13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo
13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

Texto Áureo

“E o SENHOR virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía. ” (Jó 42.10)

Verdade Prática

A restauração do ser humano acontece em razão do amor e da misericórdia de Deus, e não como consequência do esforço pessoal, piedade ou atos de bondade.

Continue lendo “13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo”

11 Lição 4 Tri 20 – A Teologia de Eliú: O Sofrimento É uma Correção Divina?

11 Lição 4 Tri 20 – A Teologia de Eliú: O Sofrimento É uma Correção Divina?

11 Lição 4 Tri 20 – A Teologia de Eliú: O Sofrimento É uma Correção Divina?
11 Lição 4 Tri 20 – A Teologia de Eliú: O Sofrimento É uma Correção Divina?

Texto Áureo

“Ao aflito livra da sua aflição e, na opressão, se revela aos seus ouvidos” (Jó 36.15)

Verdade Prática

O sofrimento não deve ser visto apenas sob o aspecto punitivo, mas principalmente, educativo.

Continue lendo “11 Lição 4 Tri 20 – A Teologia de Eliú: O Sofrimento É uma Correção Divina?”

9 Lição 4 Tri 20 Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus

9 Lição 4 Tri 20 Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus
9 Lição 4 Tri 20 Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus

9 Lição 4 Tri 20 Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus

Texto Áureo

Mas disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-sedo mal é a inteligência. ” (Jó 28.28)

Verdade Prática

A verdadeira sabedoria está associada ao temor do Senhor e não ao mero acúmulo de conhecimento.

Continue lendo “9 Lição 4 Tri 20 Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus”

8 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Zofar: O Justo não passa por Tribulação?

8 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Zofar: O Justo não passa por Tribulação?

8 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Zofar: O Justo não passa por Tribulação?

8 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Zofar: O Justo não passa por Tribulação?

Texto Áureo

“E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta e repousarás seguro.” (Jó 11.18)

Verdade Prática

Segundo as Escrituras, até mesmo o justo passa por tribulação.

Continue lendo “8 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Zofar: O Justo não passa por Tribulação?”

7 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?

7 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?

7 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?
A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?

7 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?

Texto Áureo

“ Se teus filhos pecaram contra ele, também ele os lançou na mão da sua transgressão. ” (Jó 4.7,8).

Verdade Prática

A existência do sofrimento não quer dizer que haja pecado oculto.

Continue lendo “7 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?”

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?
6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

Texto Áureo

Lembra-te, agora: qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos? Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam isso mesmo.” (Jó 4.7,8)

Verdade Prática

Embora Transcendente, Deus tem prazer em se relacionar com o homem terreno.

OBJETIVO GERAL

Destacar o pensamento teológico de Elifaz que faz uma defesa contundente da religião tradicional segundo a qual somente os pecadores sofrem.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingirem cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Apontar a defesa de Elifaz acerca da justiça retributiva;

Mostrar a associação de Elifaz a respeito do pecado à quebra da tradição religiosa;

Identificar o abismo que Elifaz diz existir entre o Criador e a criatura.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Jó 4.1-4 Sobre a paciência para ouvir

Terça – Jó 4.4-6 Você tem confiança em Deus?

Quarta – Jó 4.6-8 O inocente pereceu? Os retos foram destruídos?

Quinta – Jó 15.1-4 O sábio daria respostas vazias?

Sexta – Jó 22.1,2 O homem será de algum proveito para Deus?

Sábado – Jó 22.3-5 O Todo-Poderoso tem prazer em que você seja justo?

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Jó 4.1-8 ; Jó 15.1-4; 22.1-5

Jó 4

1 – Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse:

2 – Se intentarmos falar-te, enfadar-te-ás? Mas quem poderia conter as palavras?

3 – Eis que ensinaste a muitos, e tens fortalecido as mãos fracas.

4 – As tuas palavras firmaram os que tropeçavam e os joelhos desfalecentes tens fortalecido.

5 – Mas agora, que se trata de ti, te enfadas; e tocando-te a ti, te perturbas.

6 – Porventura não é o teu temor de Deus a tua confiança, e a tua esperança a integridade dos teus caminhos?

7 – Lembra-te agora qual é o inocente que jamais pereceu? E onde fôramos sinceros destruídos?

8 – Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade, e semeiam mal, segam o mesmo.

1 – Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse:

2 – Porventura proferirá o sábio à sabedoria? E encherá do vento oriental o seu ventre,

3 – Arguindo com palavras que de nada servem, e com razões, de que nada aproveita?

4 – E tu tens feito vão o temor, e diminuis os rogos diante de Deus.

Jó 22

1 – Então respondeu Elifaz, o temanita, dizendo:

2 – Porventura será o homem de algum proveito a Deus? Antes a si mesmo o prudente será proveitoso.

3 – Ou tem o Todo-Poderoso prazer em que tu sejas justo, ou algum lucro em que tu faças perfeitos os teus caminhos?

4 – Ou te repreende, pelo temor que tem de ti, ou entra contigo em juízo?

5 – Porventura não é grande a tua malícia, e sem termo as tuas iniquidades?

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Neste mundo, só quem comete pecado sofre? Muitos têm uma percepção teológica parecida com a de Elifaz, conforme veremos nesta lição. A justiça retributiva, embora seja uma lei que está presente nas Escrituras Sagradas, nem sempre dá conta de toda a realidade. O Livro de Jó mostrará exatamente isso. O sofrimento que o patriarca passava nada tinha a ver com a consequência de algum pecado cometido no passado. E importante aprendermos essa lição a fim de não proferirmos julgamentos precipitados em relação ao sofrimento de um irmão ou de uma irmã em Cristo.

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos o discurso de Elifaz. Ele é o primeiro amigo de Jó a expor sua concepção teológica acerca da situação degradante em que se encontrava o homem de Uz. Nesse sentido, veremos que, para Elifaz, ajustiça retributiva é certa, ou seja, só os pecadores sofrem e os justos não passam por revezes. Para ele, Jó contrariou esse ensinamento, atacou a forma religiosa de pensar e, portanto, feriu a ortodoxia que deveria guardar. Finalmente, veremos também as respostas de Jó a cada acusação de Elifaz.

PONTO CENTRAL

Não só os pecadores sofrem.

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

I – OS PECADORES NO CONTEXTO DA JUSTIÇARETRIBUTIVA

1. A lei da semeadura e da colheita.

Depois de firmar um princípio oriental de cordialidade, Elifaz se dirige a Jó com uma defesa contundente do pensamento teológico tradicional – a justiça retributiva. Ele está firmemente convencido de que a lei de causa e efeito é um princípio da ortodoxia teológica que não pode ser contraditado.

2. O homem colhe o que plantou.

Essa primeira parte de seu discurso compreende os capítulos 4 e 5, em que defende que o homem colhe o que plantou: “Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam isso mesmo” (Jó 4.8). Para Elifaz nós habitamos em um universo moral que exige consequências de nossas ações. A Bíblia mostra esse princípio. Por exemplo, o salmista confirma que Deus é bom e justo e, por isso, recompensa os bons e pune os maus (Sl 1.6). O Novo Testamento também atesta esse princípio: “Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, [.] mas o rosto do Senhor é contra os que fazem males” (1 Pe 3.12).

Portanto, Elifaz defende que o pecado sempre produz consequências, masque somente os pecadores pagam por isso. Assim, segundo Elifaz, se Jó estava sofrendo era porque havia pecado. Cabia a Jó, então, assumir a responsabilidade moral de seu pecado. Não havia outra opção. Quantos são os que fazem acusações precipitadas quando alguém passa por momentos delicados na vida? Ao julgar precipitadamente, muitos cometem injustiças e esquecem de que Deus é quem pode ver todo o lado da questão.

3. A queixa de Jó.

Em sua defesa, Jó se contrapõe à teologia de Elifaz (Jó6-7). Essa teologia era a base de como se imaginava o universo governado por uma lei moral de causa e efeito: Há uma recompensa para os bons e punição para os maus. Elifaz não estava de todo errado, mas equivocou-se quando pensava que esse pressuposto era o único existente. Tratava departe da verdade mas não de toda. Sua teologia não se aplicava no caso de Jó. O patriarca não aceita a tese de Elifaz e, por isso, sente-se alienado de Deus, (6.1-7), de si mesmo (6.8-13) e de seus amigos (6.14-23). Isso leva Jó a se queixar de Deus (Jó 6.1-13).

Ele se queixa pela sua atual situação. É uma queixa fundamentada ainda nos antigos pressupostos teológicos: Ele era justo, não estava em pecado, portanto não merecia sofrer. Em seguida, Jó se queixa a Deus (Jó 7. 11-21), desejando abrir uma porta de diálogo com o Altíssimo. Ele não quer explicações baseadas em teorias teológicas antigas, mas uma conversa sincera através de um relacionamento como o Criador, onde ló fala com Ele e Deus fala com Jó. No momento da dor, a melhor coisa a se fazer é se dirigir pessoalmente a Deus.

SÍNTESE DO TÓPICO I

Elifaz traz a lei retributiva, da semeadura e da colheita; mas Jó contesta essa lei em relação a si mesmo.

SUBSÍDIO DIDÁTICO- PEDAGÓGICO

Antes de iniciar o primeiro tópico é importante contextualizar mais uma vez o aluno a respeito da estrutura do Livro de Jó. Informe a ele que a partir desta lição iniciaremos o estudo da parte principal do livro: os diálogos de Jó com os seus amigos Elifaz, Bildade e Lorar (Jo 4.1-25.6). Para facilitar esse processo, leve em conta o seguinte: Há pelo menos três ciclos de diálogo entre Jó e seus amigos; (1) O primeiro 4.1-14.22) está assim organizado: Elifaz e Jó (4.1-7.21), Bildadee Jó (8.1-10.22), Zofar e Jó (11.1-14.22); o segundo ciclo (15.1-21.34) está estruturado assim: Elifaz e Jó (15.1-17.16), Bildade e Jó (18,19), Zofar e Jó(20,21); Finalmente, o terceiro ciclo de diálogo (22.1-25.6) está organizado desta forma: Elifaz (22), Jó (23.1-24.25) e Bildade (25.1-6). Exponha essa estrutura aos alunos, pois certamente os ajudará na melhor compreensão desses diálogos.

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

II – OS PECADORES NO CONTEXTO DA TRADIÇÃORELIGIOSA

1. Ortodoxia engessada.

Em seu segundo discurso (Jó 15.1-35), Elifaz argumenta que as palavras de Jó são uma ameaça ao dogma religioso aceito: “E tu tens feito vão o temor e diminuis os rogos diante de Deus”(15.4). Assim, se Jó estivesse certo, a religião tradicional, que sempre ensinou a prosperidade dos bons e o sofrimento dos maus, estaria errada. Nesse aspecto, Jó era uma ameaça àquela forma de pensar. Por isso Elifaz ataca Jó de uma forma contundente dizendo que suas palavras não revelam sabedoria, mas são palavras ao vento.

2. Uma ameaça à tradição religiosa.

A partir do versículo 7 do capítulo15, Elifaz apela para a tradição religiosa como forma de validar seu princípio teológico: “Que sabes tu, que nós não saibamos? Que entendes, que não haja em nós? Também há entre nós encanecidos e idosos, muito mais idosos do que teu pai” (15.9,10). Segundo Elifaz, ainda que fosse homem sábio, Jó não era mais sábio nem mais antigo do que o dogma que ele estava negando.

3. Um defensor celeste.

Em sua defesa, Jó se contrapõe ironicamente ao argumento de Elifaz (Jó 16-17). Aqui não podemos esquecer de que a resposta de Jó deve ser ouvida na forma poética, conforme o fazemos em salmos, orações e súplicas recitados assim. Isso evita um literalismo rígido que empobrece o sentido do texto, quando este é poético, e, consequentemente, transforma Jó em um sacrílego.

Nesse texto Jó reclama, mas não blasfema contra Deus. Ele tem consciência de que a teologia de seu amigo firmava-se na terra, mas o homem de Uz apelava aos céus. Sua fé o projeta para o alto, à procura de quem possa defendê-lo. Ele quer um defensor que interceda por ele no céu (Jó 16.18-17.2). O patriarca se expressa e poética, mas sua mensagem é profética. Seu anseio por um mediador prenuncia o justo advogado, Jesus Cristo (1 Jo 1.5.7).

SÍNTESE DO TÓPICO II

Diante do novo discurso de Elifaz, Jó reclama, mas não blasfema contra Deus.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Jó também afirmava possuir uma sabedoria igual ou superior à dos seus amigos. Elifaz sarcasticamente pergunta acerca da base de sua afirmação: És tu, Porventura, o primeiro homem que foi nascido? (7). Jó havia admitido que a sabedoria vinha com a idade (12.12). ironicamente Elifaz pergunta se Jó se Considerava um ser especial, alguém que ouviu o secreto conselho de Deus (8) no princípio dos tempos. Ele também pergunta: A ti somente limitaste a sabedoria? A sabedoria aqui referida é a sabedoria divina.

Será que Jó, como membro do conselho celestial, tinha acesso ao conhecimento dos mistérios de Deus? Elifaz responde à pergunta que ele mesmo levantou, concluindo que Jó, na verdade, não é mais sábio do que eles: Que sabes tu, que nós não saibamos? Na verdade, existe alguém nomeio deles (seria o próprio Elifaz?) que tem idade para ser pai de Jó (10).Se existe uma relação entre idade e sabedoria, então existe alguém muito mais sábio do que Jó.

Elifaz também afirmou em seu primeiro discurso ter recebido sabedoria por meio de revelação divina” (CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, W. T.; WOLF, Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.55).

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

III – OS PECADORES DIANTE DE UM DEUS INFINITO

1. Deus não se importa com quimeras humanas.

Em seu terceiro discurso (Jó 22), Elifaz apela para a transcendência divina ao atacar Jó. Grosso modo, a transcendência diz respeito ao conjunto de atributos do Criador que ressalta a sua superioridade em relação à criatura. Significa que Deus está acima da Criação e não é limitado por ela. Realça, portanto, a infinitude divina em contraste com a finitude humana (Jó 22.1-3). Para Elifaz, o sofrimento de Jó era um atestado de que ele havia pecado e que, por isso, Deus o havia abandonado; Ele era grande e não poderia se envolver em quimeras humanas, principalmente nas do pecador Jó.

A teologia de Elifaz destaca um Deus transcendente, porém, distante, que não se importa muito com o que acontece aqui na terra, indiferente às coisas que criou (Jó 22.12). Não adiantava Jó chorar ou reclamar. Ele precisava se arrepender.

2. Deus caminha com os homens.

Nessa parte da poesia Jó expõe seus argumentos de forma mais clara (Jó 23.1-24.25). Ele demonstra que nunca negou a transcendência de Deus como Elifaz quer dar a entender. Ele reconhece que Deus é excelso e pode fazer o que intenta: “Mas, se ele está contra alguém, quem, então, o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará” (J 23.13). Todavia, esse é apenas um lado da história. Jó está consciente que esse Deus, embora grande, também caminha com os homens (Jó 23.10).

A ideia no texto hebraico é que Jó passa a ficar cada vez mais seguro e consciente, não apenas de seu caminhar com Deus, mas do caminhar de Deus com ele. É exatamente isto: Não devemos temer mais em ficar diante de Deus, pois o andar com Ele é reto. Em Cristo Jesus, Deus caminha com os homens; sendo o Altíssimo transcendente, envolve-se com os seres humanos nos diversos detalhes da vida.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Enquanto para Elifaz Deus não se importava com as quimeras humanas, para Jó Ele caminhava com os homens.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Somente parte desta resposta a Elifaz, de forma semelhante às outras, é dirigida diretamente aos amigos. Jó também se dirige a Deus, e também há um tipo de conversa introspectiva que Jó tem consigo mesmo. O apelo prévio de Jó a Deus (13.20-28) permaneceu sem resposta. Deus aparentemente recusou-se a responder a Jó ou revelar-se a ele. Jó tinha a esperança de que seu apelo honesto aos céus convenceria seus amigos da integridade dele.

