebeu a incumbência de profetizar contra Gogue e dizer que Deus estava contra ele, w. 2,3.

Observe que Deus vê não só aqueles que são agora inimigos da sua igreja e se coloca contra eles, mas é capaz de antever aqueles que se tornarão inimigos e faz com que saibam, através da Sua palavra, que também está contra eles. No entanto, Ele se sente satisfeito por fazer uso deles para servirem aos Seus propósitos e para a glória do Seu precioso nome. Certamente a cólera do homem redundará em teu louvor, e o restante da cólera, tu o restringirás, Salmo 76.10.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 790.

 

 

No cap. 37, Ezequiel revelou como Israel seria restabelecido ã sua terra, vindo de muitas partes do mundo. Uma vez que a nação se tornasse forte, seria atacado por uma confederação das nações do norte, liderada por Gogue (ver Ap 20.8). O propósito dela era destruir o povo de Deus. Os aliados de Gogue viriam da área montanhosa do sudeste do mar Negro e do sudoeste do mar Cáspio (Turquia central), como também da área do atual Irã, Etiópia. Líbia, e possivelmente da Rússia.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1076.

 

 

3- Origem da interpretação.

 

Esse pensamento não veio dos pentecostais e nem se trata de uma ideia oriunda dos dispensacionalistas, como equivocadamente dizem os críticos. Essa interpretação vem de longe, desde Gesenius (1787-1842), famoso orientalista alemão. Em seu léxico hebraico, o Roshe de Ezequiel 38.2 são os russos. Depois da Guerra Fria, o assunto foi ficando no esquecimento. Mas com a guerra da Ucrânia em 2022, a relação entre Rússia e o Ocidente está voltando ao cenário mundial, o que era antes da Queda do Muro de Berlim em 1989.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O substantivo próprio, “Rôs”, é uma transliteração grega do hebraico feita pelos tradutores da Septuaginta: a;rconta Rwj [archonta Rhōs] que foi interpretado desde o período bizantino como a Rússia, tal qual afirma Gesenius (1787-1842), famoso orientalista alemão. Depois da apresentação dos vários significados da palavra ro’sh, aparece a entrada II do seu dicionário, um significado fora do campo semântico em relação aos significados citados antes, um tipo de homônimo, como a Rússia; ele diz sobre Rosh: “Ezequiel 38.2, 3; 39.1; nome próprio de uma nação do norte, com Tubal e Meseque; indubitavelmente os russos, que são mencionados pelos escritores bizantinos do século 10, sob o nome oi ‘Rwç que habitam no norte do Taurus” (o grifo é original).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 108-109.

 

 

Muitos daqueles que, em virtude de tal demonstração, voltarem-se para o verdadeiro Deus, certamente estarão entre o enorme grupo de redimidos em Apocalipse 7.9-14.

Ezequiel 38—39 é uma das mais formidáveis profecias em toda a Escritura, e tudo parece estar caminhando para seu cumprimento em um futuro próximo, A Rússia e as nações islâmicas radicais que cercam Israel são fundamentais nesta profecia, À proporção que o decorrer do tempo nos aproxima do retomo de Cristo, estes são os lugares que devemos vigiar.

LAHAYE, Tim & HINDSON, Enciclopédia popular de profecia bíblica. Editora CPAD, Ed. 2008, pag. 244.

 

 

Então pensam que Ros corresponderia à Rússia, Meseque corresponderia a Moscou e Tubal a uma cidade e um rio que se deriva desse nome, um tanto mais para o oriente de Moscou. Nossa versão portuguesa interpreta o nome Ros como «cabeça» (sentido literal da palavra hebraica), dizendo: «…príncipe e chefe de Meseque e Tubal…»

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 3. 11 ed. 2013. pag. 924.

 

SINOPSE III

 

O contexto escatológico confirma que os inimigos de Israel serão derrotados porque Deus está do lado do seu povo.

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

 

A falácia do vaticinium ex eventu

O importante em nosso estudo não é a identidade de Gogue e seus confederados, isso são detalhes, mas mostrar ao mundo a veracidade da Palavra de Deus. Os expositores céticos das Escrituras, aqueles que não acreditam em milagres e nem na possibilidade de o Espírito anunciar as coisas futuras por meio dos profetas, procuram explicar as profecias que já foram cumpridas como se fossem extraídas do fato ocorrido. Eles chamam essa suposta ”pia fraude” de vaticinium ex eventu, ”vaticínio-predição-oráculo a partir do evento fato”, como se a profecia fosse escrita depois do acontecimento. Agora, com o cumprimento de profecias bíblicas na atualidade, eles não têm argumento em favor do vaticinium ex eventu. (Por Esequias Soares)

 

CONCLUSÃO

 

É importante saber que a invasão de Gogue e o seu bando à terra de Israel é distinta da batalha do Armagedom, pois o ataque de Gogue será após a restauração de Israel, antes ou logo depois de começar a Grande Tribulação ao passo que o Armagedom se dará no final desse período. Cabe também ressaltar que essa invasão não é a mesma rebelião de ”Gogue e Magogue” (Ap 20.8), pois a profecia empresta de Ezequiel esses nomes.

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- Pela descrição profética o que o nome ”Gogue” parece indicar?

A descrição profética parece indicar um título como (‘Faraó” no Egito; Xá, na antiga Pérsia; César”, em Roma, e não o nome pessoal de alguém.

 

2- Quem são os persas hoje?

Os persas são os atuais iranianos, a Pérsia teve o nome mudado para Irã em 1935.

 

3- Qual o significado da palavra hebraica ro’sh?

A palavra hebraica é ro’sh significa ”cabeça, chefe, pico, monte parte superior”

 

4- O que levou muitos estudiosos a identificar a Rússia com Gogue?

Foi a semelhança de sons, Roshe – Rússia, que levou muitos estudiosos a identificarem Roshe com a Rússia; Meseque, com Moscou, atual capital da Rússia e Torgarma com Tobolsk, cidade russa.

 

5- De onde veio a interpretação de que Gogue é a Rússia?

Essa interpretação vem de longe, desde Geseníus (1787-1842), famoso orien­talista alemão. Em seu léxico hebraico o Roshe de Ezequiel 38.2 são os russos.

 

VOCABULÁRIO

 

ENIGMÁTICO: Relativo a ou próprio de enigma; indecifrável; misterioso.

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

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Uma resposta para “9 LIÇÃO 4 TRI 22 GOGUE E MAGOGUE: UM DIA DE JUÍZO”

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