1° LIÇÃO 3° TRIMESTRE 2020 DANIEL ORA POR UM DESPERTAMENTO

DANIEL ORA POR UM DESPERTAMENTO
1° Lição: DANIEL ORA POR UM DESPERTAMENTO
Daniel ora por um despertamento
Daniel ora por um despertamento

Txxto Áureo

Confessai as vossas culpas uns aos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. (Tg 5.16)

Verdade Prática

O crente dedicado à oração pode exercer influência no céu, na Terra e até contra os poderes malignos.

Daniel 9.1-3; 6.10; 2.17-19; Esdras 1-2-5

 DANIEL 9

1 – No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da nação dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus,

19 – Então, foi revelado o segredo a Daniel numa visão de noite; e Daniel louvou o Deus do céu.

2 – no ano primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número de anos, de que falou o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos.

Esdras 1

1 – No primeiro ano de Pérsia (para que se cumprisse a palavra do SENHOR, por boca de Jeremias), despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo:

3 – E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração, e rogos, e jejum, e pano de saco, e cinza.

2 – Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra; e ele me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá.

Daniel 6

10 – Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa (ora, havia no seu quarto janelas abertas da banda de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como também antes costumava fazer.

3 – Quem há entre vós, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém, que é em Judá, e edifique a Casa do SENHOR, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém.

Daniel 2

17 – Então, Daniel foi para a sua casa e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros,

18 – para que pedissem misericórdia ao Deus dos céus sobre este segredo, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem com o resto dos sábios da Babilônia.

4 – E todo aquele que ficar em alguns lugares em que andar peregrinando, os homens do seu lugar o ajudarão com prata, e com ouro, e com fazenda, e com gados, afora as dádivas voluntárias para a Casa de Deus, que habita em Jerusalém.

5 – Então, se levantaram os chefes dos pais de Judá e Benjamim, e os sacerdotes, e os levitas, com todos aqueles cujo espírito Deus despertou, para subirem a edificar a Casa do SENHOR, que está em Jerusalém.

HINOS SUGERIDOS: 84, 296, 577 da Harpa Critã

OBJETVO GERAL

Conscientizar os alunos sobre necessidade de estudar a Palavra e orar em busca de um despertamento. Proveniente de Deus, nesses dias trabalhosos.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com seus respectivos subtópicos.

I Apresentar os motivos que levaram Daniel a ser despertado para a oração;

II Pontuar a resposta divina às orações de Daniel;

III Destacar o resultado de um despertamento proveniente de Deus.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Vamos iniciar mais um trimestre com a graça do nosso Senhor Jesus. Estudaremos “Os Princípios Divinos em Tempos de Crise: A Reconstrução de Jerusalém e o Avivamento Espiritual como Exemplos para os nossos Dias”, um assunto que não pode ser negligenciado e muito menos esquecido pela Igreja do Senhor, principalmente nos dias em que a perseguição sutil vem, deforma crescente, abatendo sobre nós. Sempre que o povo de Deus passava por momentos difíceis, o despertamento mostrara-se o melhor caminho para a vitória dos servos de Deus sobre os seus inimigos. Que o Senhor da Seara desperte sobre nós o avivamento puro e genuíno, capaz de mudar o cativeiro dos servos fiéis, fortalecendo-os na Palavra, incentivando-os a uma vida de oração e capacitando-os a levar o arrependimento a este mundo que caminha em densas trevas.

Pastor Eurico Bergstén

Ao introduzir a lição, apresente o comentarista deste trimestre, o saudoso pastor Eurico Bergstén, que comentou esta lição ainda na década de 90, cujo assunto permanece tão atual e necessário para os crentes de todas as épocas. Eurico Bergstén muito contribuiu com a literatura evangélica brasileiro, sendo autor da Teologia Sistemática que leva o seu nome, bem como autor de diversos livros e comentarista de lições bíblicas. Vale a pena citar que o pastor foi o comentador que teve mais comentários publicados pela CPAD, 35 ao todo. São comentários que, até hoje, continuam abençoando e edificando vidas para a glória de Deus! É o que poderemos confirmar neste trimestre.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Os crentes fiéis brilham como a luz (Mt 5.15) e resplandecem no meio de uma geração corrompida e perversa (FP 2.15). Assim era Daniel. Quando no ano 606 a.C. foi levado cativo para a Babilônia (Dn 1.1-4,6), era ainda muito jovem, tinha cerca de 15 anos. Muitos anos depois, Daniel gozava de elevado conceito no reino da Babilônia.

Ponto central

Precisamos estudar a palavra e ora por despertamento espiritual.

I – DANIEL FOI DESPERTADO PARA ORAR

Ao ler o profeta Jeremias (Jr 29.10), ele observouque os 70 anos de cativeiro na Babilônia estavam para findar. Todavia, ainda não era possível notar qualquer sinal de que alguma coisa estivesse acontecendo na direção de uma mudança radical (Dn 9.2). Assim, Daniel começou a orar com jejum, cobrindo-se de saco e cinza, em sinal de profunda tristeza (Dn 9.1-3) e orou com perseverança.

1. Daniel vivia uma vida consagrada a Deus.

Isto dava-lhe condições de orar. A Bíblia diz: “A oração dos retos é o seu contentamento” (PV 15.8) e Ele “escutará a oração dos justos” (PV 15-29). Daniel não se misturou com o paganismo, e vivia conforme sua consciência, no temor do Senhor. Daniel é considerado como um exemplo e um modelo para os crentes de todos os tempos (Dn 1.8).

2. A estatura espiritual de Daniel capacitava-o para enfrentar verdadeiros combates em oração.

Muitos crentes não conseguem servir de ajuda decisiva com as suas orações, porque nunca chegaram a experimentar o que significa combater em oração, o que significa perseverar firmemente em oração (Rm 12.12; Gl 1.30; Cl 2.1). Somente “visitam”, de vez em quando, um culto de oração. Daniel, porém, tinha por hábito orar três vezes ao dia (Dn 6.10). Quando sua própria vida, bem como a de seus amigos e a de todos os sábios da Babilônia, estava em perigo, Daniel alcançou o livramento e a vitória através da oração (Dn 2.18-20). Daniel • era, portanto, experiente na vida de oração.