Em vez disso, ele é acusado do uso astuto das palavras para ocultar o seu pecado (15.5-6). Elifaz tenta convencer Jó de que seus amigos o abandonaram, e Jó reage com ira, movido por profunda dor”. (CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, W. T.; WOLF, Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.57).

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

CONCLUSÃO

Estudamos o pensamento teológico de Elifaz, um dos amigos de Jó. Para ele só os maus sofriam os infortúnios da vida. Ele estava convencido deque ao se negar a reconhecer de que estava em pecado, Jó de punha contra a religião tradicional que sempre associou as desgraças ao cometimento de algum pecado. Para ele, Jó estava abandonado por Deus e isso era uma prova irrefutável de que havia pecado. Jó o contrapôs e defendeu sua integridade e comunhão diante de Deus.

VOCABULÁRIO

Sacrílego: Que ou aquele que comete sacrilégio (profanação de lugares, objetos e pessoas que apresentam caráter sagrado).

Quimeras: combinação heterogênea ou incongruente de elementos diversos.

Ortodoxia: Conformidade absoluta com um certo padrão, norma ou dogma

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

PARA REFLETIR

A respeito de “A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem?”, responda:

1 – O que se quer dizer com o pensamento teológico tradicional de Elifaz?

R: Elifaz se dirige a Jó com uma defesa contundente do pensamento teológico tradicional – a justiça retributiva.

2 – O que Jó deseja ao abrir uma porta de diálogo com Deus?

R: Uma conversa sincera através de um relacionamento direto com o Criador onde Jó fala com Ele e Deus fala com Jó.

3 – Qual o argumento do segundo discurso de Elifaz?

R: No seu segundo discurso (Jó 15.1-35), Elifaz argumenta que as palavras de Jó são uma ameaça ao dogma religioso aceito (15.4).

4 – Segundo a lição, qual consciência Jó tem a respeito da teologia de seu amigo?

R: Ele tem consciência de que a teologia de seu amigo se firmava na terra, mas o homem de Uz apelava aos céus.

5 – O que Jó demonstra e reconhece nos seus argumentos?

R: Ele demonstra que nunca negou a transcendência de Deus como Elifaz quer dar a entender. Ele reconhece que Deus é excelso e pode fazer o que intenta.

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

EM BREVE INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO

O trecho de Jó 4.1-11 fala sobre o dogma da justiça.

Nenhum homem poderia sofrer como Jó estava sofrendo, a menos que fosse culpado de alguma transgressão, aberta ou secreta. Elifaz pregou a Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura, ou a lei do carma. Isso, como é claro, é uma das respostas para o problema do mal.

Os ímpios recebem aquilo que semeiam.

Mas o livro de Jó é mais profundo e pergunta: “Por que os inocentes sofrem?’. Jó sofreu sem causa (ver Jó 2.3) ou, pelo menos, não merecia seus sofrimentos por haver pecado ou por ser injusto. Podemos supor que houvesse alguma razão divina, mas certamente não a barganha cósmica com Satanás, que o autor usa como um artifício literário para introduzir o livro. Os justos não sofrem por causa de alguma barganha de Deus com Satanás.

Sinceridade dos “Consoladores’ de Jó.

O livro de Jó insiste nesse ponto. As ideias dos três amigos de Jó eram parciais e, algumas vezes, completamente erradas, mas eles mesmos eram sinceros. Eles vieram de longe para falar com o amigo (ver Jó 2.11). A preocupação deles por Jó era genuína, mas sua teologia inadequada não solucionou o problema do mal nem, especificamente, por que Jó, um homem inocente, sofria. O silêncio inicial deles devia-se ao respeito que sentiam por Jó e ao espanto diante das calamidades que viam (Jó 2.13).

A amizade é um dos principais temas da literatura de sabedoria oriental e hebreia, e não há razão alguma em supormos que os amigos de Jó se mostrassem hostis para com ele. Bons amigos reprovam quando isso se faz necessário. Algumas vezes esses amigos estão com a razão e, outras, estão enganados e também não têm todas as respostas, mais do que nós.

Elifaz falou primeiro,

o que provavelmente indica que era o mais idoso dos três amigos e também o mais respeitado por sua sabedoria. Como indivíduo dogmático que era, pensou saber todas as respostas e acreditou que o alegado enigma dos sofrimentos de Jó poderia ser facilmente explicado pelo seu discurso. Ele era um indivíduo dogmático que havia tido impressionante experiência espiritual envolvendo o aparecimento de um espírito (vss. 13 ss.). Essa experiência, ao que se presume, dera a ele autoridade para falar, pois, afinal, Jó não tinha passado por tão gloriosa prova; portanto, Jó era um homem abaixo de Elifaz quanto à realização espiritual, e dotado de sabedoria inferior.

Erroneamente,

Elifaz pensava que seu dogma era autenticado pela sua experiência. Mas aprendemos, mediante a observação, que pessoas de todas as espécies de denominações e religiões passam por impressionantes experiências espirituais, sem que isso possa ser tomado como poder autenticador para suas crenças. Não obstante, tais experiências não devem ser desprezadas. Pode haver algum significado nelas, como também nenhum significado.

Precisamos testar cada caso individualmente e nada aceitar somente porque as pessoas dizem isto ou aquilo, ou porque têm vivido experiências espirituais.

“Elifaz era um indivíduo religioso cujo dogmatismo repousava sobre uma experiência notável e misteriosa (vss. 12-16). Porventura um espírito passara alguma vez diante da face de Jó? Os pelos de sua carne já se tinham eriçado alguma vez? Pois então que Jó se mantivesse manso, enquanto alguém tão superior quanto Elifaz declarasse a causa dos infortúnios dele.

Elifaz disse muitas coisas verdadeiras (como seus dois amigos também disseram) e por várias vezes chegou a mostrar-se eloquente; mas permaneceu duro e cruel, um homem dogmático que precisava ser ouvido por causa de uma notável experiência” (Scofetí Relerence Bible, in loc.).

A observação do dr. Scofield, naturalmente, não fez justiça a Elifaz. Mais do que um sujeito dogmático, Elifaz era um sábio oriental, um ancião respeitado por todos. Mas sua teologia era deficiente. Ele pensava saber mais do que realmente sabia, o que corresponde à condição da maioria dentre nós (se não de todos nós).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1879-1880.

O evangelista americano Stanley Jones, analisando a ação da graça divina no coração humano, faz esta belíssima confissão: “A graça me comprou. A graça me ensinou. A graça me prendeu. Agora a graça me possui”. Se hoje nos achamos afeitos a esta maravilhosa doutrina, até ao Século XVI, muito sofreram os cristãos por desconhecer a eficácia, o alcance e a transcendência da graça de Deus na regeneração, na justificação e na santificação daqueles que, pela fé, recebem a Cristo Jesus.

Não pense você, hajam sido os teólogos romanos os únicos a posicionarem-se contra a doutrina da graça.

Era a teologia de Elifaz em tudo semelhante às apostilas da Santa Sé. O molesto amigo de Jó ensinava comprazer-se Deus com um relacionamento meramente comercial. Se lhe agradarmos; e lhe fizermos o que nos pede; se lhe atendermos às demandas, nenhum mal permitirá Ele venha sobre nós. Doutra forma, insinuava Elifaz, como nos haveremos diante de suas cobranças?

Infelizmente, não são poucos os que servem a Deus, tendo como motivação esta teologia tão nociva. Conforme veremos mais adiante, o fato de servirmos fielmente a Deus não nos torna imunes às lutas, às dificuldades e às provações. Pelo contrário! Somos, às vezes, mais atribulados do que os ímpios.

Mas, que importa? Se Cristo está ao nosso lado, haveremos de nos regozijar até nas adversidades. Esta é a obra da graça!

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 133-134.

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

I – OS PECADORES NO CONTEXTO DA JUSTIÇA RETRIBUTIVA

1. A lei da semeadura e da colheita.

A justiça de Deus requer a retribuição. Mas o próprio juízo divino também tem um aspecto remediai. Os dois polos da justiça divina são declarados em Rom. 1:32, em comparação com I Ped. 4:6.

Há atos de vindicação, que contrabalançam a injustiça. Esses são atos de justiça (Juí. 5:11; II Sam. 15:4; Sal. 82:3; Isa. 58:2,3; Ecl. 7:15 e 8:14).

A justiça, embora vindicativa e retributiva, também deve manifestar-se temperada pela misericórdia. Não há justiça divina crua, ou seja, retribuição não-condicionada pelo amor. O primeiro capitulo de Romanos mostra-nos que Deus não estaria errado se aplicasse uma justiça nua, constituída somente por vingança e retribuição.

Porém, a partir do terceiro capítulo de Romanos, Paulo mostra-nos que, de fato, a justiça divina não opera dessa maneira inflexível. A intervenção do evangelho serve de prova desse fato. Aqueles a quem Deus tem de julgar, também procurou salvar, ele através da elaborada missão de Cristo, uma missão com um aspecto terreno, outro no hades e outro no céu (I Ped. 3: 18-4:6).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4603.

[…] se o Senhor nosso Deus designa qualquer coisa para nós, quer seja bom ou mal, traga bênção ou aflição, seja vergonha ou honra, prosperidade ou adversidade, tenho de considerar bom e realmente sagrado, e tenho de dizer: Esta é uma bênção pura e preciosa.

Não sou digno disso que isto me toque. Assim diz o profeta: “Justo é o Senhor em todos os seus caminhos e santo em todas as suas obras” (SI 145.17). Se dou louvores a Deus por tais questões e as considero boas, santas e excelentes, eu o santifico em meu coração.

Mas os que consultam os livros da lei reclamam que está sendo feita uma injustiça a eles. Dizem que Deus está dormindo e não ajudará os justos e conterá os injustos — eles o desonram e nem o consideram justo nem santo. Mas quem é cristão deve atribuir justiça a Deus e injustiça a si, deve considerar Deus santo e ele profano e deve dizer que em todas as suas obras e ações Deus é santo e justo. E o que Ele requer. […] Se cantamos Deogratias e Te Deum laudamus e dizemos: Deus seja louvado e bendito, quando o infortúnio nos colher, é o que Pedro e Isaías chamam uma verdadeira santificação ao Senhor. (M5, pp. 555, 556).

GEISLER. Norman. Teologia Sistemática INTRODUÇÃO A TEOLOGIA A Bíblia Deus A Criação. Editora CPAD. pag. 834.

2. O homem colhe o que plantou.

Segundo eu tenho visto. É perfeitamente possível que Paulo tenha citado este versículo (de forma livre) quando nos deu a lei da colheita segundo a semeadura, em Gál. 6.7,8.

Dentro da teologia e da filosofia, essa lei é aplicada de maneira bastante ampla. A Igreja Cristã Ocidental confina sua operação a uma única vida terrena e, depois, a algum lugar de punição.

Mas a Igreja Ortodoxa Oriental faz da preexistência da alma parte da questão. Pecados e fracassos de outras existências também devem ser seguidos com a retribuição apropriada; as boas obras devem também receber a devida retribuição, e o bem que tiver sido feito deve ter sua recompensa.

As religiões orientais fazem a lei da colheita segundo a semeadura (o carma) aplicar-se a uma série de vidas, mediante muitas reencarnações. Isso significa que agora você pode estar pagando por algum mal cometido na idade Média.

Coligir benefícios é o lado positivo da lei, e isso também se aplica a uma longa fileira de vidas.

Pode-se perceber, por meio dessas explicações, que a lei da colheita segundo a semeadura desfruta de larga aplicação no pensamento humano. Elifaz tinha uma versão dessa aplicação: o homem é punido neste mundo físico devido ao mal que ele pratica. Sua mente não ia além disso.

Ele era cego o bastante para supor que, tendo dito isso, houvesse explicado o problema do sofrimento humano, mas isso é apenas um começo, quando estamos tratando com o problema do mal.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1881.

Elifaz, no entanto, vai longe demais.

Uma coisa é apelar para um princípio abstrato que parece evidente em si mesmo para a mente de um homem que tem senso moral. Outra coisa bem diferente é aplicá-lo ao caso específico de Jó. Elifaz alega que nunca observou uma exceção à regra: “Sega-se aquilo que se semeia.” Como o salmista que podia dizer de modo tão complacente: “Fui moço, e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (SI 37.25), Elifaz merece a resposta: “Você não viu muita coisa!”.

A doutrina não se baseia em eventos observados. O caso de Jó não se encaixa neste caso. Sua fé, agora, deve navegar por uma tempestade de fatos contraditórios.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 110.

Os homens colhem aquilo que semeiam (4.7-11).

Para provar que a confiança em Deus e a vida reta resultam em benefícios, Elifaz aponta para aquilo que ele acredita ser a verdade evidente. Qual é o inocente que jamais pereceu? (7). A resposta que se espera a essa pergunta é que os justos não são levados à destruição por meio das dificuldades.

Pelo contrário, a destruição é o destino dos ímpios. Contra os ímpios vem o hálito do Senhor [.„] o assopro da sua ira (9), isto é, o vento furioso e destruidor do julgamento de Deus. Além do mais, existe um princípio divino em ação. E a lei da colheita. Aqueles que semeiam o mal segam isso mesmo (8).

A destruição dos ímpios é descrita mais adiante nos versículos 10-11 por meio de uma outra figura vívida —a dissolução de uma cova de leões. Davidson ressalta que existem cinco palavras usadas em relação ao leão nestes versículos: o bramido do leão, o leão feroz, os leõezinhos, o leão velho (forte) e os filhos da leoa. Elifaz traça um paralelo entre o ímpio e o leão em duas situações: em primeiro lugar, a força deles; e em segundo lugar, a sua natureza violenta.

Os ímpios experimentarão o que experimenta um forte leão que ruge. A sua presa é tirada subitamente da sua boca e seus dentes […] se quebrantam, e ele acaba morrendo por falta de comida. Os filhos [da leoa], então desamparados, andam dispersos porque não têm nenhum provedor de comida. Da mesma maneira, desastre ou julgamento recairão sobre homens perversos cuja natureza violenta é semelhante à do leão (veja 5.2-5).2

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 36.

3. A queixa de Jó.

Elifaz havia oferecido um discurso ortodoxo. Mas a ortodoxia dele não se aplicava ao caso de Jó. Sua calamidade era grande demais. Ultrapassava qualquer julgamento divino razoável, quanto a qualquer pecado secreto que ele pudesse ter praticado. Seus infortúnios tinham de estar envolvidos em fatores que ainda não tinham sido ventilados. Jó era um homem inocente que estava sofrendo (Jó 2.3).

Jó continuou com sua resposta a Elifaz, tomando, de forma marcante, a posição de um pessimista, tão evidente em sua lamentação do capítulo 3. Os pessimistas argumentam que a própria vida é um mal, e que a salvação consiste na sensação de toda a existência, na redução ao nada. Isso garantiria paz a todos os sofredores.

“Jó sofria porque a vida humana, de modo geral, é um serviço duro. Ele estava sujeitado à condição de um homem mortal que levava a vida de um soldado ou mercenário (vss. 1-3). A dor física faz as noites e os dias parecer intermináveis (vss. 4 e 5)” (Samuel Terrien, in loc.).

A vida nada é senão dor, e ela tem uma miserável e dolorosa duração. Não vale a pena viver, era o pensamento central de Jó, embora ele nunca tivesse proferido tais palavras. A vida é ridiculamente breve, e até essa brevidade está plena de dores absurdas. A vida passa como se fosse um vento, e esse vento é um tufão.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1890; 1897.

Para sermos generosos com Elifaz, suponhamos que sua repreensão fosse gentil, e não zombeteira. Mesmo assim, Jó é magoado por ela. Sua resposta é uma tremenda explosão emocional. Defende a si mesmo poderosamente, protestando contra a insinuação do seu amigo de que deva haver, nalguma parte da sua vida, alguma falha que precisa de correção.

Jó insiste que suas palavras desenfreadas são plenamente justificadas (6.2-7). Ainda deseja morrer (6.8-10); sua esperança de que seus amigos lhe dessem refrigério foi desfeita, deixando-o ainda mais desesperado (6.11-23). Desafia-os a serem diretos nas suas acusações (6.24-30). Depois, volta para o tema da sorte infeliz do homem. A esperança pelo alívio requer mais forças do que qualquer homem possui para suportar firmemente.

A única saída é a morte, e quanto mais cedo melhor (7.1-10).

Visto que este remédio acha-se exclusivamente nas mãos de Deus, Jó volta-se para Ele com maior paixão (7.11-21). Nas suas palavras de encerramento, olha para dentro do abismo da dúvida, a pior tortura para a pessoa que ama a Deus — precisa ter alguma medida de compreensão dos caminhos de Deus para proteger sua mente contra o pensamento de que Deus não é justo.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 124-125.

A Resposta de Jó a Elifaz (6.1—7.21)

A resposta de Jó pode ser dividida em três partes.

Na primeira, ele justifica suas queixas no capítulo 3 e se defende da repreensão do seu amigo, insistindo (como da primeira vez) em que a morte continua sendo sua única esperança (6.1-13).

Na segunda, ele mostra profunda tristeza e desapontamento pela atitude que seus amigos demonstram em relação a ele (6.14-30).

E, na terceira, ele lamenta amargamente seu grande sofrimento e implora para que Deus o deixe sozinho e o deixe morrer (7.1-21).

Elifaz não acusou Jó diretamente de pecado. Isso ocorrerá mais tarde. Ele apenas manifestou surpresa pelo desespero e impaciência do amigo. Jó usa essa crítica como base para a sua resposta.

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 39.

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

II – OS PECADORES NO CONTEXTO DA TRADIÇÃORELIGIOSA

1. Ortodoxia engessada.

Tornas vão o temor de Deus. O temor de Deus é o princípio da sabedoria (ver Pro. 1.7). Rejeitando o temor de Deus, Jó tinha assim anulado até uma sabedoria primitiva que houvesse em si mesmo.

Ele quebrou (hebraico literalmente a reverência a Deus (cf. Jó 4.6 e Sal. 2.11).

Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos nele com tremor.

(Salmo 2.11)

A totalidade da piedade e da adoração pode ser chamada de “o temor de Deus”. Ver Eclesiastes 12.14; Isa. 29.13. Em sua irreverência e declarações blasfemas contra Deus, Jó lançara fora a piedade em geral e tinha-se tomado vão e pretensioso.

É terrível cair nas algemas de uma mente fechada. Tal mente não está meramente “fechada para reparos”; ela está realmente fechada! O orgulho tinha fechado a mente de Elifaz, e Jó a tinha ferido (cf. os vss. 2,3,10). A tradição também tinha fechado a mente de Bildade. Jó tinha caído nas algemas da intolerância, uma qualidade constante de indivíduos inclinados para o dogmatismo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1926.

Jó não somente é estulto, como também é perigoso. Suas palavras são uma ameaça à sã religião. O hebraico tem simplesmente “temor”, mas trata-se certamente de uma forma curta da frase consagrada temor de Deus que é atribuído a Jó em 1.1, 8; 2.3, e equiparado com a sabedoria em 28.28.

A NEB até mesmo tem Jó sabotando sua própria religião (“você até mesmo expulsa o temor de Deus da sua mente”), ao passo que a TEV tem Jó minando a religião doutras pessoas (“você desanima as pessoas de temerem a Deus”). Se, na realidade, aqui “Elifaz estigmatiza as ideias de Jó como sendo uma ameaça à sociedade” (Rowley, pág. 134), a questão passa a não ser desenvolvida. A ênfase recai sobre o dano que Jó está causando a si mesmo.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 173.

2. Uma ameaça à tradição religiosa.

Que sabes tu, que nós não saibamos? Se Jó reivindicava ter o monopólio da sabedoria e ser o Homem primevo, o fato é que todas as suas reivindicações de sabedoria superior eram mentirosas. Ele não sabia mais do que sabiam seus amigos-críticos, de modo que poderia receber as instruções deles. Ver um argumento similar usado por Jó em Jó 12.3 e 13.2, onde ele foi repreendido por seus amigos-críticos.

Também há entre nós encanecidos e idosos. Há certa igualdade entre os homens, porquanto todos são criaturas de Deus, que Ele sustenta em Suas mãos.

Mas conforme os homens envelhecem, presumivelmente ficam mais sábios; no círculo de amigos de Jó havia homens idosos, alguns deles mais velhos que seu pai. Assim, ao que se presume, havia um acúmulo de sabedoria reunido por eles, sobre o qual Jó nada conhecia, pelo que ele não era um homem grande e sábio, e ainda tinha muito que aprender. No entanto, prosseguindo em sua atitude de superioridade, ele não era o tipo de pessoa que alguém pudesse ensinar.

Ele era arrogante e duro. Era um pecador endurecido, que desempenhava o papel de sábio. Não admirava aos amigos de Jó que Deus o punisse da forma que fazia! Jó reivindicava conhecer grandes segredos diretamente de Deus, mas seus segredos eram pecados secretos.

O Targum declara que Elifaz e Bildade eram homens idosos, mais velhos que o pai de Jó, mas esse comentário é duvidoso. Elifaz não estava apontando para si mesmo como entre os homens mais idosos e sábios. Mas ele conhecia as tradições dos sábios e concordava com a doutrina deles, diferentemente do arrogante Jó.

John Gill tem um curioso comentário neste ponto: “A verdade é aquele antigo e bom caminho, o caminho mais antigo, mas o erro é quase tão antigo quanto a verdade. Há, pois, um caminho pelo qual homens ímpios caminham. Uma pretensão de antiguidade, cuidadosamente observada, pode conduzir ao erro (Jer. 6.16 e Jó 22.15)”.

“Combater a teologia deles era mostrar falta de respeito pelos mais idosos, insulto impensável naqueles dias” (Roy B. Zuck, in loc.). A verdade, entretanto, jaz noutro lugar. Para alguém avançar no conhecimento e na espiritualidade, é forçado a combater contra antigas teologias e práticas. Os sistemas ficam estagnados, por pararem seus trens nas estações das tradições e das denominações. Mas a verdade prossegue para novas estações.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1927.

Para depreciar ainda mais as declarações de Jó, Elifaz o sujeita a uma série de perguntas humilhantes. É uma ironia o fato de seu interrogatório atingir o estilo da entrevista posterior com o Senhor que Jó achará tão saudável (capítulos 38ss.). A presente passagem fica em quiasmo com a anterior, porque as acusações iniciais de Elifaz, de estultícia (w. 2-3) e de ir religiosidade (4) estão elaboradas na ordem inversa: a iniquidade (5-6) e a ignorância (7ss).

A frase sem igual, o primeiro homem deu origem a muita discussão.

“Uma alusão ao mito do homem primitivo, que existia antes da criação do mundo” (Rowley, pág. 134) não tem sido provada. Ao ligar os w . 7 e 8, é sugerido que o homem de antes da criação “ficou sabendo dos planos de Deus no conselho divino” (Rowley, ibid.). A estrutura quiástica da estrofe demonstra que duas fontes de conhecimento estão em mente: a antiguidade (7 e 10) e a iniciação aos segredos de Deus (8 e 9).

Jó não tem nenhuma destas qualificações. Dois indícios adicionais são necessários para solucionar o problema do v. 7. A mesma ideia é achada no Salmo 90.2, onde se empregam verbos semelhantes mas substantivos diferentes. Somente Deus é “mais velho do que os montes;” não se fala de um homem primitivo, e não pode ser Adão, porque ele foi criado depois dos montes. O segundo indício vem do paralelismo do próprio versículo.

Ao invés de homem leia “terra” como um paralelo a outeiros. A preposição serve para as duas linhas. A pergunta é: “Pensas que és o primeiro — nascido antes da terra, dado à luz antes dos outeiros?”

As acusações não são merecidas. Jó não fez alegações tão exageradas. Declarara meramente ser tão inteligente quanto seus amigos (12.3), e não ter um monopólio do conhecimento (v. 8).

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 174-175.

3. Um defensor celeste.

Já agora sabei que a minha testemunha está no céu. Testemunha. Jó agora apela para a esperança de que outra testemunha cooperasse com ele, em sua inocência. Ele viu a possibilidade de uma testemunha interceder e pleitear em favor dele no Tribunal Celeste. Tal testemunha tornar-se-ia seu advogado perante Deus, para defendê-lo. Os intérpretes compreendem variegadamente a referência a essa testemunha no céu, a saber:

1. Talvez as próprias palavras de Jó, ao chegar ao tribunal celeste, se tornassem suas testemunhas. Elas seriam ouvidas, e Jó seria considerado inocente.

A testemunha, entretanto, é personificada no vs. 20, e isso não se ajusta muito bem à ideia de palavras.

2. Talvez o próprio Deus esperasse tornar-se a testemunha de Jó e, finalmente, inocentá-lo, estando convencido pelos insistentes argumentos de Jó. Nesse caso, o Juiz também tornar-se-ia uma testemunha e intercederia pelo homem acusado. Esse é um significado um tanto desajeitado, mas não impossível.

3. Talvez esteja em pauta algum ser angelical, deixado indefinido, mas real, que poderia tomar o caso de Jó a fim de defendê-lo.

4. Jó parece retornar a Jó 9.33, onde existe a ideia de um intercessor. Possivelmente, ao longo do caminho, sua fé nessa ideia foi fortalecida, tendo adquirido mais alguns detalhes. Nesse caso, poderíamos vincular Jó 9.33 a Jó 19.25, onde temos o Vindicador{o Redentor de algumas traduções). Nesse caso, os versículos poderiam assumir um sentido messiânico, se realmente Cristo, o Redentor, estiver em Jó 19.25.

Este versículo está sujeito a muitas interpretações, e também podemos cristianizar o texto em demasia, vendo o Redentor (conforme entendemos esse termo) com o sentido de Jó 19.25. Em Jó 19.25, temos uma espécie de redenção, porque Jó, uma vez morto, voltaria à vida. É um erro, porém, empurrar esta ideia demasiadamente à redenção cristã. Seja como for, no texto presente, Jó não estava falando sobre a redenção espiritual.

Apenas esperava que alguma testemunha convencesse Deus a interromper seus sofrimentos físicos, e, assim sendo, salvar sua vida física. O quanto, finalmente, Jó prosseguiu para além disso é uma questão aberta. Ver a exposição sobre Jó 19.25 quanto a um completo tratamento dos potenciais desse texto, o que demonstra algum crescimento na teologia de Jó.

A teologia de Jó no capítulo 16 ainda não havia crescido o bastante para que ele pudesse falar sobre um Redentor em qualquer sentido significativo. Certamente nada existe no texto presente como a justificação cristã. Jó estava apenas pleiteando por sua vida física, não pela justificação de uma alma imaterial. Essa doutrina não fazia parte da teologia patriarcal, e só entrou no Antigo Testamento nos Salmos e nos Profetas, e, ainda assim, não muito claramente.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1933.

Jó tem confiança de que tem testemunha… no céu. A identidade de que assim advoga a sua causa tem sido procurada com cuidado.

Jó claramente está esperando que haja algum agente para ajudá-lo a resolver sua disputa e manter o direito do homem contra o próprio Deus (21a). O Redentor de 19.25 é o candidato óbvio. Mas se este é Deus ou outra pessoa, é questão para disputa.

Aqui, notamos dois aspectos importantes. Deus é Aquele que ouve o clamor do sangue derramado; e Deus é Aquele que está no céu, segundo a Bíblia. E Jó tem apelado a Deus de modo consistente.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 181.

Somente parte desta resposta a Elifaz, de forma semelhante às outras, é dirigida diretamente aos amigos. Jó também se dirige a Deus, e também há um tipo de conversa introspectiva que Jó tem consigo mesmo. O apelo prévio de Jó a Deus (13.20-28) permaneceu sem resposta. Deus aparentemente recusou-se a responder a Jó ou revelar-se a ele.

Jó tinha a esperança de que seu apelo honesto aos céus convenceria seus amigos da integridade dele. Em vez disso, ele é acusado do uso astuto das palavras para ocultar o seu pecado (15.5-6). Elifaz tenta convencer Jó de que seus amigos o abandonaram, e Jó reage com ira, movido por profunda dor.

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 57.

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

III – OS PECADORES DIANTE DE UM DEUS INFINITO

1. Deus não se importa com quimeras humanas.

Porventura será o homem de algum proveito a Deus? “Em seu papel de autonomeado sustentador de uma forma exaltada de teísmo, Elifaz esticou uma verdade a um ponto absurdo. Sem dúvida, Deus não precisa do homem (a palavra hebraica sugere um homem forte, vigoroso ou mesmo um sábio). O renomado mestre, Elifaz, admitiu que nem mesmo um membro de sua profissão é proveitoso para Deus! Ao mesmo tempo, a religião é proveitosa para o homem” (Oxford Annotated Bible, comentando sobre o vs. 2).

Essa doutrina diz que Deus não somente existe e criou todas as coisas, mas também se faz presente para controlar, guiar, recompensar e punir. Ele não é indiferente para com os homens. No deísmo (ver também a respeito no Dicionário), Deus, embora iniciador de todas as coisas, está ausente do universo e deixa que as leis naturais cuidem das coisas. Portanto, Deus não intervém diretamente na história humana, nem positiva nem negativamente.

Elifaz repreendeu Jó por sua pretensão de ter algum valor para Deus, reclamando Dele por causa de sua adversidade. Ele até poderia ser um homem bom, mas nem isso seria algo em favor de Deus, nem Lhe adicionaria coisa alguma. Contudo, há a retribuição divina. O homem perverso sentirá a ferroada dolorosa da ira divina.

Ou tem o Todo-poderoso interesse em que sejas justo…? “A bondade do homem não traz a Deus nenhum benefício. Deus nada ganharia se o homem fosse justo, conforme Jó vociferava. Visto que Deus não é afetado se uma pessoa é próspera e outra é pobre (cf. Jó 21.23-26), elas deverão ser assim por causa de sua retidão ou falta de caráter. Como poderia uma pessoa explicar assim, indiscriminadamente, condições aparentes? Elifaz simplesmente não podia aceitar a ideia de que Deus era responsável por qualquer desvio para longe da justiça” (Roy B. Zuck, in loc.).

Elifaz proclamava que a religião, pelo menos em parte, consiste em “auto-interesse”, ou seja, envolve egoísmo, tal e qual Satanás havia dito (ver Jó 1.9). Assim surge em cena o tema principal do livro. Pode a adoração e o serviço a Deus ser desinteressados? Ou um homem serve a Deus somente em beneficio próprio, que ele esperava derivar desse serviço?

Um corolário do tema principal é o problema do mal, que indaga por que os homens sofrem e por que sofrem como sofrem. Como é óbvio, isso está intimamente relacionado ao problema da qualidade da adoração e da espiritualidade humana. Pode o sofrimento anular a adoração? Nesse caso, trata-se de uma adoração de qualidade espúria e egoísta.

Mas se Elifaz exaltava a majestade de Deus, ele se esqueceu de exaltar a bondade do Senhor: Deus por certo está interessado no homem e intervém na história humana, o que é uma noção básica a qualquer conceito do teísmo.

Porque, como o jovem esposa a donzela, assim teus filhos te esposarão a ti; como o noivo se alegra da noiva, assim de ti se alegrará o teu Deus.

(Isaías 62.5)

Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento (Lucas 15.7)

Dizer-se que os homens são basicamente inúteis a Deus não anula o valor que Deus dá aos seres humanos, por causa de Sua graça e bondade.