3. Coincidindo com o período de oração de Daniel, profundas mudanças estavam para acontecer na Babilônia.

O reino da Babilónia estava em guerra com medos e persas. O rei da Babilônia era na época Nabonido. Seu filho Belsazar estava na capital, a cidade da Babilônia, cuidando dos assuntos administrativos do governo. Belsazar organizou uma festa para seus grandes. Estando já embriagado, mandou trazer os vasos sagrados que o rei Nabucodonosor havia trazido do Templo de Deus em Jerusalém, e havia colocado no templo pagão da Babilônia. Ele e todos os seus convidados beberam vinho nestes vasos santos (Dn 5.2-4).

Houve então uma intervenção divina. O rei viu que dedos de mão de homem escreviam na parede, defronte do castiçal (Dn 5.5). Acabou-se a alegria da festa. Os joelhos do rei tremiam. Sábios e astrólogos não puderam interpretar a mensagem escrita na parede. Finalmente Daniel foi introduzido na festa (Dn 5.13) e interpretou o texto escrito na parede. Entre outras coisas, estava escrito: “Dividido foi o teu reino, e deu-se aos medos e aos persas” (Dn 5.28). “Naquela mesma noite, foi morto Belsazar, rei dos caldeus” (Dn 5.30),

SÍNTESE DO TÓPICO I

Tudo o que aconteceu na vida de Daniel foi resultado de uma vida consagrada a Deus. Era através da oração que Daniel alcançava livramento e vitória contra seus inimigos.

II – A RESPOSTA ÀS ORAÇÕES DE DANIEL

Daniel havia orado, lembrando-se da promessa de Deus registrada pelo profeta Jeremias: “Vos visitarei e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando-vos a trazer a este lugar” (Jr 29.10).

Com a queda do reino babilônico, e com o início do governo do rei Ciro, as coisas evoluíram com muita rapidez, deixando todos surpreendidos e admirados.

1. A Bíblia relata o que realmente aconteceu.

“No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do SENHOR, por boca de Jeremias), despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino. como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra; e ele me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém, que é em Judá, e edifique a Casa do SENHOR, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém” (Ed 1.1-3).

2. Conforme esta declaração de Ciro, estava cumprida a promessa divina dada através do profeta Jeremias.

Mas tudo foi como diz a Bíblia: “Tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos” (Ef 3.20). Vejamos, pois, o que estava para acontecer:

a. Todos os Judeus seriam liberados para voltarem a Judá, caso quisessem (Ed 1.3).

b. Receberam permissão para reedificar o templo.

c. Todas as despesas da construção do Templo poderiam ser tiradas dos tributos de além do rio.

d. Os vasos sagrados devem ser entregues aos cuidados de Zorobabel, nomeado governador dos judeus pelo rei Ciro, para serem transportados de volta para Jerusalém (Ed 1.7).

SÍNTESE DO TÓPICO II

A resposta divina às orações de Daniel incluía levantar Ciro para abençoar o seu povo, permitindo, entre outras ações, que o povo retornasse para Judá e reconstruísse o Templo.

III – O RESULTADO DE UM DESPERTAMENTO PROVENIENTE DE DEUS

1. O rei Ciro foi despertado em seu espírito.

” Despertou o Senhor o espírito do rei Ciro” (Ed 1.1). Talvez por meio de seu contato com Daniel é que Ciro veio a conhecer a Deus, e talvez até mesmo o adorasse. Ciro teve uma experiência pessoal com Deus no seu coração, e passou a compreender as realidades de Deus que ele antes ignorava.

a. Ciro passou a ver a Deus como o SENHOR DOS CÉUS (Ed 1.2).

O grande rei Nabucodonosor demorou a aprender esta lição (Dn 4.30-37). Cada despertamento verdadeiro faz com que o homem veja a majestade de Deus, sentindo a sua própria pequenez, o seu pecado e a sua baixeza. Saulo assolava, perseguia, fazia e desfazia, mas quando se encontrou Jesus, no caminho de Damasco, caiu por terra e apenas pôde perguntar. “Quem és Senhor?” (At 9.5). A Bíblia diz que ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor se não for pelo Espírito Santo (I co 12.3).

b. Ciro teve uma experiência com Deus, que é Santo.

Os vasos sagrados haviam sido roubados do Templo de Jerusalém, por Nabucodonosor, e guardados no templo pagão da Babilônia (2 Cr 36.18). Ciro era, agora, o responsável por eles, e mesmo sendo esses vasos muito valiosos, ele queria voluntariamente devolvê-los (Ed 1.7-11).

Assim acontece sempre em cada despertamento verdadeiro. Quando Zaqueu teve seu encontro com Jesus. quis devolver o que havia ganho com usura (LC 19.8).

2. O rei Ciro recebeu bênçãos espirituais.

O profeta Isaías, 200 anos antes, profetizou acerca de Ciro chamando-o de “ungido do Senhor” (IS 45.1). Isso nos permite entender que o Espírito Santo deve ter-lhe proporcionado alguma bênção espiritual. Cada Despertamento traz bênçãos para o coração do crente.

SÍNTESE DO TÓPICO III

O rei Ciro veio a conhecer a soberania divina e ver Deus como o Senhor dos céus e por isso foi muito abençoado pelo Todo Poderoso.

PARA REFLETIR

A respeito de “Daniel Ora por um Despertamento”, responda:

  • Com quantos anos, aproximadamente, foi Daniel levado à Babilônia? Daniel era ainda muito tinha cerca de 15 anos de idade.
  • Que escritura profética levou Daniel a orar e jejuar? A profecia de Jeremias (Jr 29.10).
  • O que está escritura dizia? A escritura profética dizia estar chegando ao fim o cativeiro dos judeus.
  • O que aconteceu no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia? O Senhor despertou o coração deste rei em favor do povo de Judá, favorecendo o retorno deste à Terra Prometida.
  • Cite um exemplo bíblico de um despertamento verdadeiro. Quando Zaqueu teve o seu encontro com Jesus.

Daniel ora por um Despertamento IntroduçãoComentário

Estudaremos a 1° lição Daniel ora por um Despertamento

Daniel Ora.

Daniel ora por um despertamento; Os cristãos são como uma cidade edificada sobre um monte – uma imagem comum na Palestina. Gostem ou não, eles estão expostos perante o mundo o tempo todo. Não se pode mais escapar de sua influência, assim como ninguém é capaz de fugir de sua própria sombra.

O termo candeia deve ser entendido como “lâmpada”; alqueire deve ser entendido como “medida de cereal” ou “cuba de farinha”; velador deve ser entendido como “castiçal”. Não se usavam velas nos dias de Jesus, mas pequenas lâmpadas de barro do tamanho aproximado da palma da mão de um homem.

Muitas lâmpadas do tempo de Cristo foram desenterradas na Palestina. Nas casas sem janelas daqueles dias, a lâmpada deveria ser colocada em um pedestal, ou mais provavelmente em um nicho na parede de barro; ela daria luz a todos aqueles que estivessem na casa. Isto seria literalmente verdadeiro nas casas de apenas um cômodo das pessoas pobres da Palestina. O azeite era o combustível usado nestas lâmpadas.

Ralph Earle. Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 57.

Conheça mais Comentário Bíblico Beacon

Luz do mundo

Os crentes também são a luz do mundo. Disse Deus a Israel: “Também te darei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até as extremidades da terra” (Isaías 49:6; cp. 42:6). A função de servo atribuída a Israel é assumida por Jesus (João 8:12; 9:5) e passada à frente, para seus seguidores.

O objetivo da luz é iluminar. Ela existe para que se possa enxergar. As cidades edificadas nas montanhas não podem ocultar-se. Que tolice descomunal acender uma lâmpada para colocá-la embaixo de um velador. As lâmpadas devem ser colocadas em candeeiros, de modo que todos na casa consigam enxergar bem.

Os seguidores de Jesus devem agir como lâmpadas em candeeiros.

Devem deixar resplandecer sua luz diante dos homens (aoristo, imperativo, terceira pessoa) de tal modo que as pessoas lhes vejam as boas obras e glorifiquem ao Pai que está nos céus. Observe que a luz não se origina nos crentes; estes devem deixá-la brilhar: assim resplandeça a vossa luz. A luz é vista nas boas obras que realizam. Trata-se menos de uma mensagem dirigida ao intelecto e mais um modo de vida exibido diante das pessoas.

Quando os de fora veem que seguir a Cristo leva a uma vida de boas obras, glorificam não o crente, mas o Pai do crente, o Pai que está nos céus.

Robert h. Mounce. Comentário Bíblico Contemporâneo. Mateus. Editora Vida. pag. 53

Paulo nos adiverte

Sim, Paulo determinou o alvo sério de seus amados: “para que vos torneis irrepreensíveis e sem falsidade, „imaculados filhos de Deus‟ no meio de „uma geração torta e pervertida‟. ” A expressão traduzida por “sem falsidade” na verdade é um adjetivo que significa “não-mesclado”. Novamente nossa teologia habitual nos leva a pensar que nossa condição na verdade sempre é muito “mesclada”. Mesmo num cristão as coisas boas e más, divinas e pecaminosas permaneceriam interligadas.

Contudo, isso não nos deve impedir de notar que Paulo evidentemente pensava de outra maneira. Ou será que realmente classificaremos Paulo de orador pomposo que profere palavras edificante que ele mesmo não leva tão a sério? Será que o interpretaríamos corretamente se inseríssemos nesta frase um “na medida do possível” que não consta ali? “Esforçai-vos para ser irrepreensíveis e não-mesclados, ainda que obviamente jamais o alcançareis de fato?”

Ao obedecer a igreja concretiza o que já foi enunciado pelo AT. No cântico de Moisés Israel é chamado de “geração torta e perversa” (Dt 32.5) porque retribui a fidelidade e glória de Deus com ingratidão e desobediência. Por isso Paulo com certeza também agora lembra de seu próprio povo, que novamente mostra toda a sua perversão diante da mensagem de Cristo.

No entanto a igreja de Jesus não foi salva para que também ela torne a seguir “caminhos tortos” e volte a associar a filiação divina com um agir pecaminoso, como fizera Israel, mas para que nela “filhos imaculados de Deus” mostrem como de fato se obedece totalmente a Deus e se anda em seus caminhos bons e “retos” sem “murmurações nem dúvidas”.

No escrito aos filipenses Paulo

Obviamente não terá esquecido que justamente naquela cidade e igreja o judaísmo não tinha muita importância. Mas os filipenses tinham suficientes evidências em seus concidadãos para saber o que vem a ser uma “geração torta e pervertida”. Era suficientemente “torto” o que aqueles “senhores” fizeram quando transformaram sua fúria pelo fim da fonte de lucros em pura indignação moral de fiéis corações romanos contra os pregadores estrangeiros “judeus”, mandando açoitar e prender esses homens sem investigação, em repúdio ao direito e à lei (At 16.19-24).

Quantas coisas semelhantes os filipenses podem ter experimentado pessoalmente da parte de seus “adversários” (Fp 1.28). Nessa Filipos os “santos em Cristo Jesus” (Fp 1.1) não apenas devem pertencer a Deus, mas também viver de fato como “filhos imaculados de Deus”, para que na escuridão de seu contexto “resplandeçam como estrelas no universo”.

Novamente ficamos cheios de dúvidas:

Será que Paulo não está educando seu pessoal para serem fariseus? Porventura é possível realmente esperar isso de uma igreja, uma igreja formada por seres humanos, que continuarão sempre totalmente pecadores?

Um teólogo moderno preferiria escrever:

“Estejam sempre conscientes de que na realidade vocês não se distinguem em nada do povo no meio do qual vivem; vocês não são diferentes nem melhores do que as pessoas em seu redor, mas apenas conhecem a graça daquele que justifica vocês pecadores e que um dia, depois da morte, há de criá-los de novo como filhos imaculados de Deus em um novo mundo.”

Talvez tal pensamento corresponda novamente à nossa experiência conosco mesmos e nas igrejas de hoje. Não obstante, temos de perceber que o próprio Paulo escreveu de forma radicalmente diversa, e, com muita oração e luta, precisamos nos confrontar com aquilo que o cabeça da igreja realmente levou o autorizado Paulo a escrever aos filipenses por meio do Espírito Santo.

Werner de Boor. Comentário Esperança Evangelho de Filipenses. Editora Evangélica Esperança.

Conheça mais Comentário Esperança

O apóstolo os exorta nesses versículos a adornar a profissão de fé cristã deles por meio da disposição e da conduta adequadas, com diversos exemplos. Por meio de uma atitude irrepreensível (v. 15): “Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis; para que não sejais injuriosos em palavras ou ação, e não deis ocasião justa para escândalo”.