Sentimos que nada somos, pois tudo és Tu e em Ti;

Sentimos que algo somos, isso também vem de Ti;

Sabemos que nada somos – mas Tu nos ajudas a ser algo.

Bendito seja o Teu nome – Aleluia!

(Alfred Lord Tennyson)

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1954.

Aqui, Elifaz insinua que o fato de Jó ter se queixado tanto de suas aflições, mostrava que ele pensava que Deus fora injusto ao afligi-lo: mas esta era uma insinuação forçada; Jó estava longe de pensar isto. O que Elifaz diz aqui, portanto, se aplica a Jó de maneira injusta, mas é, em si mesmo, muito verdadeiro e bom.

Quando Deus nos faz bem, não é porque tenha alguma dívida para conosco; se tivesse, poderia haver alguma desculpa para dizer, quando Ele nos aflige: “Ele não lida conosco com justiça”. Mas quem quer que imagine que, por alguma ação meritória, fez com que Deus estivesse em dívida com ele, que prove esta dívida, e certamente não deixará de ser compensado: “Quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?” (Rm 11.35). Mas Elifaz mostra, aqui, que a justiça e a perfeição do melhor homem do mundo não é nenhum benefício, nem traz qualquer proveito real para Deus, e por isto tal homem não pode ser considerado como merecendo qualquer coisa dele.

1. A piedade do homem não é lucro, não é ganho, para Deus (w. 1,2).

Pudéssemos ser dignos de Deus por alguma coisa, seria pela nossa piedade, por sermos justos, e por fazer nosso caminho perfeito. Se isto não tiver mérito, certamente nada mais terá. Um homem não consegue fazer de Deus seu devedor, pela sua piedade, e honestidade, e obediência às suas leis, muito menos poderá fazê-lo pela sua inteligência, e aprendizado, e política terrena. Agora Elifaz pergunta se algum homem poderia ser de algum proveito para Deus. Certamente, não. De maneira nenhuma. “Antes, a si mesmo o prudente será proveitoso”.

Observe que a nossa sabedoria e piedade são aquilo pelo que nós somos, e provavelmente seremos, grandes ganhadores. “A sabedoria é excelente para dirigir” (Ec 10.10). “A piedade para tudo é proveitosa” (1 Tm 4.8). “Se fores sábio, para ti sábio serás” (Pv 9.12). Os ganhos da religião são infinitamente maiores do que as suas perdas, e assim ficará evidente, quando forem comparados. Mas um homem pode ser de algum proveito para Deus? Não, pois a perfeição de Deus é tanta, que Ele não pode receber nenhum benefício ou vantagem dos homens; o que pode ser acrescentado ao que é infinito? E tal é a fraqueza e a imperfeição do homem, que ele não pode oferecer nenhum benefício ou lucro a Deus.

Pode a luz de uma vela ter algum proveito para o sol, ou a gota do balde para o oceano? Aquele que é sábio será proveitoso para si mesmo, para a sua própria orientação e defesa, para o seu próprio crédito e consolação; certamente com a sua sabedoria ele poderá se entreter e enriquecer.

Mas poderá ser de algum proveito a Deus? Não; Deus não precisa de nós, nem dos nossos serviços. Nós seríamos destruídos, destruídos para sempre, sem Ele, mas Ele é feliz, feliz para sempre, sem nós. Será de algum proveito para Ele, trará algum acréscimo real à sua glória ou riqueza, se fazemos perfeitos os nossos caminhos? Suponhamos que fossem completamente perfeitos, mas são melhores que Deus? De modo algum; e muito menos estando estão tão aquém de serem perfeitos.

2. Não é prazer para Ele.

Deus realmente expressou na sua palavra que tinha prazer nos justos; os seus olhos os contemplam, e o seu prazer está neles e nas suas orações; mas tudo isto não contribui em nada para a infinita satisfação e prazer que a Mente Eterna tem em Si mesmo. Deus pode ter prazer sem nós, embora nós pudéssemos ter apenas um pouco de prazer em nós mesmos sem os nossos amigos. Isto engrandece a sua condescendência: o fato de que, embora os nossos serviços não tragam nenhum real proveito ou prazer para Ele, ainda assim Ele os convida, encoraja e aceita.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 111.

2. Deus caminha com os homens.

Mas, se ele resolveu alguma cousa, quem o pode dissuadir? O Deus Voluntarista. Deus, em Sua vontade suprema, não dava atenção ao devoto que era tão zeloso e inocente. E continuava a fazer a Sua vontade. “O que Ele deseja, isso Ele faz” (Revised Standard Version). E isso incluía ignorar o pobre sofredor, Jó, e até adicionar más dores às suas grandes agonias. Deus obedecia a Seus próprios padrões e não era obrigado a abençoar o homem justo. Seus padrões não eram, necessariamente, aqueles que Ele tinha imposto ao homem.

Dentro desse sistema, a razão se esvai e é desconsiderada. Poder é direito. Algo está certo porque Deus o faz; Deus não faz algo porque isso está correto pelos padrões humanos. Ninguém pode questionar a Deus, a despeito da injustiça óbvia das situações. Deus é chamado aqui de imutável, em Seus caminhos voluntaristas, e não em seus caminhos beneficentes, como em Sal. 33.5.

Suas misericórdias também perduram para sempre (ver I Crô. 16.34), mas Jó não falava sobre isso.

De fato, ele lamentava o fato de Deus persistir em Sua punição, quando nenhuma misericórdia podia ser encontrada. A persistência de Deus na perseguição deixava Jó perplexo (vs. 15). Deus tinha posto a Sua soberania antes do sofrimento humano, como sua causa. Nenhum homem pode mudar Sua mente e fazer Deus desviar-se de Seus decretos de punição.

Note o leitor como até Paulo, influenciado por uma teologia primitiva dos hebreus, caiu nesse modo voluntarista de pensamento, em Rom. 9. Caros leitores, o voluntarismo é uma teologia deficiente, sem importar quem o defenda; ele oblitera o amor de Deus; ignora e distorce um conceito melhor de Deus, que a revelação cristã trouxe, no geral, do Novo Testamento.

Eis que arrebata a presa! Quem o pode impedir? Quem lhe dirá: Que fazes?

(Jó 9.12)

Para mim tudo é o mesmo; por isso digo: tanto destrói ele o íntegro como o perverso.

(Jó 9.22)

Melhor: Deus é amor{ I João 4.8). Os decretos de Deus são beneficentes. O próprio julgamento é remediai (ver I Ped. 4.6).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1960.

Alguns entendem que Jó aqui se queixa de que Deus lidou injustamente com ele, ao passar a puni-lo sem o menor abrandamento, embora ele tivesse evidências tão incontestáveis para apresentar sobre a sua inocência.

Eu reluto em pensar que o santo Jó acusasse o Deus Santo de ter cometido alguma iniquidade, mas a sua queixa é, realmente, amarga e irritada, e ele se convence de um tipo de paciência, à força, o que ele não consegue fazer sem acusar Deus de tê-lo tratado com crueldade, mas ele deve suportar isto, porque não pode evitar: o pior que ele diz é que Deus o trata de maneira incompreensível e inexplicável.

Ele apresenta boas verdades, e verdades que eram capazes de um lhe beneficiar (w. 13,14).

1. Que os conselhos de Deus são imutáveis:

Ele tem uma disposição, e quem, então, o desviará? Não tem conselheiros por cujo interesse possa ser convencido a alterar os seus propósitos; Ele é um, consigo mesmo, e nunca altera a sua vontade, nunca altera as suas medidas. A oração prevaleceu para modificar o caminho de Deus e a sua providência, mas a sua vontade ou o seu propósito jamais foram modificados; porque conhecidas de Deus são todas as suas obras.

2. Que o seu poder é irresistível:

O que a sua alma quiser, isso fará, e nada poderá ficar no seu caminho ou sugerir-lhe novos conselhos. Os homens desejam muitas coisas que não podem fazer, ou não conseguem fazer, ou não ousam fazer. Mas Deus tem uma soberania incontestável: a sua vontade é tão perfeitamente pura e correta que é altamente apropriado que Ele busque todas as suas determinações. E Ele tem um poder incontrolável. Ninguém fica em seu caminho. Tudo o que o Senhor quis, ele o fez (SI 135.6), e sempre o fará, pois é sempre o melhor.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 120.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

1° Lição – O Livro de Jó

2° Lição – Quem Era Jó

3° Lição – Jó e a Realidade de Satanás

4° Lição – O Drama de Jó

5° Lição – O Lamento de Jó

Faça parte do nosso grupo no telegram

Faça parte do nosso grupo no facebook

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

4 Lição 4 tri 20 O Drama de Jó

Texto Áureo

“Porque antes do meu pão vem no meu suspiro; e os meus gemidos se derramam como água.” (Jó 3.24)

Verdade Prática

O sofrimento pode nos levar a situação de extrema angústia, mas nãodevemos perder a esperança no agir de Deus.

OBJETIVO GERAL

Explicar que Jó era humano e como tal tinha todo o direito de extravasarseus sentimentos, não sendo recriminado por Deus por isso.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingirem cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Esclarecer que a angústia de Jó fez com que ele desejasse a morte como um escape;

Aclarar o desejo de Jó em ser como um abortivo;

Pontuar que Jó representa os que, em situação desesperadora, no veem nenhuma luz no fim do túnel.

LEITURA DIÁRIA

Segunda- Jó 3.1-4 Jó lamenta pelo dia de seu nascimento

Terça- Jó 3.5-7 Jó prefere que o dia de seu nascimento seja marcado pelas “densas trevas”

Quarta- Jó 3.8-10 Que a luz no resplandecesse e ele não olhasse para o sofrimento

Quinta- Jó 3.11-15 Jó lamenta por não ter morrido no dia do seu nascimento

Sexta- Jó 3.16-22 Jó deseja ser como um “aborto oculto” e não ver a luz

Sábado -Jó 3.23-26 O que já temia lhe sobreveio, o que ele receava lhe aconteceu

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Jó 3.1-26

1- Depois disto, abriu Jó a boca e amaldiçoou o seu dia.

2- E Jó, falando, disse:

3- Pereça o dia em que nasci, e a noite em que se disse: Foi concebido um homem!

4- Converta-se aquele dia em trevas;

5- Contaminem-no as trevas e a sombra da morte; habitem sobre ele nuvens; e, ali, repousam os cansados. negros vapores do dia o espantem!

6- A escuridão tome aquela noite, e não se goze entre os dias do ano, e não entre no número dos meses!

7- Ah! Que solitária seja aquela noite e suave música não entre nela!

8- Amaldiçoem-na aqueles que amaldiçoam o dia, que estão prontos para fazer correr o seu pranto.

9- Escureçam-se as estrelas do seu crepúsculo; que espere a luz, e não venha: e não veja as pestanas dos olhos da alva!

10- Porquanto não fechou as portas do ventre, nem escondeu dos meus olhos a canseira.

11- Por que não morri eu desde a madre e, em saindo do ventre, não expirei?

12- Por que me receberam os joelhos E por que os peitos, para que mamasse?

13- Porque já agora jazeria e repousaria; dormiria, e, então, haveria repouso para mim

5 Lição 4 tri 2020 O Lamento de Jó

14- com os reis e conselheiros da terra que para si edificaram casas nos lugares assolados,

15- ou com os príncipes que tinham ouro, que enchiam as suas casas de prata

16- Ou, como aborto oculto, não existiria; como as crianças que nunca viram a luz!

17- Ali, os maus cessam de perturbar e, ali, repousam os cansados.

18- Ali, os presos juntamente repousam e não ouvem a voz do exator.

19- Ali, está o pequeno e o grande, e O servo fica livre de seu senhor.

20- Por que se dá luz ao miserável e vida aos amargurados de ânimo,

21- que esperam a morte, e ela não vem; e cavam em procura dela mais do que de tesouros ocultos;

22- que de alegria saltam, e exultam, achando a sepultura?

23- Por que se dá luz ao homem, cujo caminho é oculto, e a quem Deus o encobriu?

24- Porque antes do meu pão vem O meu suspiro; e os meus gemidos se derramam como água.

25- Porque 0 que eu temia me veio, e o que receava me aconteceu.

26- Nunca estive descansado, nem sosseguei, nem repousei, mas veio sobre mim a perturbação

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

A lição desta semana esclarece que Jó desejou intensamente a morte. Ao desejá-la, o patriarca tem como objetivo dar fim ao ciclo de sofrimento que Satanás lhe impôs. Constataremos nesta lição que, apesar de ele desejar morre não buscou o suicídio. Nesse aspecto, a vida de Jó nos passa uma mensagem muito importante, mostrando-nos que, mesmo diante do mais terrível sofrimento, o patriarca não ousou entrar numa “jurisdição” que pertence somente a Deus.

Ele, indiretamente, nos transmite a importante mensagem de que o único que pode decidir acerca do início e do fim da vida é o Deus Altíssimo.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

INTRODUÇÃO

Na lição anterior vimos de perto o drama vivido por Jó. Uma série de calamidades se abateu sobre ele de forma catastrófica. Do estado de riqueza e prosperidade, Jó passou a viver na adversidade; seus amigos foram para consolá-lo, mas ficaram sem palavras ao contemplarem seu debilitado estado de saúde. Entretanto, depois de sete dias, ele rompeu o silêncio com um lamento que veio do fundo da alma.

Nesse lamento Jó mirou o dia de seu nascimento e, através de três perguntas, desabafou tudo o que sentia naquele momento: Por que nasci? Por que não nasci morto? Por que ainda continuo vivendo? Nesta lição veremos a reação humana diante do sofrimento. Perceberemos que não há qualquer indício de que Satanás tivesse alcançado êxito diante de Jó. Na perspectiva do patriarca, se Deus era a causa de sua vida, deveria também ser a causa de sua morte, pois se dEle vinha o bem, também deveria vir o mal.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

PONTO CENTRAL

O lamento de Jó revela toda Sua dor como ser humano.

I – PRIMEIRO LAMENTO DE JÓ: POR QUE NASCI? (3.1-10)

1. “Por que nasci?”.

A dor de Jó era profunda e somente a poesia podia expressar toda a carga emocional vivida por ele. Nesse poema, os dez primeiros versículos do capítulo três são a respeito do primeiro questionamento de Jó: Por que nasci? Esse questionamento sai do íntimo de Jó, assim como ocorre com a alma do salmista (130.1). Da mesma forma, o profeta Jeremias expôs os sentimentos diante de seus conflitos (Jr20.14-18). Nesse sentido, o patriarca não está sozinho em lamentar diante da dor.

2. Que em lugar da memória viesse o esquecimento

Neste momento de dor, Jó no amaldiçoou a Deus, como Satanás previra; em vez disso, amaldiçoou o dia de seu nascimento. No lugar de ser ocasião de grande celebração pelo dia do nascimento de criança, Jó amaldiçoou esse dia por ocasião do grande sofrimento e decepção. Para o homem de Uz, esse dia teria de ser apagado da memória. Não é assim que muitas vezes nos sentimos? Um dia em que tudo foi mal e temos desejo de nunca mais lembrá-lo.

3. Que em vez da ordem viesse o caos.

Mencionamos o desejo de Jó para que o dia de seu nascimento não tivesse entrado no calendário e, que dessa forma, tanto esse dia como essa noite jamais tivessem existido. No lugar da luz que raiou por ocasião do nascimento dele, e que revelou todo seu sofrimento, o patriarca desejou que as trevas dominassem (vv. 4-7). E por que? Porque em vez da paz veio a dor; em vez da ordem, o caos. Desse dor; em vez da ordem, o caos. Desse raciocínio, Jó menciona a imagem do Leviatã. Este famoso e assombroso animal marinho simboliza o caos.