Deveríamos nos esforçar não somente em sermos sinceros, mas também irrepreensíveis; não somente em não causar dano, mas nem ao menos causar suspeita de alguma ofensa. Irrepreensíveis e sinceros; irrepreensíveis diante dos homens e sinceros para com Deus.

Os filhos de Deus.

Tornam-se irrepreensíveis e sinceros aqueles que têm esse relacionamento e são favorecidos com tal privilégio. Os filhos de Deus deveriam diferir dos filhos dos homens. Inculpáveis – amometa. Momus era uma divindade crítica entre os gregos, mencionada por Hesíodo e Luciano; essa divindade não fazia nada e encontrava defeitos em tudo e em todos.

Assim, todos os críticos e censuradores eram chamados de Momi. O sentido da expressão é: “Andem tão prudentemente para que nem mesmo Momus tenha motivo para criticar vocês, que o censurador não encontre falta em vocês”. Deveríamos nos esforçar não somente para chegar ao céu, mas em chegar lá sem mancha; e, semelhantemente a Demétrio, ter um bom testemunho, até da própria verdade (veja 3 Jo 12). “…no meio duma geração corrompida e perversa”; isto é, entre os pagãos e aqueles que estão do lado de fora.

Observe: Onde não há religião verdadeira, pouco se pode esperar a não ser desonestidade e perversão; e quanto mais desonestos e perversos os outros são no meio das pessoas onde vivemos, e quanto mais hábeis para criticar, tanto mais cuidadosos deveríamos ser para manter-nos irrepreensíveis e sinceros. Abraão e Ló não deveriam contender, porque “…os cananeus e os ferezeus habitavam na terra” (Gn 13.7). “…entre a qual resplandeceis como astros no mundo”.

Cristo é a luz do mundo, e um cristão genuíno é uma luz no mundo.

Quando Deus levanta um bom homem em algum lugar, Ele institui uma luz naquele lugar ou, podemos ler essa expressão de forma imperativa: Entre a qual resplandecei como astros. Compare com Mateus 5.16: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens”.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 619.

Conheça mais o Comentário Matthew Henry

O apóstolo Paulo detalha sobre a conduta irrepreensível, abordando três pontos: Os crentes devem se tornar irrepreensíveis. A palavra grega usada por Paulo para “irrepreensíveis” é amemptos e expressa o que o cristão é no mundo. Sua vida é de tal pureza que ninguém encontra algo nele que se constitua uma falta. O cristão deve ser não apenas puro, mas viver uma pureza que seja vista por todos. O cristão deve refletir o caráter de seu Pai, a ponto de viver de tal maneira que ninguém possa lhe apontar um dedo acusador (Mt 5.13,45,48).

Os crentes devem se tornar sinceros.

A palavra grega para “sinceros” é akeraios. Ela expressa o que o cristão é em si mesmo. Essa palavra significa literalmente “sem mescla”, “não-adulterado”. A palavra era usada para referir-se ao vinho ou leite puros ou sem mistura de água. Era usada também no vocabulário da primitiva metalurgia para falar do ouro puro, do bronze puro ou qualquer metal sem impureza. Essa palavra era usada também para o barro puro utilizado na confecção de vasos.

Nos tempos antigos, alguns oleiros cobriam de cera as trincas dos vasos e enganavam os compradores. Quando esses vasos eram expostos à luz do sol, a cera derretia, e logo apareciam os defeitos. Então, os compradores passaram a exigir vasos sem cera. Daí foram cunhadas as palavras: sincero e sinceridade, ou seja, sem cera.

Jesus usou essa palavra quando disse que os Seus discípulos deveriam ser inocentes como as pombas (Mt 10.16), e Paulo a usou quando disse que devemos ser símplices para o mal (Rm 16.19). O apóstolo Paulo diz que devemos viver assim no meio de uma geração pervertida e corrupta (Fp 2.15).

Devemos viver no mundo como Daniel viveu na Babilônia cheia de deuses pagãos e numa cultura pagã, sem se misturar e sem se contaminar.

Os crentes devem se tornar filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida. A palavra grega para “inculpáveis” é amomos. Ela descreve o que o cristão é na presença de Deus. O termo se vincula particularmente com os sacrifícios. Aplicado a um sacrifício significa “imaculado”. A pureza do cristão deve ser tal que suporte o juízo de Deus. A vida do cristão deve ser tal que possa ser oferecida a Deus como um sacrifício sem mácula.

É importante ressaltar que a vida cristã não é vivida em uma estufa espiritual, numa redoma de vidro, mas no meio de uma geração pervertida. Não é ser sal no saleiro nem luz debaixo do alqueire. Bruce Barton corretamente interpreta esse fato, quando escreve:

Enquanto crentes, somos desarraigados deste mundo perverso (G1 1.4). Porque na verdade nós não somos do mundo (Jo 17.16). Ao mesmo tempo, não somos removidos fisicamente do mundo (Jo 17.15). Estamos no mundo com a missão de no mundo anunciar as boas-novas do evangelho (Jo 17.18). Assim, também, a igreja de Filipos precisava completar a sua missão no mundo, vivendo como filhos de Deus inculpáveis no meio de uma cultura depravada e pervertida.

“A salvação é demonstrada por intermédio de um testemunho notável” (2.15b).

Os crentes são exortados a brilhar como astros celestes neste mundo tenebroso (Mt5.l4-16). A palavra grega que Paulo usa para “luzeiros” phosteres. Lightfoot diz que essa palavra é utilizada quase que exclusivamente para os astros celestes, exceto quando seu uso é metafórico, como neste texto.

Essa é a palavra usada na versão grega de Gênesis 1.14-19 para referir-se ao sol, à lua e às estrelas que o Criador espalhou pela abóbada celeste no quarto dia. Tais luminárias não brilham para si mesmas; brilham para prover luz ao mundo todo. O mesmo deveria ser verdade a respeito do crente: ele vive para os outros. A igreja tem sido chamada de clube que existe para o benefício dos que não são sócios.

A vida da igreja no mundo é comparada à influência da luz num lugar escuro.

Robertson diz que toda igreja é uma casa de luz em um lugar de trevas. Quanto mais escuro é um lugar, mais a luz é necessária.

Bruce Barton diz que o nome dado à estrela mais brilhante da noite é Sirius, da constelação de “Canis Major”, e o mais brilhante astro do dia é o sol. Paulo tira uma lição dos astros celestes quando compara os crentes com as estrelas e a sociedade com a escuridão do Universo. Na única outra passagem que esta palavra aparece no Novo Testamento, há a descrição da cidade santa, que reflete a glória de Deus como a luz de uma joia (Ap 21.11).

E digno de nota que Paulo não admoesta os cristãos a se isolarem do mundo nem a viverem em “quarentena espiritual”. Os fariseus eram tão alienados e isolados da realidade que desenvolveram uma justiça própria artificial, inteiramente distinta da justiça que Deus desejava que cultivassem em sua vida. Em decorrência disso, sujeitaram o povo a uma religião de medo e de servidão e crucificaram Cristo, pois Ele ousou opor-se a esse tipo de religião.

LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 157-160.

A Situação de Judá

A situação política de Judá

Nos anos 608 a 597 a.C., reinava em Jerusalém Jeoaquim, que havia sido empossado por Neco, faraó do Egito (2Rs 23.34). Naqueles dias, duas nações lutavam pelo domínio da região: a Assíria e o Egito. Neco, rei do Egito, subira para batalhar contra o rei da Assíria (2Rs 23.29). Josias, rei de Judá, temendo pela segurança de seu reino, achou melhor atacar o exército egípcio, mas morreu na batalha de Carquemis, em 608 a.C. Neco, que agora estava com todos os trunfos na mão, destituiu a Jeoacaz, filho de Josias, quando este havia reinado apenas três meses, impôs pesado tributo a Judá, e constituiu rei a Jeoaquim, irmão do deposto Jeoacaz (2Rs 23.31-35). O castigo de Deus foi retardado, mas não evitado (2Rs 23.26,27).

Jeoaquim foi um rei ímpio. Seu pai Josias rasgou suas roupas em sinal de contrição e arrependimento. Ao contrário, Jeoaquim rasgou e queimou o rolo da Palavra de Deus que continha as mensagens do profeta Jeremias e mandou prender o mensageiro (Jr 36.20-26).

Jeoaquim era também assassino. Porque as mensagens do profeta Urias eram contrárias aos seus interesses, ele mandou matá-lo. Urias fugiu para o Egito, mas Jeoaquim mandou sequestrá-lo. Ele foi trazido à sua presença e morto à espada (Jr 26.20-23).

O cenário político ao redor de Judá

No ano 606 a.C., novos acontecimentos vieram modificar o cenário político-militar da conturbada região. Uma vitória de Nabucodonozor, rei da Babilônia, sobre o faraó Neco, consolidou a Babilônia como nova potência mundial em ascensão.

O Egito e a Assíria haviam disputado o predomínio, mas a luta enfraquecera a ambos. Assim, a Babilônia foi quem mais ganhou com essas brigas. Quando dois cães brigam por um osso, pode aparecer um terceiro e levá-lo com a maior facilidade.

Nabucodonosor fez três incursões sobre Jerusalém: em 606 a.C., levou os nobres (dentre eles Daniel) e os vasos do templo. Em 597 a.C., noutra incursão, levou mais cativos. O rei Jeoaquim rendeu-se sem resistência.

Nesse tempo, também, foi ao cativeiro o profeta Ezequiel (2Rs 24.8). Em 586 a.C., após dezoito meses de sítio, os exércitos do rei da Babilônia saquearam a cidade de Jerusalém. Arrasaram-na totalmente, destruindo também o templo. O rei Zedequias foi capturado quando tentava fugir e levado à presença de Nabucodonosor. Seus filhos foram mortos em sua presença, seus olhos foram vazados, e ele levado cativo para a Babilônia com o seu povo (2Rs 25).

O cenário espiritual em Judá

Depois da reforma de Josias, Judá voltou a se esquecer de Deus. Os filhos de Josias não temiam a Deus como ele. Os reis foram homens ímpios. Eles não aceitavam mais ouvir a Palavra de Deus. Alguns profetas e sacerdotes se corromperam. Os profetas de Deus foram perseguidos, presos e mortos.

Em vez de haver quebrantamento, arrependimento e volta para Deus, o rei, os sacerdotes e o povo se endureceram ainda mais. Contudo o rei: “… endureceu a sua cerviz e se obstinou no seu coração, para não voltar ao Senhor, Deus de Israel” (2Cr 36.13). Diz ainda a Palavra de Deus que: “… todos os chefes dos sacerdotes e o povo aumentavam cada vez mais a sua infidelidade, seguindo todas as abominações dos gentios; e profanaram a casa do Senhor, que ele tinha santificado para si em Jerusalém” (2Cr 36.14).

LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 19 – 21.

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Daniel e o ambiente histórico

O livro de Daniel é introduzido por um ambiente histórico claramente focado. Interessantemente, essa breve seção está na língua hebraica, enquanto que a parte seguinte do livro (2.4—7.28) encontra-se na língua aramaica ou na língua dos caldeus. Depois, a seção final do livro volta a ser em hebraico. Intérpretes têm diferido em relação aos motivos desse aspecto incomum.

A explicação mais plausível para isso é que essa seção e a parte final do livro foram escritas na língua dos judeus, referindo-se especialmente ao povo de Deus no exílio.

Aparte escrita na língua dos caldeus refere-se às nações gentias, tendo a Babilônia como alvo imediato. As duas línguas eram comuns nos tempos de Daniel e ambas eram entendidas pelo povo do exílio e dos séculos subsequentes. O uso dessas duas línguas semelhantes ajudava a manter em relação estreita o ambiente histórico do livro e sua relevância ao povo a quem foi escrito.

O livro de Daniel registra:

No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei da Babilônia, a Jerusalém e a sitiou (1; veja Quadro A). Isso seria menos do que três anos após Neco ter indicado Jeoaquim como rei. Os destinos políticos estavam mudando rapidamente.

Enquanto Nabopolassar era, na verdade, o monarca do novo reino da Babilônia, seu vigoroso filho, Nabucodonosor, era seu herdeiro reconhecido e co-regente com ele. Nabucodonosor acabara de ajuntar seu despojo e os reféns quando uma chamada emergencial veio da Babilônia. Seu pai havia falecido e ele precisava se apressar para ocupar o trono.

Dessa forma, Daniel e seus três companheiros, com outros jovens príncipes da corte de Judá, foram levados para uma terra estranha a 800 quilômetros de casa. E junto com eles vieram alguns tesouros sagrados da Casa de Deus em Jerusalém para adornar o Templo de Bel na Babilônia. Sinar era a principal planície da Babilônia.