O homem de Uz recorre a essa imagem para ilustrar o momento tenebroso que estava vivendo. A lógica é simples: Se Deus não tivesse feito aquele dia, ele não teria sido concebido e, portanto, não passaria por tudo isso. Nesse sentido, o Novo Testamento revela como nosso Senhor é misericordioso e nos trata com amor e ternura nos momentos de tribulação e angústia, pois aos pés da cruz é o melhor lugar para derramar a nossa alma (cf. Jo 11.32,33).

SÍNTESE DO TÓPICO I

O primeiro lamento de Jó revela seu desejo de esquecer o dia em que nasceu.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Para introduzir esta lição apresenta os três pontos que formam seu eixo estrutural, ou seja, os três lamentos de Jó:

(1) Por que nasci?

(2) Por quenão nasci morto?

(3) Por que continuo vivo?

Mostre a classe que essas três perguntas representam toda a angústia que se abateu sobre a alma de Jó por meio dos eventos que marcaram sua tragédia familiar, econômica e pessoal. Tais perguntas podem sinalizar o grau de estresse do patriarca, bem como do ser humano, diante de um grande caos. Os lamentos de Jó são a expressão da dor humana diante do sofrimento.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

II– SEGUNDO LAMENTO DE JÓ: POR QUE NÃO NASCIMORTO? (3.11-19)

1. Descansando em paz.

Os intérpretes observam que o discurso de Jó a partir do versículo onze muda de amaldiçoar para reclamar. A partir desse versículo, Jó passa reclamar por não ter nascido morto. Para ele nascer morto teria sido melhor do que existir naquelas condições (v.11-13). Era a melhor maneira de não passar por toda aquela tribulação. Essas palavras de Jó revelam uma coisa: Ele queria descanso de todo o seu sofrimento. Oque Jó pedia era uma possibilidade real, pois muitos fetos nascem mortos(vv. 16). Para ele a morte era uma forma de descansar em paz (vv. 13-15).

2. Livre de tribulações.

O dilema de Jó aumenta à medida que o seu sofrimento ganha intensidade. Ele continua com seu argumento da “não-existência” (vv. 16-19). Ele está convencido de que se não tivesse setor nado um “ser”, nada disso estaria acontecendo. Ele desejava ter sido como um “natimorto”, um feto que nunca viu a luz (v.16).

A palavra hebraica nephel, usada no versículo 16 como “natimorto”, possui o sentido de “um aborto espontâneo” e é traduzido dessa forma em Eclesiastes 6.3 e Salmo 58.8. Aqui em nenhum momento Jó faz uma apologia ao aborto, mas usa-o no sentido metafórico de “descanso do sofrimento”. No lugar de ter sido abortado, ele nasceu e foi lançado no mundo da tribulação. O raciocínio é claro: Para os que morreram cessara, mas angústias e tribulações da vida presente.

3. Uma realidade para o cristão.

O Novo Testamento nos ensina que enquanto estivermos neste mundo estaremos sujeitos à dor, ao luto, ao sofrimento (Fp 4 .11,12). Mas, ao mesmo tempo, temos uma promessa consoladora de Jesus ( Jo 16.33 , cf. Fp 4.13).

SÍNTESE DO TÓPICO II

O segundo lamento de Jó revela o desejo de ter sido abortado.

SUBSÍDIO BÍBLICO-PEDAGÓGICO

“Por não haver a possibilidade de voltar atrás no tempo e cancelar os acontecimentos que levaram ao seu nascimento, Jó volta-se para a fase seguinte do seu lamento: Por que não morri eu desde a madre? (11). Muitos bebês nascem mortos; por que ele não teve a sorte de um deles? Os joelhos da parteira e os peitos (12) da sua mãe deveriam ter falhado em preservar a criança recém-nascida.

Se a morte tivesse sido o seu destino logo no início, então suas maiores esperanças teriam sido alcançadas havia muito tempo- então, haveria repouso para mim (13). Entre os versículos 14 e 19 há observações acercado fato de que todos os homens são iguais diante da morte.

Os reis (14), os ricos (15), os maus 17) cessam de perturbar, e, ali, repousam os cansados. Moffat interpreta o pensamento dos lugares assolados (14) como ‘reis L.J que constroem pirâmides para si mesmos’. Os presos não são mais incomodados por aqueles que os oprimiam (18) e mesmo os escravos estão livres de seu senhor (19). Em seu desespero, Jó pode apenas esperar pelo alívio que a morte poderia lhe trazer”(CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, W. T.; WOLF Earl C. (et al. Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014,p.34).

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

III – TERCEIRO LAMENTO DE JÓ: POR QUE CONTINUO VIVO? (3.20-26)

1. Vale a pena viver?

Nessa terceira seção do capítulo três Jó faz uma quarta pergunta (3.20): “Por que se dá luz ao miserável, e vida aos amargurados de ânimo?”. As outras perguntas estão em 3.1; 3.12; 3.16. A palavra hebraica amel, traduzida aqui como “miserável”, é usada no sentido de alguém cuja vida é atribulada pela miséria e que, por isso, torna-se incapaz de exercer suas funções. Em outras palavras, para Jó a vida havia se tornado intolerável.

2. Sem o favor de Deus?

Jó novamente volta a indagar: “Por que se dá luz ao homem, cujo caminho é oculto, e a quem Deus o encobriu?” ( Jó3.23). A pergunta busca o significado do sentido de todo aquele processo. Ela busca compreender o porquê de Deus permitir o sofrimento. Aqui há um paralelo com Provérbios 4.18, onde é dito que “o caminho do justo é como a luz da aurora que brilha mais e mais até ser dia perfeito”.

Na literatura sapiencial, a palavra hebraica traduzida como “caminho” é derek e se refere ao caminho da sabedoria de Deus, que conduz a vida. Para o patriarca esse fato havia se tornado um paradoxo, pois ele não sabia por que Deus escolheu para ele o caminho do sofrimento.

3. Um caminho de sabedoria e maturidade.

Muitas vezes sentimo-nosiguais a Jó, desorientados, passando por uma via dolorosa do sofrimento. E como ele, não imaginamos nem compreendemos que Deus está agindo. É preciso, porém, olhar para o alto onde Cristo vive (Cl 3.1-4). Nele, podemos manter o equilíbrio e confiança durante a tormenta e, assim, trilhar um caminho de sabedoria e maturidade no sofrimento

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

SÍNTESE DO TÓPICO III

O terceiro lamento de Jó revela a desistência da vida por causa do sofrimento.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Jô veio à luz; ele foi trazido à Vida (20); Jó estava perdido e Deus o encobriu (23). Tudo isso ocorre contra sua vontade ou, pelo menos, sem que ele tenha alguma oportunidade de escolha. Em sua miséria ele espera a morte. A morte seria como tesouros Ocultos a serem procurados ou algo de que ele poderia se alegrar sobremaneira (21-22). Mas mesmo isso é negado a Jó. Moftat interpreta a primeira parte do versículo 23: ‘Por que Deus dá à luz à um homem que está no fim de suas forças?

A miséria de Jó se tornou tão desmedida que seus gemidos (expressão de agonia) se derramam como água (24) em uma corrente vasta e ininterrupta. A Sua vida tornou-se tão difícil que tudo que ele precisa fazer é temer por mais agonia, e isso, de fato, acontece (25). O sofrimento de Jó não tinha fim. Ele não teve qualquer oportunidade para experimentar descanso, sossego e repouso. Velo sobre mim a perturbação (26) pode ser traduzido apropriadamente como: ‘A perturbação vem continuamente’ ”(CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, W. T.; WOLF, Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014,p.34).

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

CONCLUSÃO

Nesta lição vimos o dilema de Jó. Desconhecendo a razão das adversidades que se abateram sobre ele, o patriarca não negou a Deus nem o amaldiçoou. Todavia, ele expôs toda a sua humanidade, de forma que o leitor que apenas o contempla sem, contudo, participar de seu drama, tem dificuldade de entender seu lamento, principalmente, quando ele se dirige a Deus. E o lamento de um corpo ferido e de uma alma, que mesmo amando a Deus, se derrama angustiada.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

PARA REFLETIR

A Respeito de “O Lamento de Jó”, responda:

1- Os dez primeiros versículos do capítulo três dizem a respeito de que?

R: Os dez primeiros versículos do capítulo três são a respeito do primeiro questionamento de Jó: Por que nasci?

2- O que Jó amaldiçoou? E por quê?

R: No lugar de ser ocasião de grande celebração pelo dia do nascimento de criança, Jó amaldiçoou esse dia por ocasião do grande sofrimento e decepção.

3- Qual foi a observação dos intérpretes sobre o discurso de Jó a partir do versículo onze?

R: Os intérpretes observam que o discurso de Jó a partir do versículo onze muda de amaldiçoar para reclamar.

4- Em que sentido a palavra “miserável” é usada?

R: É usada no sentido de alguém cuja vida é atribulada pela miséria e que, por isso, torna-se incapaz de exercer suas funções.

5- Qual é o significado da palavra “caminho”?

R: Refere-se ao caminho da sabedoria de Deus que conduz a vida.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO

Por causa de seus supremos sofrimentos, Jó caiu no abismo de uma quase total desesperança. Ele proferiu uma maldição, mas não contra Deus, conforme Satanás disse que ele faria (ver Jó 1.11 e 2.5). Ele desejou jamais ter nascido (vss. 2-10 deste capitulo) ou, então, que tivesse morrido por ocasião de seu nascimento (vss. 11-19). Visto que essas bênçãos não lhe tinham sido conferidas, ele desejava morrer em breve (vss. 20-26). Mas ele falou com sua voz miserável sem chegar a ponto nenhum. Ele ignorou tanto Deus como o ser humano, ao proferir o seu “ai”. Em consonância com o costume e a prática dos semitas, Jó não pensou em suicidar-se, embora o suicídio não fosse desconhecido entre eles.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1872.

A jornalista evangélica Andréia Di Mare perguntou-me, quando eu finalizava este livro, quanto tempo durara a provação de Jó. Confesso que, até aquele momento, não havia atinado ainda sobre o assunto. Reparei então que, se lermos atentamente a história do patriarca, haveremos de constatar que a tribulação do paciente servo de Deus pode haver se estendido por quase um ano. Levemos em conta alguns fatores.

Desde que as calamidades começaram a se abater sobre Jó, até à chegada de seus amigos, temos pelo menos três semanas.

Pois Elifaz, Bildade e Zofar tiveram de se deslocar de longínquas regiões até à terra de Uz. Aqui chegando, quedaram-se emudecidos por sete dias; faltavam-lhes palavras para consolar alguém que não podia ser consolado.

Finda aquela semana, pôs-se Jó a falar. Suas primeiras alocuções foram de amarga maldição contra o dia de seu nascimento.

Se o Diabo esperava fosse o patriarca dirigir suas invectivas contra Deus, enganara-se. Em momento algum, portou-se Jó de maneira blasfema e irreverente em relação ao Senhor Deus.

A pergunta da irmã Di Mare é uma resposta mui oportuna; revela que o perseverante varão, antes de endereçar todos aqueles reptos contra o seu natalício, suportara pelo menos um mês de resignada dor. Embora não saibamos exatamente quantos dias durou a sua prova, de uma coisa temos certeza: foi mais do que podia suportar um ser meramente humano.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 123-124.

Para que viver?

Para que ter de enfrentar a luta contra o destino que o aguarda? A sua tragédia é infinita, o seu sofrimento físico e moral não tem limites. Portanto, para que viver? Nem mesmo a vida de outrora, cheia de cuidados com a religião dos filhos, por quem oferecia sacrifícios, na suposição de terem pecado contra Deus, em seus excessos de comida e bebida, seria a coisa mais desejável; muito menos a de agora, quando sem filhos, sem a mulher, que o repudiara, sem amigos, sozinho com as suas chagas, os seus pesadelos são um espectro para o mundo que o conhecia.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

I – PRIMEIRO LAMENTO DE JÓ: POR QUE NASCI? (3.1-10)

1. “Por que nasci?”.

Se ao menos o dia do nascimento de Jó, ou a noite em que ele fora concebido, nunca tivessem ocorrido, então Jó teria escapado ao caos da existência e aos resultados temíveis de uma vida inútil. O livro não expõe a possibilidade de uma alma preexistente ter nascido em um corpo diferente. O discurso de Jó só indica que, sem aquele nascimento, que acabou produzindo tanto sofrimento, ele nunca teria existido e, portanto, não estaria sofrendo.

Como é óbvio, Jó desejava a não-existência, e não uma nova chance de uma vida nova, sem complicações, por meio da reencarnação.

Jó amaldiçoou o seu nascimento, a sua vida, e não Deus, conforme Satanás afirmou que ele o faria (ver Jó 1.11 e 2.5).

Pereça o dia em que nasci. Jó ampliou a maldição, dando detalhes e conferindo volume à sua queixa e às suas lamentações. As notas que ofereço no vs. 1 deste capitulo também se aplicam aqui. O dia e a noite personificados, por assim dizer, são entidades com uma espécie de existência autônoma. O dia e a noite, pois, tinham trazido a Jó sua miséria, e ele desejou que, de alguma maneira, eles fossem obliterados em sua existência, para que ele próprio pudesse descansar no nada.

Uma Curiosidade.

Notemos que Jó não olhou estrada abaixo para a imoralidade. No período patriarcal, pode ter havido essa ideia, entre os hebreus, mas não há nenhuma expressão dessa noção no Pentateuco. A ideia só entrou no pensamento dos hebreus nos Salmos e Profetas, sem grande esclarecimento. No período intermediário entre o Antigo e o Novo Testamento foi mais desenvolvida, e ainda mais no Novo Testamento. É verdade que em Jó 19.26 essa esperança é levantada, possivelmente mediada através da ressurreição, e não através de uma alma imortal que sobrevive à morte biológica do corpo. Alguns veem a reencarnação nessa referência, mas isso é discutível. Seja como for, é notável que a lamentação de Jó, que vemos aqui e nos capítulos seguintes, não tente aliviar o problema do sofrimento humano com uma visão da existência futura, além do sepulcro, onde o sofrimento pudesse ser anulado. Isso, entretanto, está em harmonia com a teologia geral do período patriarcal.

A Noite Personificada Fala.

Ela anunciou o conceito de um filho que teria sido a alegria de sua mãe. Mas o futuro era tão negro e miserável, que nenhum regozijo foi encorajado. John GUI curiosamente comenta aqui que nem mesmo as próprias mulheres sabem em que noite exata elas conceberam e, certamente, os homens não o sabem. Mas a Noite sabia. A noite em que Jó foi concebido foi uma noite miserável, que ele desejava fosse anulada. Alguns estudiosos interpretam a Noite como personificação de Satanás e colocam nela o pecado original, mas isso é apenas fantasia.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1872-1874.

A lamentação de Jó está ao lado de outros salmos bíblicos de aflição, inclusive Jeremias 20.14-18 e Lamentações 3.1-18; e todos concentram-se naquele desamparo horroroso de Jesus (Mt 27.46) como sendo os clamores legítimos da humanidade perdida, procurando adiar seu Deus perdido. Não pode, portanto, haver nenhuma intenção de desaprovar aquilo que Jó diz.

A crítica da forma também nos ajuda a compreender o propósito convencional deste tipo de fala. Embora tome a forma lúgubre de uma maldição, detalhada e exagerada, visa lastimar a desgraça humana e assim evocar a compaixão humana e divina.41 A poesia capta os gritos desenfreados. Ás exclamações são tensas e a gramática é difícil, quase ao ponto da incoerência. Estes aspectos, que se apresentam como dificuldades para o purista, provavelmente conservem os efeitos deliberados do autor, e não devem ser considerados uma falha de deteriorização posterior do texto.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 98-99.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

2. Que em lugar da memória viesse o esquecimento

Amaldiçoou o seu dia natalício. Jó amaldiçoou o seu ‘dia natalício”. Sentimo-nos muito tristes quanto aos infantes que morrem e diante de pais que perdem suas crianças; mas Jó viu que, em seu caso, essa condição teria sido uma grande bênção. O dia e a noite, de acordo com as crenças antigas (ver Sal. 19.3), eram dotados de uma espécie de existência autônoma.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1874.