Babilônia

Acumulando vitórias e orgulhoso com o seu recente poder, o jovem soberano do novo reino da Babilônia agia com astúcia para consolidar o seu reino. De que forma melhor ele podia fortalecer sua autoridade do que escolher os príncipes mais dotados dos seus recém-conquistados territórios e treiná-los para a liderança política? Não temos nenhuma notícia acerca dos outros príncipes de Judá.

Todos foram escolhidos devido ao seu talento e bela aparência. Eles receberam o melhor treinamento que a corte babilónica poderia oferecer. Esses eram jovens da linhagem real, e dos nobres […] em quem não houvesse defeito algum, formosos de aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e sábios em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para viver no palácio do rei.

O programa de educação requeria que fossem ensinados nas letras e na língua dos caldeus, num curso intensivo de treinamento de três anos. Seu bem-estar físico incluía o melhor que o reino podia oferecer, ou seja, as iguarias da mesa imperial.

Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 502-503.

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O Cativeiro Babiónico

Nabucodonosor é a forma judaica de Nabuchadrezar, que, em 597 A. C., levou os tesouros do templo e cativos para a Babilônia (II Reis 24.10-15). No vs. 2, a Babilônia é chamada por seu antigo nome, Sinear (ver Gên. 10.10; Isa, 11.11)”.

O irmão mais novo de Jeoaquim, Jeoacaz, tinha sido posto no trono de Judá por Faraó Neco, que matara o rei Josías, em 609 A. C. Neco destronou Jeoacaz e pôs Jeoaquim no trono (II Crô. 36.3-4).

Daniel foi levado à Babilônia por ocasião da primeira deportação.

O cativeiro ocorreu por meio de ondas. Jeoaquim foi primeiro submetido ao pagamento de tributo e ao acordo de que não se rebelaria. Quando ele ignorou esses acordos, Nabucodonosor retornou a Judá pela segunda vez, em 597 A. C. Nesse tempo, dez mil cativos judeus foram levados para a Babilônia. O profeta Ezequiel estava entre eles. Ver Eze. 1.1-3; II Reis 24.8-24 e II Crô. 36.6-10. Foi a incansável tríade idolatria-adultério-apostasia que causou a calamidade iniciada com Jeoaquim, mas não terminada com ele. Ver Jer. 7.30 ss.; 34.12-22 e Hab. 1.6.

Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos. Aspenaz figura por nome somente aqui, e não aparece em nenhum outro trecho do Antigo Testamento. Ele é chamado de outros modos por seis vezes, por “o eunuco” ou “o chefe dos eunucos”, em Dan. 1.7-11,18. A derivação desse nome é incerta, mas sua versão hebraica parece significar “narina de cavalo”, por razões desconhecidas. Ele era o chefe dos eunucos do rei Nabucodonosor.

Daniel e seus amigos

Daniel e seus companheiros foram entregues aos seus cuidados, e ele lhes trocou os nomes (ver Dan. 1.3,7). O tempo foi cerca de 604 A. C. A petição de Daniel, no sentido de que não fosse compelido a comer as provisões enviadas à mesa real, foi aceita favoravelmente, bondade que o profeta, agradecido, registrou em Dan. 1.16.

Os eruditos subentendem do fato que o homem era o chefe dos eunucos, e Daniel e seus companheiros hebreus também foram feitos eunucos. Mas esse ponto é disputado. Além disso, o chefe dos eunucos nem sempre era castrado. Aspenaz tinha o dever de preparar jovens promissores para o serviço especial ao rei, e Daniel estava entre aqueles que foram escolhidos para esse mister.

A linhagem real

Assim da linhagem real como dos nobres. Quase incidentalmente, aprendemos algo do nascimento real ou nobre de Daniel. Mas não é dada nenhuma genealogia, o que seria comum, sabendo-se da importância atribuída à questão pelos hebreus.

O Ofício de Aspenaz. Aspenaz é chamado de chefe dos eunucos, que pode ter sido o significado da palavra nos tempos de Daniel. Mas alguns sugerem a tradução “oficial” para o termo hebraico sarís, e isso deixa a questão ambígua.

Jovens sem defeitos

Jovens sem nenhum defeito, de boa aparência. Daniel e seus amigos nobres (ou reais) eram espécies físicos perfeitos. Ademais, embora jovens, eram conhecidos por sua sabedoria e erudição, pelo que também se distinguiam intelectualmente.

Conforme a narrativa se desdobra, descobrimos que eles eram homens espirituais especiais, que levavam a sério sua fé religiosa. Portanto, foi apenas natural que tivessem sido escolhidos pelo rei da Babilônia para receber um treinamento especial, a fim de que fossem empregados em algum serviço que lhes fosse planejado, em benefício do império.

Essa história me faz lembrar do “dreno de cérebros” em que os Estados Unidos da América está envolvido. Intelectuais de muitos países, que ali vão para receber treinamento, terminam ficando no país e servindo a América do Norte, e não seus próprios países. Notemos que aqueles jovens também eram “simpáticos”, pelo que os homens bonitos sempre têm alguma vantagem, e tanto mais quando possuem outras qualidades que acompanham a beleza física.

Aspenaz

O chefe dos eunucos (chamado Aspenaz no vs. 3) mudou os nomes desses três homens para Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Ver o artigo sobre esses três, juntamente, sob esse título, onde apresento notas mais detalhadas. O nome de Daniel, finalmente, foi mudado para Beltessazar. O nome alternativo de Daniel aparece oito ou dez vezes na seção aramaica do livro (ver Dan. 2.26; 4.8,9,18,19 (quatro vezes) e 5.12). E também se acha em Dan. 1.7 e 10.1.

Esses novos nomes provavelmente significam que, doravante, eles seriam súditos babilônicos (sua história anterior terminou juntam ente com os antigos nomes) e serviriam a deuses babilônicos, e não a Yahweh. Em outras palavras, a esperança é que eles seriam totalmente paganizados para melhor servir à Babilônia. Dessa forma, estava armado o palco para que eles mostrassem como lutaram a fim de salvar e fomentar sua piedosa identificação judaica, permanecendo fiéis a Yahweh e à lei mosaica.

Os nomes dos jovens

Notemos como os nomes anteriores ligavam essas figuras ao yahwismo: Hananias significa “Yah tem sido gracioso”; Misael significa “Quem é o que El é?”; Azarias significa “Yah tem ajudado”. E Daniel significa “El tem julgado”. Cada um desses nome incorpora um nome hebraico para Deus. Em sentido contrário, há esforços para fazer com que os nomes novos correspondam à divindade babilônica. Os massoretas sugeriam que Bel podia ser visto no nome Beltessazar. Abede-Nego parece significar o mesmo que Abdi-nabu, “servo de Nebo”. Mesaque pode significar “estou desprezado (humilhado) (na presença do meu deus)”. Nada semelhante tem sido demonstrado no caso do nome Sadraque. Mas talvez a última sílaba, a que, esteja associada ao nome Sadraque, ou a Merodaque. No entanto, outros veem aqui uma alusão a rak, que no acádico significa rei, e pelo qual devemos entender “sol” ou “deus-sol”. Mas outros preferem sugerir saduraku, que significa “temo (o deus)”.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 3373 – 3374.Co

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Enciclopédia de Biografias Bíblicas
Enciclopédia de Biografias Bíblicas

I DANIEL DESPERTADO PARA ORAR

70 anos de cativeiro

Jr 29.10 Logo que se cumprirem para Babilônia setenta anos atentarei para vós outros. O cativeiro babilónico não terminaria em breve. Perduraria por setenta anos (ver Jer. 25.11 -12). Isso proveria tempo bastante para os judeus edificarem casas e aumentarem em número (vs. 6), de modo que houvesse número suficiente de judeus para realizar a reconstrução de Jerusalém. Nesse tempo, a visitação divina ocorreria. Os medos e persas destruiriam completamente a Babilônia, e Ciro expediria o famoso decreto que libertaria os cativos judeus. Isso estaria em harmonia com o cronograma divino e seria o tempo favorável para o começo do Novo Israel. Pouquíssimos dos que viviam quando Jeremias proferiu essa profecia participariam do retorno do povo de Israel à Terra Prometida. Portanto, o papel deles era preparar seus filhos e netos, e isso era extremamente importante.

Eles tinham de mostrar-se pacientes em seu bom trabalho e deixar a maior parte para as gerações futuras. O grande Moisés fez um trabalho esplendoroso de preparação, mas não chegou pessoalmente à Terra Prometida. Assim, os cativos judeus conservariam em mente o caso e seriam encorajados, sabendo que o que estavam fazendo era importante. Os setenta anos não formavam um tempo preciso, e devem ser calculados a partir da deportação de Jeconias e sua corte, e não da deportação de Zedequias e sua corte. O número “setenta” é arredondado, geral. Cf. Dan. 9.2. Daniel aprendeu sobre esse número no livro de Jeremias, e não mediante algum oráculo independente.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3080.

O cativeiro poderia ser encurtado

Jr 29.10. Setenta anos. Em contraposição à esperança ilusória de um cativeiro curto, Deus novamente afirmou que o cativeiro seria por um total de 70 anos (ver Jr 25 :1 2). Por esta época, aproximadamente 10 anos já tinham se passado da contagem total (ver com. de Jr 25 :1, 12).

Atentarei para vós outros. Ver com. de SI 8:4; 59:5. Quando os 70 anos chegassem ao fim, então, e não antes, Deus realizaria Sua prometida boa obra de graça e misericórdia, ao fazer que Seu povo voltasse para sua terra.  (Este comentário serve de base Bíblica histórica não doutrinaria).

Comentário Bíblico Adventista Isaias a Malaquias. Editora: Casa Publicadora Brasileira. pag. 498.

Jr 29.10 – Os estudiosos discordam quanto às datas de início e fim do exílio babilônico, que durou 70 anos. Alguns dizem que a primeira deportação dos judeus para a Babilônia foi em 605 a.C., e o retorno deles para Jerusalém ocorreu em 538 a.C., após o decreto de liberdade de Ciro. Outros estudiosos afirmam que o exílio começou em 586 a.C., data da última deportação para a Babilônia e da destruição do Templo, e terminou em 515 a.C., quando o templo foi reconstruído.

BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 991.

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A divisão do capítulo

Dn 9.1: “No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da nação dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus. ” O assunto principal deste capítulo que, em suma, é a oração do profeta Daniel, para que Deus desse início ao regresso de seu povo. (Ver Salmo 126.)

Podemos dividir o presente capítulo da seguinte maneira:

1) A introdução (versículos 1 e 3).

2) A oração propriamente dita (versículos 4 a 19).

3) A resposta da oração: Deus enviando o anjo Gabriel (versículos 20 a 27).

O capítulo é dividido em duas partes:

1) A introdução (versículos 20 a 23).

2) A resposta propriamente dita (versículos 24 a 27).

Agora a consolidação: A grande profecia das “ setenta semanas”. Os versículos 1 e 2 do presente capítulo, apontam no tempo está oração: foi no primeiro ano do governo de Dario, filho de Assuero, da nação dos medos. Não sabemos determinar se o “Assuero” do texto em foco é o mesmo que vem citado no livro de Ester 1.1.

Alguns comentadores aceitam que o Assuero do texto é Xerxes, e o nome “ Assuero” pode ser um “ título real Aquemênida”. Seja como for, nós aceitamos o que fica depreendido dos textos divinos, o mais são especulações humanas.

O primeiro ano

Dn 9.2: No ano primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número de anos é de que falou o Senhor ao profeta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos.  Era de setenta anos”. Daniel primeiro examina com cuidado as predições do profeta Jeremias sobre os “setenta anos de cativeiro” (Jr 25.11,12).

Setenta anos de cativeiro sobre a nação foi para “que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram” (2 Cr 36.21). Deus ordenou a Israel, no deserto, que trabalhasse seis dias em sete e, semelhantemente, seis anos em sete. (Ver Êx 20.9,10; Lv 25.1-7.) A guarda do sábado à risca foi observada por Israel logo no deserto, e um homem foi morto porque apanhou lenha no sábado. (Ver Nm 15..32-36.) A segunda ordem de Deus para que se guardasse o ano sabático só entraria em vigor com a entrada da nação na terra prometida. (Ver Lv 25.2-4.) Isto significa que todo o “tempo pertence a Deus”.

Durante esse ano (de repouso)

A terra não era lavrada, o fruto era livre, e a confiança do povo em Deus era provada.