Até este momento, comportara-se Jó de maneira irrepreensível.

Diante de todas aquelas tormentas, tivera ele a necessária humildade e ousadia de lançar-se em terra, e adorar a Deus. O autor sagrado adianta que, em tudo isso, não pecara ele contra o Senhor (Jó 1.22).

Mas, agora, já desfigurado pela doença e já em tudo uma pavorosa ruína, põe-se a amaldiçoar o seu dia natalício. E ele o faz diante de seus três amigos: Elifaz, Bildade e Zofar.

I. Jó amaldiçoa o dia do seu nascimento. Atentemos ao que narra o autor sagrado: “Depois disto, abriu Jó a boca e amaldiçoou o seu dia” (Jó 3.1). O verbo amaldiçoar usado, nesta passagem, é mui significativo em hebraico: qâlal denota as seguintes ações: tratar com menosprezo, desprezar.

Com a palavra, o patriarca Jó:

“Pereça o dia em que nasci, e a noite em que se disse: Foi concebido um homem! Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz! Contaminem-no as trevas e a sombra da morte; habitem sobre ele nuvens; negros vapores do dia o espantem!

A escuridão tome aquela noite, e não se goze entre os dias do ano, e não entre no número dos meses!” (Jó 3.3-6). Sim, ele amaldiçoa enfaticamente o dia de seu nascimento. Em momento algum, porém, desfere qualquer palavra contra o Senhor, conforme salienta F. B. Meyer: “Jó abre a boca com uma maldição. Mas ela não era contra Deus, como Satã esperava.

A palavra hebraica é diferente da que ele emprega (Jó 2.9). Ele não amaldiçoa Deus, mas o dia do seu nascimento, e pede que sua existência despojada e sofredora possa terminar o mais depressa possível. As palavras de Jó são muito proveitosas para todos aqueles cujo caminho é oculto. A alegria da vida se foi? Todavia seus deveres permanecem. Continuemos nestes e o caminho nos levará de volta à luz”.

Na noite em que Jó nasceu, houve não somente luz, como música: “Ah! Que solitária seja aquela noite e suave música não entre nela!” (Jó 3.7).

Entretanto, almeja agora não somente apagar aquela luz que lhe iluminou o nascedouro, como sufocar a melodia que lhe embalou os primeiros instantes na terra.

Sofocleto chegou a considerar o seu aniversário como aquele pesado tributo a que era obrigado a pagar para continuar existindo. Em contrapartida, Moisés, diante da brevidade da vida humana; ante os sofrimentos que nos cercam; defronte de todos os enfados e canseiras que nos rodeiam; e já em frente ao inexorável da existência, uma só coisa pediu ao Senhor: “Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio” (SI 90.12). Que estou eu sugerindo?

Não era sábio o coração de Jó? Então, por que amaldiçoa o dia de seu natalício?

Seria razoável todo aquele amargor? Responderia ele que sim, como Jonas o fez diante da aboboreira ressequida (Jn 4.9). N o auge do crisol, todas as coisas nos parecem razoáveis e lógicas. Mas, passada a tormenta, percebemos quão ilógicos nos portamos (Jó 42.3). E em nossa ilogicidade que mostra Deus toda a beleza de sua razão.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 124-126.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

3. Que em vez da ordem viesse o caos.

Converta-se aquele dia em trevas. Jó volta a lamentar o seu nascimento. O dia é luz, e luz é esperança. Mas o primeiro dia de Jó foi de trevas miseráveis e repleto de presságios ruins. Deus não levou em conta o dia do nascimento de Jó. A luz não incidiu sobre aquele dia. Antes, foi um dia melancólico, de negligência e tristeza, por causa do tipo de vida que finalmente haveria para Jó. Premonições de desespero anulavam qualquer alegria que pudesse estar envolvida no nascimento de um filho. Deus se tornara um estranho para aquele pequeno, que fora esquecido pelo Ser divino e pelos seres humanos.

Deus… não tenha cuidado dele. ‘Literalmente, requerer, perguntara respeito e, assim, manifestar cuidado a respeito” (Ellicott, in loc.).

Empregando o linguajar popular, podemos dizer que o versículo significa: “Deus não poderia importar-se menos”. No ato de criação, Deus disse: “Haja luz’, e houve luz. Mas o dia de Jó não teve luz nem esperança. Seu nascimento foi uma espécie de anticriação. A providência do sorriso de Deus não abençoara aquele dia.

… Cópula, nascimento, morte Esses são os fatos…

(Thomas Stearns Eliot)

Esses são os fatos brutais de uma vida sem Deus e sem esperança. As palavras de Eliot indicam que não há significado nenhum nesta vida. Jó caiu nessa armadilha, no meio de sua miséria. Para ele não havia fatos remidores.

Reclamem-no as trevas e a sombra da morte.

O dia precário de Jó deveria ser engolido por trevas melancólicas, varrido por nuvens escuras e aterrorizado pela negridão. Supostamente, o dia é iluminado, mas o de Jó era escuro.

“A palavra aqui usada para enegrecimento é a única ocorrência do vocábulo em todo o Antigo Testamento. Está em vista a negridão que acompanha um eclipse, um tornado ou uma pesada tempestade” (Roy B. Zuck, in loc.). O dia do nascimento de Jó foi um dia de pesada tempestade. A luz não pôde atravessar as espessas trevas. O nascimento de Jó, por assim dizer, foi um equivoco, uma piada cósmica. Ele foi vitima de uma mentira cósmica. Entrou na vida já trazendo aquela incurável que causaria sua morte e, assim, teve uma peregrinação triste e sem sentido para lugar nenhum. O dia do nascimento de Jó foi aterrorizado pelas trevas pretematurais, por aquele blecaute inoportuno e inesperado. Sua vida fora obscurecida desde o começo.

Aquela noite! dela se apoderem densas trevas.

A miséria de Jó era tão profunda que ele desejava que as negras trevas anulassem tudo, toda a vida e toda a existência. Essa anulação tinha de começar pela noite em que ele fora concebido. Ele anelava, de alguma maneira, voltar àquele ponto do tempo. Se, de algum modo, a noite de sua concepção pudesse ser obliterada, então a fonte de sua tristeza seria engolida pelo nada, que era a grande esperança de Jó, inútil naturalmente, mas uma ânsia retrospectiva. Ele não queria que a noite de sua concepção fosse um tempo marcado no calendário. Ele não queria que aquela noite tivesse ocorrido em um dia especifico do ano. Se aquele dia se transformasse em nada, então ele seria reduzido a nada, e esse era o seu desejo mais intenso.

Pessimismo.

A definição básica do pessimismo é que a própria existência é um mal. Assim sendo, o pior pecado do homem seria o fato de ele ter nascido. Schopenhauer, o mais eloquente advogado do pessimismo como um sistema filosófico, acreditava que a melhor coisa que poderia acontecer seria Deus fazer com que todas as coisas cessassem de existir. Então haveria a paz do nada. A insana vontade de viver está na base de toda a miséria humana.

A vida é nossa inimiga; a morte é nossa amiga, se ela pudesse indicar total obliteração. Infelizmente, Schopenhauer acreditava na reencarnação, mecanismo insano mediante o qual se dá continuidade à vida. Jó caiu num pessimismo do tipo do de Schopenhauer.

Entristeço-me por ter de dizer aos caros leitores que a Igreja Ocidental tem uma teologia de extremo pessimismo acerca do destino humano (excetuando alguns poucos salvos). De fato, esse pessimismo ultrapassa qualquer coisa que o livro de Jó contém. Não obstante, Deus surpreenderá os pessimistas provendo coisas maravilhosas por meio da missão de Cristo, que finalmente beneficiará todos os homens. Ver no Dicionário o artigo Mistério da Vontade de Deus.

Seja estéril aquela noite.

Ainda personificando a Noite, Jó esperava que, de alguma maneira, a noite de sua concepção ficasse estéril (literalmente, no hebraico, ficasse “pedregosa’). A concepção de um filho costuma levar a um nascimento jubiloso. Jó preferiria a esterilidade, para que não houvesse um dia que seria de profunda tristeza, em vez de alegria. “Jó imprecou males sobre o dia em que ele nasceu, e agora (vs. 7) sobre a noite em que ele fora concebido” (John Gill, in loc.).

Ele queria que a noite em que fora concebido se tomasse tão estéril como a pederneira. Cf. Isa. 49.21. “Os orientais, emocionais como são, gritavam quando um menino nascia. Mas Jó disse: ‘dela sejam banidos os sons de júbilo’, ou seja, naquela noite na qual uma concepção prometeu que nasceria um filho”. Viver é sofrer, e há grande futilidade em toda a vida. A bondade é quando não há fagulha de vida para começar uma existência humana. O pessimismo era a teologia de Jó, no momento.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1874.

Aquela noite chamada seja de trevas, porque não cerrou a madre que acolheu um novo ser. Espessa escuridão paire sobre ela; e, os que costumam cantar de noite, se calem. Como o dia em que nasceu, não seja anotada entre outras noites. Seja amaldiçoada por aqueles que amaldiçoam o dia (v. 8). Refere-se Jó aos feiticeiros, assim chamados, para excomungar dias aziagos; os encantadores, que tinham por atividade anatematizar dias maus ou fazer, desses dias bons. Naquela noite não haverá música alegre, pois, as estrelas não brilharão no espaço; um sentimento trevoso, espantoso, deve engolfar aquela má noite, pois podia ter evitado que eu visse a luz.

Amaldiçoem-na os encantadores, os que chamam o monstro marinho (leviatã, no original), animal desconhecido ou figurado, talvez O dragão mitológico.

Há homens que encantam as serpentes e outros animais; os que supostamente têm poderes sobrenaturais; que amaldiçoem essa noite maldita. Para aquela noite não haja crepúsculo matutino, e aquela manhã, que espera pelo dia, não venha, e uma eterna noite paire sobre ela. Noite terrível! Que os olhos da alva não se abram, as pestanas fiquem para sempre cerradas.

É uma linda figura, pois que o abrir das pestanas é o abrir dos olhos, e o fechar delas é o fechar dos mesmos. Seja assim a alva, que não abra as suas pestanas, pois tinha poder para evitar que um homem fosse concebido, e não o fez. A figura é clara, porém nem a noite nem o dia podem fazer vir ou evitar que venha ao mundo um novo ser.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

II– SEGUNDO LAMENTO DE JÓ: POR QUE NÃO NASCIMORTO? (3.11-19)

1. Descansando em paz.

Por que não morri eu na madre? Tendo havido a concepção, Jó deveria nascer. Diante do fato terrível, ele desejou ter nascido morto. Nesse caso, poderia ter “expirado” antes que o sofrimento começasse. A morte hipnotizara Jó. Ele começou a olhar para a morte com mórbida alegria. Ele se juntou à companhia daqueles filósofos pessimistas do Egito e da Babilônia, que viam a morte como um estado de tranquilidade, sono e nada (vs. 13). O pensamento dos hebreus, em contraste, encarava a morte como um mal a ser evitado. Um severo sofrimento tirara de Jó a ideia, conforme se diz em uma expressão idiomática moderna.

Por que não expirei ao sair dela? Note que a versão portuguesa concorda aqui com a Revised Standard Version e não faz o versículo dar a entender uma alma imaterial e imortal que deixa o corpo por ocasião da morte biológica. Nascer vivo e sair em segurança do ventre materno, para a vida, era visto como um ato especial da providência divina (Sal. 22.9). Jó desejou que aquela pequena demonstração da providência divina não tivesse operado em favor dele. Ver no Dicionário o artigo chamado Providência. Ver na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia o verbete intitulado Infantes, Morte e Salvação dos.

Por que houve regaço que me acolhesse? Uma vez nascido, o bebê, de acordo com os costumes orientais, era primeiramente posto nos joelhos da mãe, de maneira que um pouco de descanso era desfrutado. Então o bebê era levado aos seios matemos. Havia também o costume patriarcal de colocar o bebê recém- nascido nos joelhos de um antepassado paterno, simbolizando que a criança pertencia à sua descendência e estava abençoado com a companhia de seu antepassado e de seus contemporâneos (ver Gên. 50.23). Talvez seja isso o que esteja em vista no presente versículo.

Jó desejava não ter descansado nos joelhos de sua mãe nem ter sido recebido em sua família por meio da bênção patriarcal. Preferia ter sido um natimorto, ou ter morrido antes de ser colocado sobre os joelhos de alguém. Entrementes, desejava nunca ter tomado leite de sua mãe, pois assim poderia ter morrido de fome, uma grande vantagem que não lhe teria permitido chegar àqueles dias de sofrimento. Em seu desespero, ele chegou a ver a vida como indigna de ser vivida. Jó foi tratado com grande cuidado, mas preferia ter caído morto no chão. Ver também Gên. 30.3 e Isa. 66.12.

Jarchi informa-nos que uma parteira, tendo completado o parto, tomava temporariamente a criança em seu regaço, dando-lhe descanso e consolo. Ela lavava o corpinho do recém-nascido com água e sal e o enrolava nos paninhos apropriados. Os gregos e romanos também tinham um costume semelhante ao da bênção paterna dos hebreus. O pai recebia a criança e, pondo-a sobre os joelhos, tomava assim conhecido que aquele bebê era “seu filho”, agora recebido em sua família. A deusa Levana é retratada como se estivesse ordenando o gesto de amor e preocupação (Kipping, Antiq. fíoman. 1.1. cap. I, sec. 10).

Porque já agora repousaria tranquilo. Morrer por ocasião do nascimento teria sido muito melhor do que uma vida na morte. Permanente sono e paz teriam resultado da morte do infante Jó, muito melhor do que a morte viva do Jó adulto. Como é claro, Jó não antecipava a continuação da vida através de uma alma imortal. Tal crença só surgiu na fé hebraica no tempo dos Salmos e Profetas e, mesmo assim, ainda não claramente definida. Delineamentos de doutrinas como o céu e a terra teriam de esperar pelos livros apócrifos e pseudepígrafos e, finalmente, pelo Novo Testamento. A teologia, como qualquer outro campo do conhecimento, cresce e se desenvolve. De muitas maneiras, a teologia dos hebreus era deficiente. Se assim não fosse, não haveria necessidade das revelações do Novo Testamento.

Nas Escrituras, a morte, tal como em certa expressão idiomática moderna, é chamada de sono (ver Sal. 13.3). Isso não subentende, nos primeiros livros da Bíblia, que somente o corpo dorme, e a alma vai para Deus, conforme dizem alguns intérpretes cristãos ao comentar sobre o presente versículo. Antes, em consonância com a teologia deficiente da época. Jó via a morte como sono etemo (não-existência) do ser que antes existira.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1875.

Por que não morri na madre ou ao nascer? (v. 11). Tudo que há de mais carinhoso, como um regaço que recebe um novo ser, está para sempre amaldiçoado; por que houve um regaço que me acolhesse? (v. 12). Tudo que há na vida de mais contentamento, que é a chegada de um novo ser para alegrar um lar e aumentar uma família, está agora denegrido. Para Jó, tal coisa é um símbolo de dor, de aflição, pois a morte é o seu maior desejo, porquanto assim estaria tranqüilo e sossegado. Sim, isso é o mais desejável para este sofredor; todavia, quanto mais a quer, mais ela foge dele. E por que os seios, para que eu mamasse (v. 12).

Não há quadro mais expressivo do que o de uma boa mãe acalentando ao seio o seu rebento. É a coisa mais linda e mais sugestiva, porque dá a idéia de uma nova vida em flor. Para Jó, porém, tudo isso é abominável, é símbolo de desgraça. O seu sofrimento engolfa tudo que há de mais lindo e de mais especioso na vida. Se houvesse morrido ao nascer estaria em paz, descansaria com os grandes da terra, que dormem no pó, conselheiros que edificaram para si mausoléus, príncipes que nadavam em ouro (vv. 14,15).

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

2. Livre de tribulações.

Ou, como aborto oculto, eu não existiria. Bendito Aborto. Certos infantes nunca veem a luz do nascimento. O útero os expulsa, mortos. Essa era outra condição que teria aliviado Jó dos sofrimentos que ele experimentou como adulto.

O infante (um feto já bem desenvolvido) nasceu morto, arrancado abruptamente da árvore da vida. O corpinho minúsculo foi sepultado. Os pais sacudiram a cabeça e perguntaram: “Por quê?’. Seja como for, a criança nada sofreu. Haveria uma alma já em companhia do corpo que se foi para algum mundo espiritual? Alguns teólogos respondem com um “sim” e outros com um “não”.

Alguns eruditos dizem-nos que a alma não chega a combinar-se com corpo que ela sabe não ser viável, isto é, que não viverá. Nesse caso, o corpo infante, abortado, nunca foi habitado por uma alma. Jó, entretanto, não aceitava esse tipo de teologia. De fato, ele estava interessado unicamente na doce morte que punha fim a todas as coisas, incluindo os sofrimentos.

Que dizer sobre a morte dos infantes e a questão da salvação? Ver no Dicionário o artigo intitulado Infantes, Morte e Salvação dos, que apresenta as várias teologias que acompanham o fenômeno.

Minha vida terminou tão cedo Que não sei Por que começou.

(epitáfio achado no túmulo de um infante, no oeste dos Estados Unidos)

Houve um costume mediante o qual os infantes abortados eram sepultados em poços ou cavernas, mas é provável que a maioria deles tenha recebido sepultamentos normais. Cf. Eclesiastes 6.3-5, que emite sentimentos similares aos de Jó.

Morte, Bendito Nada para Todos (3.17-19)

Os vss. 17-19 falam da igualdade de todos no esquecimento. A morte traz o nada total, e esse nada é igual para todos quantos viveram, sem importar se foram fortes ou fracos, ricos ou pobres, reis ou aldeões, criminosos ou justos, opressores ou oprimidos, grandes ou pequenos, escravos ou mestres. Todos os mortos tornam-se uma massa inexistente, um doce nada. Esses obtiveram a paz final. Não há como Jó pudesse ter contemplado qualquer tipo de vida de uma alma imaterial, combinada com algum julgamento pelo mal e alguma bênção para os justos. Ele não estava dizendo: “A morte torna iguais todas as almas que habitam em um mesmo lugar”. Ele estava dizendo: “A morte produz a não-existên- cia para todos, e isso é bom”.

Compare o leitor os sentimentos expressos por Horácio (Odar. lib. 1. Od. iv. vs. 13).

A morte é o estado

Onde compartilham de uma honra igual,

Aqueles que foram sepultados ou não;

Onde Agamenom não sabe mais Que ele desprezou íris;

Onde o belo Aquiles e Tersites jazem Igualmente nus, pobres e secos.

Os gregos pensavam que era uma calamidade para o corpo morto permanecer insepulto, porquanto isso (alegadamente) impedia a viagem da alma para o mundo dos espíritos. Mas Horácio não viu vantagem em ser sepultado ou ficar insepulto. Outrossim, a sua honra era, de fato, uma desonra. Seu mundo dos espíritos era um lugar lúgubre.

A sorte bate à porta de todo homem, de maneira imparcial. Bate à porta do palácio e à entrada da cabana do campo. A sorte de Jó, pois, não tomou nenhuma alma para alguma outra existência, mas apenas deixou corpos, sepultos e insepultos. Que diferença fazia se aqueles corpos haviam sido antes grandes homens ou homens comuns? Que diferença fazia que alguns tivessem construído pirâmides, e outros cabanas sem janelas?

A morte devora tanto os cordeiros como as ovelhas.

A morte é a grande niveladora.

(Provérbio de século XVII)

0 Clamor (3.20-26)

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1878.

Jó está pensando no Sheol, onde grandes e pequenos, bons e maus dormem o sono eterno da vida.

Supõe que lá haja descanso. É uma espécie de Nirvana budista, onde não há consciência nem sensação alguma. Uma aniquilação de tudo que foi e que poderia ser. Jó conjetura o que seja a morte, para onde vão grandes e pequenos, ricos e pobres, juntando-se todos num mesmo lugar. Lá, pensava ele, haveria paz. Entretanto, quanto mais pensa na morte, tanto mais ela foge dele. Parece que se sente até relativamente feliz, em estar junto com os grandes da terra, mas em paz, onde as paixões da vida não existem, as competições acabaram e os ruídos cessaram. Tudo é silêncio e sossego.

O feitor lá não existe, nem o verdugo; o escravo está livre do seu senhor, e a tarefa da senzala já terminou. O Sheol é um mundo negativo, mesmo na teologia judaica, onde todos aguardam o dia da sua recompensa. É um mundo parado. O silêncio é eterno, a monotonia é completa. É a negação da vida ativa, da luta pelo melhor.

Para Jó, no entanto, era isso que convinha, que o convidava, que o seduzia. Fugir da vida, desta vida de dores, de sofrimentos, de injustiças, eis a sua suprema aspiração. Entretanto a morte estava muito longe; agarrados a ele estavam só as suas feridas, os seus tumores, os pesadelos e sobressaltos. Este era o seu viver presente e era-lhe abominável. A morte, sim, era doce, suave, mbora longe; isso o devorava, pois não cândida e acalentadora, e tinha idéia do fim da sua situação, se demoraria ou se seria em breve; e, uma vida assim é, sem dúvida, mil vezes mais insuportável do que a pior das mortes. Ai estaria toda a solução da vida de Jó. Não havia outra alternativa.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

3. Uma realidade para o cristão.

Ele os consola com uma promessa de paz em si mesmo, em virtude da sua vitória sobre o mundo, sejam quais forem as dificuldades com que eles se depararem (v. 33): ‘“Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz’. E, se não a tiverdes comigo, não a tereis nunca, de maneira nenhuma, pois no mundo tereis tribulações.

Vós não deveis esperar por mais ninguém, mas deveis alegrar-vos, pois Eu venci o mundo”. Observe:

1. O objetivo que o Senhor Jesus Cristo tinha ao pregar este sermão de despedida aos seus discípulos: que nele, eles pudessem ter paz. Com isto, Ele não pretendia dar-lhes uma visão completa daquela doutrina da qual, em pouco tempo, eles se tornariam mestres, pelo derramamento do Espírito, mas somente fazê-los perceber, neste momento, que seu afastamento deles tinha, realmente, as melhores intenções. Ou podemos interpretar de maneira mais genérica: Cristo tinha dito tudo isto a eles, para que, quando se alegrassem nele, pudessem sentir a melhor alegria em si mesmos.

Observe: (1) É a vontade de Cristo que todos os seus discípulos tenham paz interior, quaisquer que sejam os problemas externos. (2) A paz em Cristo é a única paz verdadeira, e somente nele os crentes a têm, pois Ele mesmo é nossa paz, Mateus 5.5. Por intermédio dele, nós temos paz com Deus, e, da mesma forma, nele, nós temos paz no nosso espírito. (3) Este é o objetivo da Palavra de Cristo, que nele possamos ter paz. A paz é o fruto dos lábios, e especialmente dos lábios santos do Senhor Jesus, Isaías 57.19.

2. A acolhida que eles provavelmente encontrariam no mundo: “Vocês não terão uma paz exterior, nunca esperem tê-la”. Embora fossem enviados para proclamar a paz na terra, e a boa vontade para com os homens, eles deveriam esperar problemas na terra, e má vontade por parte dos homens. Observe que a sorte dos discípulos de Cristo era ter tribulações neste mundo, maiores ou menores.

Os homens os perseguem por serem tão bons, e Deus os corrige por não serem melhores. Os homens desejam eliminá-los da terra, e Deus deseja, pelos sofrimentos, torná-los adequados para o céu. E desta maneira, entre ambos, eles terão tribulações.

3. O incentivo que Cristo lhes dá com referência a isto: “Mas tende bom ânimo”, tharseite. “Não somente se sintam consolados, mas tenham coragem. Tenham bom ânimo, e tudo ficará bem”. Observe que, em meio às tribulações deste mundo, é o dever e o interesse dos discípulos de Cristo ter bom ânimo, para que possam conservar seu deleite em Deus, independentemente daquilo que os estiver pressionando.

E sua esperança em Deus também deverá ser mantida, independentemente daquilo que os estiver ameaçando. Eles, sem dúvida, estarão contristados, de acordo com o estado de espírito da ocasião, e ainda assim estarão sempre alegres, sempre de bom ânimo (2 Co 6.10), mesmo em meio às tribulações, Romanos 5.3.

4. A base para tal incentivo: “Eu venci o mundo”. A vitória de Cristo é um triunfo ciistão. Cristo venceu o príncipe deste mundo, desarmou-o, e expulsou-o. E ainda esmaga Satanás debaixo dos nossos pés (Rm 16.20). Ele venceu os filhos  este mundo, pela conversão de muitos à fé e à obediência do seu Evangelho, tornando-os filhos do seu reino.

Quando Ele envia seus discípulos para pregar o Evangelho a todo o mundo, “Tende bom ânimo”, diz Ele, “‘Eu venci o mundo’, e assim como Eu venci, vós também vencereis.

Embora tenhais tribulações no mundo, ainda assim ganhareis seu espaço e cativareis o mundo”, Apocalipse 6.2. Ele venceu os maldosos do mundo, pois muitas vezes o Senhor silenciou seus inimigos, pela vergonha. “E tenham bom ânimo, pois o Espírito os capacitará para que possam fazer a mesma coisa”. Ele venceu as coisas malignas do mundo, sujeitando-se a elas. Ele suportou a cruz, desprezando-a, e se sujeitou a uma grande vergonha.

O Senhor também venceu as coisas boas deste mundo, estando completamente morto para elas. Seus olhos não viram beleza nas suas honras, nem encantos nos seus prazeres. Nunca houve no mundo um vencedor como Cristo, e nós devemos nos sentir encorajados por isto: (1) Pelo fato de Cristo ter vencido o mundo antes de nós, podemos considerar o mundo como um inimigo derrotado, que muitas vezes foi frustrado.

Na verdade: (2) O Senhor o venceu por nós, sendo o capitão da nossa salvação. Nós temos interesse na sua vitória.’ Pela sua cruz, o mundo foi crucificado para nós, o que indica que o mundo foi completamente derrotado e transferido para nossa possessão. Tudo pertence ao Senhor, até o mundo.

Tendo Cristo vencido o mundo, os crentes nada têm a fazer, senão buscar sua vitória e dividir os despojos. E isto nós fazemos pela fé, 1 João 5.4. Nós somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 1011.

Em uma nota final de encorajamento, Jesus prometeu aos discípulos paz por meio da união com Ele – pois Ele venceu o mundo ao ressuscitar dos mortos. O mundo, o sistema de Satanás que é contrário a Deus, irá causar aos crentes muitas aflições.

Mas Jesus derrotou o sistema de Satanás, obteve a vitória e venceu o mundo. Antes da sua própria aflição, Jesus já podia falar de uma missão cumprida. Isto acrescenta impacto à sua vitória sobre Satanás, uma vez que Ele não só a obteve, mas também a predisse! Os discípulos poderiam alegrar-se continuamente com a vitória porque estavam no time vencedor.

Jesus resumiu tudo o que lhes tinha dito esta noite, unindo temas de 14.27-29,16.1-4e 16.9-11. Com estas palavras Ele disse aos discípulos que tivessem coragem. Apesar das lutas inevitáveis que teriam, eles não estariam sós. Assim como o Pai de Jesus não o deixou sozinho, Jesus também não nos abandona nas nossas lutas. Se nos lembrarmos de que a vitória definitiva já foi obtida, podemos reivindicar a paz de Cristo nos tempos mais conturbados. Jesus quer que tenhamos paz.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 585.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

III – TERCEIRO LAMENTO DE JÓ: POR QUECONTINUO VIVO? (3.20-26)

1. Vale a pena viver?

Por que se concede vida ao miserável…? Seria um desserviço a Deus dar vida a um corpo que, ao chegar ao estágio adulto, experimentasse miséria e dor? Qual o propósito servido pelo sofrimento humano? Jó lutou com o problema do mal, quanto à exposição dos principais problemas do livro de Jó. Por que os inocentes sofrem? Compreendemos a lei do carma, isto é, a lei moral da colheita segundo a semeadura.

Mas tal lei não resolve o porquê do sofrimento. Algumas vezes os homens sofrem sem causa (aparente). Jó 2.3 diz que Jó “sofreu sem causa”, ou seja, “sem razão alguma”. Pode o caos atacar a um homem justo’, enquanto Deus se põe de lado e não presta atenção a coisa alguma? Jó debateu-se com os mistérios da providência divina. Sua mente estava perplexa diante de enigmas. Por muitas vezes, em seu solilóquio (capítulo 3), Jó perguntou “Por quê?’. Ver os vs. 11,12,16,23 e cf. Jó 7.20 e 13.24.

Para Jó, era incongruente que a vida tivesse sido usada somente para fomentar o sofrimento. Portanto, ele perguntava “por quê?’.

Jó estava laborando definitivamente sob a ilusão de que a vida humana é algo que acontece uma única vez, e a morte extingue essa vida, que antes um homem tivera. Se ele pudesse ver uma vida de sofrimentos como somente um capitulo na história contínua da alma, então poderia ter posto essa vida sob melhor perspectiva. A Igreja Ortodoxa Oriental acredita na preexistência e na pós- existência da alma, e crê que a associação com o corpo seja uma vicissitude da alma. A Igreja Ocidental, por sua vez, acredita na sobrevivência da alma após a morte biológica. As religiões orientais acreditam na imortalidade e na reencarnação.

Todas essas respostas são melhores do que a teologia deficiente de Jó. A visão patriarcal de Jó sobre o homem não era capaz de tratar com o problema do sofrimento. A visão patriarcal fornecia ao homem apenas uma única existência física. A teologia posterior dos hebreus remediou isso até certo ponto. Nosso conhecimento sobre a alma continua a crescer. Sabemos mais agora sobre a natureza espiritual do homem do que sabíamos no começo do período neotestamentário. A teologia é uma ciência em contínuo crescimento e, conforme ela cresce, o quadro se torna mais otimista, e não pessimista.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1878.

A morte, para o cristão, é um fato natural e até a mensageira de Deus, que bem-vindo, quando encarada como vem buscar o servo cansado das agruras desta vida. Foi assim para São Francisco de Assis, que a chamava de “morte, doce, morte”. Para Jó seria a fuga do desespero; a luz, que a morte era para ele o fim tenebroso de tudo. lega aos servos de Deus, Então a sua queixa: Por que se concede luz ao Miserável e vida aos anmrgurados de coração (vv. 20,21).

A luz, bênção mui desejável aqui e além, era para Jó o sofredor, o contrário. As trevas lhe eram supremo desejo. Os que esperam a morte, e ela não vem, são infelizes, pois a vida não interessa aos desesperados. Esta linguagem não implicava numa acusação a Deusp porquanto, Jó manteve integralmente a sua devoção ao Criador; está, fala no vazio. Cremos que, no íntimo de sua alma, restava a esperança em Deus, e isso mostrou noutros discursos, se bem que aqui coloque frente a frente a sua situação de indescritível desespero.

É assim que se deve entender a linguagem um tanto arrogante de Jó. Uma queixa, quando muito, pois Deus foi quem lhe mandou esta prova. Um homem como Jó cava pela morte mais do que por tesouros escondidos. Seu sonho predileto: morrer, descansar. Um túmulo era a coisa mais desejável; isso que horroriza a tantos era mina para ele (v. 21).

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

2. Sem o favor de Deus?

Por que se concede luz ao homem…? Luz, neste versículo, significa vida através do nascimento. Ser trazido à iuz é ser trazido à vida física. Confiamos em que Deus nos cerque, isto é, ponha uma barreira de proteção ao nosso derredor, mantendo fora o mal e os sofrimentos. No caso de Jó, pelo contrário, ele foi cercado por sofrimentos, cortado de toda a ajuda externa e mantido prisioneiro em sua casa de dores. Jó estava perplexo diante da ação reversa de Deus. Quando deveria ter sido protegido, foi perseguido por males de toda a espécie. A muralha que Deus construíra, a fim de manter a miséria de fora, mostrou ser o portão pelo qual a dor entrou. Neste versículo, Jó, pela primeira vez, atribuiu suas calamidades diretamente a Deus.

A teologia dos hebreus era fraca quanto a causas secundárias para quem Deus fora feito Única Causa e, portanto, até a origem do mal. Mas a vontade de Deus era considerada suprema, e ninguém podia falar contra isso. Esse é o tipo de teologia que encontramos em Rom. 9, o que significa que essa forma de teologia sobreviveu no tempo do Novo Testamento. Uma teologia mais iluminada, tanto dentro quanto fora do Novo Testamento, reconhece o livre-arbítrio humano como a existência de causas secundárias que explicam o mal. A teologia hebraica primitiva criou um Deus voluntarista, cuja vontade é suprema e age contra a moralidade, conforme os homens a entendem. Ver Jó 1.11, quanto aos vários problemas do livro criados pelas diversas formas de teologia primitiva.

Ver Jó 1.10, quanto ao uso que Satanás fez da palavra “sebe’ (cerca) para indicar os cuidados protetores de Deus. Algo na ordem da criação havia saído errado. As aves entoavam um cântico contrário. O sol estava muito quente. A natureza pisava sobre Jó. Temores deixavam sua mente perplexa. Quem se responsabilizaria por todas essas crises, por toda essa dor?

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1879.

O sofrimento faz perder a noção das coisas e leva o sofredor a inverter os valores da vida. A morte, para uns, é o fim de tudo; para Jó era o começo, era o descanso. A luz que alegra os olhos a, por cuja causa tudo vive e existe, e sem e dá vida à naturez ela tudo morre era para ele um contrassenso, porque não sabia para onde estava caminhando. Comentou uni certo escritor: “A luz sem liberdade é uma pobre dádiva.” A luz, para um encarcerado a penas perpétuas, é uma concessão mesquinha; ainda assim, todos os condenados a querem, pois é melhor que a morte, que ninguém deseja.

Só os loucos preferem morrer, a viver. É o último ato que um pobre mortal pode praticar a morte. Acredita-se que os suicidas são criaturas que perderam a esperança da vida. A morte para os tais é uma felicidade, porque termina tudo, pensam. Esta era a situação de Jó. Por que se concede luz àquele cujo caminho é escuro, oculto, àquele a quem Deus (Elohim) cercou por todos os lados? (v. 23).

Para os tais, parece, não havendo salda para a vida, a morte é mesmo o melhor. Neste ponto Jó estaria com a razão. Essa filosofia é discutível numa pessoa que ainda conserva o senso das coisas, ainda não enlouqueceu; todavia, a dor também enlouquece. Só o amor a Deus e a segurança da Sua presença podem dar, ao aflito, o consolo e a coragem para desejar viver. Temos visto pessoas sofrendo fisicamente as maiores agonias, mas lucidamente louvando a Deus; no entanto, há sofrimento moral que perturba tanto os sentidos, que oblitera a razão, e tudo se altera em tal pessoa (compare o verso 23 com o Sal. 118:5). Por que, em vez do meu pdo, me vêm gemidos (v. 24).

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

3. Um caminho de sabedoria e maturidade.

3.1 As palavras gregas na frase “já ressuscitastes” expressam certeza. Uma vez mortos em seus pecados, estes crentes foram ressuscitados, assim como Cristo foi ressuscitado pelo poder de Deus. Eles tinham recebido de Deus uma nova vida, através do poder do Espírito Santo.

Eles não precisavam lutar e trabalhar para alcançar esta vida, como os falsos mestres estavam tentando lhes dizer; eles já tinham a nova vida! O que restava era colocar em prática as suas implicações na vida cotidiana. Por terem sido ressuscitados, tinham uma clara responsabilidade para com Cristo, que os havia ressuscitado.

Primeiro, eles deveriam buscar as coisas que são de cima. A palavra grega para “buscar” significa procurar algo com o desejo de possuí-lo.

Os outros mestres religiosos também enfatizavam as “coisas celestiais”, mas Paulo estava recorrendo à realidade mais elevada de todas, o Cristo exaltado. Os crentes devem tirar o seu principal enfia que do mundo e volta-lo para Cristo, que está assentado à destra de Deus, no lugar de honra e poder O trono de Cristo à destra de Deus revela o seu poder, autoridade e posição tanto de Juiz como de Advogado. Os crentes colossenses já tinham experimentado esta exaltação; eles precisavam se dedicar a viver a vida na terra como cidadãos do céu.

3.2 “Pensar nas coisas que são de cima” significava concentrar-se no eterno em vez do temporal, deixando que os seus pensamentos habitassem o reino de Cristo. Eles deveriam se concentrar no Senhor Jesus. Os pensamentos podem influenciar as ações, de modo que, se os crentes colocassem os seus pensamentos nas coisas de cima, e não nas que são da terra, suas ações agradariam a Deus. As coisas na terra referem-se aos rituais legalistas, aos métodos falsos usados para se alcançar a santidade, e até aos princípios básicos do mundo que são descritos no capítulo 2.

Mas, como eles poderiam ter os seus pensamentos repletos com as coisas do céu? Paulo havia explicado isto em uma outra carta: “Tudo o que é verdadeiro,… honesto,… justo,… puro,… amável,… de boa fama,… se há algum louvor, nisso pensai” (Fp 4.8; veja também Cl 3.12).

Eles não deveriam viver como céticos em algum reino místico e visionário; antes, Paulo estava dizendo que, ao buscarem as coisas que são de cima, a vida deles nesta terra seria agradável a Deus, e eles ajudariam a realizar a obra de Cristo.

3.3,4 O tempo verbal grego aoristo, na frase “porque já estais mortos”, denota que morremos quando Cristo morreu. Isto aconteceu em um ponto da história. Na morte de Cristo, todos os crentes morreram (2.20).

Então, como uma semente enterrada na terra, a verdadeira vida do crente está escondida do mundo, assim como a glória de Cristo está escondida, para ser revelada apenas quando Ele voltar (3.3,4). A vida espiritual dos crentes é uma vida interior escondida que está em união com Cristo, que os trouxe para que estejam com Ele em Deus.

Um dia, quando Cristo se manifestar em sua glória, os crentes também se manifestarão com ele em glória. A vida divina de Cristo será plenamente revelada e nos glorificará (revelará o nosso verdadeiro potencial como filhos de Deus). Os cristãos aguardam ansiosamente o novo céu e a nova terra que Deus prometeu, e esperam a nova ordem de Deus, que libertará o mundo do pecado, das enfermidades, e do mal.

Enquanto isso, eles entram com Cristo no mundo, onde curam os corpos e almas das pessoas e combatem os efeitos do pecado. Cristo nos dá poder para que vivamos para Ele agora, e também nos dá esperança para o futuro — Ele voltará. No restante deste capítulo, Paulo explica como os cristãos devem agir agora, para que estejam preparados para a volta de Cristo.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 415-416.

Evidenciamos a verdadeira conversão quando desejamos as coisas do céu mais do que as da terra (3.1 -4) A verdadeira conversão pode ser percebida: pela nossa identificação com Cristo e pela nossa aspiração por Cristo. Vamos considerar esses dois pontos.

Em primeiro lugar, os convertidos se identificam com Cristo (3.1-4). O apóstolo Paulo menciona os seguintes aspectos da nossa identificação com Cristo.

a. Nós morremos com Cristo (3.3a). Cristo não apenas morreu por nós (substituição), mas nós também morremos com Ele (identificação).333 Estávamos mais pertos de Cristo do que os dois malfeitores que foram crucificados com Ele. Estávamos na cruz do centro. Na cruz Cristo não apenas pagou a nossa dívida com Sua morte, mas também quebrou o poder do pecado em nossa vida. O apóstolo pergunta: “Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Rm 6.2).

Russell Shedd está correto quando diz que a morte inevitavelmente desliga o morto’ dos interesses deste mundo. De igual forma, na morte com Cristo deve haver uma mudança de 180 graus na ambição do convertido.

b. Nós vivemos em Cristo (3.4a). Cristo é a nossa vida.

Paulo disse aos filipenses: “Para mim o viver é Cristo (Fp 1.21). Aos gálatas, Paulo afirmou: “Não sou eu mais quem vive, mas é Cristo que vive em mim” (G1 2.20). A vida eterna é Cristo. “Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (ljo 5.12).

A essência da vida eterna é conhecer a Cristo (Jo 17.3).

William Barclay conta que algumas vezes dizemos de alguém: “A música é sua vida. O esporte é sua vida. Fulano vive para trabalhar”. Os tais encontram a vida e tudo o que ela significa na música, nos esportes e no trabalho. Para o cristão, porém, Cristo é a vida. Jesus Cristo domina seu pensamento e preenche sua alma.

c. Nós ressuscitamos com Cristo (3.1a). A expressão grega ei oun synegerthete fala de uma ação completada. Ela pode ser traduzida como segue: “Tendo em vista que vocês ressuscitaram”. Os cristãos possuem dentro de si mesmos a vida da ressurreição. Portanto, devem experimentar o poder da ressurreição de Cristo em um grau cada vez mais alto.

O apóstolo Paulo escreve: “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus” (3.1). A condicional “se” deste primeiro versículo não é uma expressão de dúvida. Todos os que recebem a Cristo estão identificados com Ele na Sua morte, sepultamento, ressurreição e ascensão.

Warren Wiersbe diz que o sentido mais exato desse termo seria “uma vez que”. Nossa posição exaltada em Cristo não é algo hipotético, tampouco um alvo que devemos esforçar-nos para alcançar. E um fato consumado.

E possível estar vivo e ainda viver na sepultura. Em 1986, visitei o Egito e fiquei surpreso ao ver famílias morando dentro do cemitério, na cidade do Cairo. Durante a Segunda Guerra Mundial, vários refugiados judeus esconderam-se em um cemitério; sabe-se até de um bebê que nasceu em um dos túmulos.339 Porém, quando cremos em Cristo, Ele nos tira da sepultura e nos transporta para os lugares celestiais, onde está assentado à destra de Deus.

d. Nós estamos escondidos com Cristo (3.3b). Nós não mais pertencemos ao mundo, mas a Cristo. As fontes da vida nas quais nos alegramos vêm somente Dele.

Russell Shedd está coberto de razão quando declara não haver razão alguma para procurar outras fontes nem meios para o suprimento da vida cristã, como encorajavam os hereges gnósticos. Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (2.3).

William Barclay diz que os falsos mestres achavam que os seus livros guardavam e escondiam a sabedoria. Esses livros, chamados de apokrifoi, eram livros escondidos de todos, exceto daqueles que eram iniciados na leitura. Esses apokrifoi — livros escondidos — continham para o gnóstico os tesouros da sabedoria. Agora, a palavra que Paulo usa para dizer que estamos escondidos com Cristo em Deus é parte do verbo apokrytein, de onde procede o adjetivo apokrytos. Sem dúvida que uma palavra sugere a outra.

E como se Paulo dissesse: “Para vós outros os tesouros da sabedoria estão escondidos em vossos livros secretos; para nós outros, porém, Cristo é o tesouro da sabedoria e nós estamos escondidos Nele”. Estar escondido com Cristo significa que Nele nós temos segurança e satisfação.

A nossa esfera de vida não é mais terrena. Nascemos do alto. Buscamos as coisas do alto. Estamos assentados com Cristo nas regiões celestes. Nossa Pátria está no céu. Aspiramos às coisas do céu. Isso não significa irresponsabilidade com as coisas da terra, mas significa que os nossos motivos e a nossa força vêm do céu, e não da terra.

e. Nós estamos glorificados com Cristo (3.4b). Cristo agora está assentado à direita de Deus Pai no céu, mas um dia Ele virá em glória para nos levar para o lar (lTs 4.1318).

Quando Ele se manifestar, nós, que estamos escondidos com Ele, também seremos manifestados em glória (ljo 3.2). É óbvio que Cristo e nós não somos da mesma essência, como o são o Pai e o Filho. Nada obstante, a vida de Cristo é a fonte e modelo de nossa vida. Na mente e nos decretos de Deus nós já estamos glorificados (Rm 8.30).

Seguindo o modo de falar hebraico, esse é o tempo passado profético. Essa glória simplesmente ainda não foi revelada. Ela ainda está por vir. Geoffrey Wilson, citando F. F. Bruce, diz que “a santificação é a conformidade progressiva à imagem de Cristo aqui e agora; a glória é a conformidade perfeita à imagem de Cristo lá e então. Santificação é glória começada; glória é santificação completada”. O fim do nosso caminho não é o sepulcro coberto de lágrimas, mas o hino triunfal da gloriosa ressurreição. A nossa jornada não terminará com o corpo surrado pela doença, enrugado pelo peso dos anos, coberto de pó na sepultura, mas receberemos um corpo de glória, semelhante ao de Cristo (Fp 3.21).

Nosso choro cessará, nossas lágrimas serão estancadas. Não haverá mais luto, nem pranto, nem dor (Ap 21.4).

Em segundo lugar, os convertidos têm aspiração por Cristo (3.1,2). Essa aspiração por Cristo é descrita pelo apóstolo Paulo de duas maneiras.

a. Os convertidos buscam mais as glórias de Cristo do que as glórias deste mundo (3.1). O verbo grego zeteite, que Paulo usa para “buscar”, está no presente e isso demanda uma aãvidade contínua e habitual. Essa palavra tem também o sentido de “investigar”. Na mesma linha de pensamento,

William Hendriksen diz que o verbo “buscar” implica uma busca perseverante. Este buscar é mais do que um buscar para encontrar; é um buscar para possuir.

Uma pessoa convertida busca em primeiro lugar o reino de Deus e a Sua justiça. Busca prioritariamente as coisas do céu. Aspira mais pelo Reino dos céus do que por riquezas na terra. Um indivíduo convertido tem saudade do céu.

Seus olhos estão postos naquela cidade cujo arquiteto e fundador é Deus. O céu é o seu lar, sua recompensa, seu prazer, sua origem e seu destino.

b. Os convertidos pensam mais nas coisas do céu do que nas coisas da terra (3.2).

Ralph Martin diz que o verbo phronein, “pensar” significa muito mais do que um exercício mental, e tem pouco a ver com o estado emocional da pessoa. Sua esfera é mais aquela da motivação na medida em que o motivo determina uma linha de ação e a conduta do indivíduo. As coisas do alto deviam inspirar e controlar a vida dos cristãos. Os nossos pés devem estar sobre a terra, mas a nossa mente deve estar no céu. Hoje vivemos a inversão desses valores. Os cristãos querem um paraíso neste mundo e ajuntar tesouros na terra. Estão agarrados às coisas da terra, por isso não aspiram às coisas do céu.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

5 Lição 4 tri 20 O Lamento de Jó

1° Lição – O Livro de Jó

2° Lição – Quem Era Jó

3° Lição – Jó e a Realidade de Satanás

3 Lição 4 tri 20 Jó e a realidade de Satanás

4 Lição 4 tri 20 O Drama de Jó

4 Lição 4 tri 20 O Drama de Jó

4 Lição 4 tri 20 O Drama de Jó
A fragilidade Humana e a Soberania Divina

Texto Áureo

“E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR.” (Jó 2.21)

Verdade Prática

A despeito das grandes provações que se abatem em nossa vida, à luz do exemplo de Jó, devemos permanecer fiel ao Senhor

Continue lendo “4 Lição 4 tri 20 O Drama de Jó”