Aprendemos de Deuteronômio 31.10-13, que este ano era empregado para dar instrução religiosa ao povo. Durante os 490 anos da monarquia, esta lei não foi observada, como devia ter sido por 70 vezes. Deus, apenas, como sempre, só exigiu o dízimo dos 490 anos. (Ver 2 Cr 36.21.) Daniel sabia que Deus é o “ Justo Juiz” e só cobraria o “ dízimo” dos anos, e pôs-se a orar confiantemente por um repatriamento. (Comp SI 126).

Daniel ora ao Senhor

9.3: “E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e rogos, com jejum, e saco e cinza. ”

Daniel, como já ficou demonstrado, sabia que Deus só exigia o que é seu e, numa confiança inaudita na grande misericórdia dele, e numa inteireza de fé, pediu a Deus que virasse o cativeiro do seu povo “ …como as correntes do sul” . (Ver SI 126.4.) O ardente desejo deste servo fiel era ver seu povo perdoado, e a cidade de Jerusalém, mormente o templo do Senhor, reedificados. Ele permaneceu em oração “velando nela com ação de graças”. (Ver Cl 4.2.)

Até as três horas da tarde (a hora do sacrifício da tarde), Daniel permaneceu em oração, exemplificando o centurião Cornélio (A t 10.30). Gabriel, um embaixador da corte celestial. A oração, na vida de Daniel, era um costume regular. No seu aposento de janelas abertas, na direção de Jerusalém, ele podia ser encontrado orando três vezes por dia. (Ver 6.10.) Há uma promessa para aqueles que, em tempo de angústia, buscam a Deus virados para o santo templo. (Ver 1 Rs 46-49.) Davi orava a Deus três vezes no dia e, por essa razão, era bem-sucedido (SI 55.15.) – Quantas vezes o leitor ora por dia?

Severino Pedro da Silva. Daniel versículo por versículo. Editora CPAD. pag. 165 – 167.

Dario e Daniel

Dn 9.1 No primeiro ano de Dario, filho de Assuero. Encontramos aqui, uma vez mais, a pessoa de Dario, o medo.. Seu primeiro ano de governo foi 538 A. C. Daniel era um homem idoso, tendo estado no exílio por 66 anos.

Assuero. Alguns estudiosos supõem que Assuero fosse parente fictício de um Dario fictício. “Assuero: nos livros de Ester e Esdras. Esse é um nome persa, e não medo. Não aparece nas páginas da história nenhum Xerxes que tivesse um filho chamado Dario, mas sabe-se que Dario I (521-485 A. C.) foi o pai de Xerxes I (485-365 A. C.) (Arthur Jeffery, in loc.). Historicamente, a identidade do homem permanece incerta. O que se diz sobre o assunto, apresento no artigo do Dicionário, chamado Assuero, ponto terceiro. Provavelmente o nome deve ser conectado a Xerxes.

A profecia de Jeremias

Dn 9.2 No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel. Daniel vinculou sua profecia à profecia de Jer. 25.11,12 e 29.10. Ao ler certos livros (não necessariamente limitados aos de nosso Antigo Testamento canônico), Daniel veio a compreender um itinerário de tempo para as profecias relativas ao futuro. Devemos entender que existia uma coletânea apocalíptica de livros que, provavelmente, tinha muito mais material do que aquele que sobreviveu nos livros canônicos sobre assuntos proféticos. Confiando na exatidão essencial desses livros, o profeta Daniel foi capaz de construir uma espécie de cronograma profético e terminou chegando ao prazo de 70 anos. Haveria 70 anos de desolação, até a restauração.

Existe certa confusão acerca de quando deveria começar esse cômputo:

1. A partir de 606 A. C., ano da profecia de Jeremias;

2. a partir de 598 A. C., ano do cativeiro de Jeoaquim;

3. a partir de 588 A. C., ano da destruição do templo. Os vss. 20 ss. tomam os 70 anos e falam da profecia das 70 semanas. Isso também tem ocasionado muita discussão e desacordo. Estou supondo que Daniel também usou os livros à sua disposição para entender melhor a questão.

O cativeiro deveria terminar dentro de setenta anos (Jer. 25.11-12); mas quanto ao tempo do fim haveria grande expansão de tempo, representada pelas 70 semanas, em que cada semana representava um ano. O vs. 24 é uma interpretação mística dos “setenta” referidos neste vs. 2. Portanto, temos um significado histórico e um significado místico. Ver as notas sobre o vs. 20 a respeito desse tema.

Uma oração

Dn 9.3 Voltei o meu rosto ao Senhor Deus. Somente no vs. 24 encontramos as 70 semanas de anos. Tudo, até aquele ponto, é mera preparação. O profeta envidara extremos exercícios espirituais para obter entendimento. Ele voltou o rosto “na direção do Senhor”, buscando-0 intensamente, confessando seus pecados, agitando seu espírito, para tornar-se receptivo à revelação profética. Passou por um período de jejum e lamentação, com os ritos costumeiros de usar roupas de cilício e jogar cinzas sobre a cabeça.

1. Voltei o meu rosto ao Senhor provavelmente significa mais do que voltar-se na direção de Jerusalém. Cf. Dan. 10.15; 11.17 e II Crô. 20.3.

2. Com oração e súplica foi o primeiro exercício espiritual. O profeta estava procurando iluminação (ver a respeito no Dicionário).

3. Com jejum. Um exercício espiritual antigo (e moderno) que significa tanto esclarecer a mente como fazer um homem entrar em contato especial com o Ser divino. Ver sobre essa palavra no Dicionário.

4. Com pano de saco e cinzas. Esses são sinais de arrependimento. Cf. Est. 4.1-3; Isa. 58.5; Jon. 3.5,6; Mat. 11.21. Ver no Dicionário os artigos chamados Saco de Pano; Cinzas e Lamentação.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3413 – 3414.

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1        Daniel vivia uma vida consagrada a Deus

Pv 15. 8 – 9 volta ao tema dos “retos” e dos “perversos”. O versículo 9 apresenta a base teológica para o versículo 8. Os tesouros dos retos estão arraigados em seu favor com o Senhor, e a ruína dos perversos em sua rejeição por ele. O par está ligado pelas palavras-chave “abominação” e “perversos” nos versículos 8a e 9a e pelos sinônimos “retos” e “honestos” nos versículos 8b e 9b. O Senhor aborrece o sacrifício da pessoa ímpia e egoísta (v. 8a) porque abomina o seu estilo de vida (v. 9a), e aceita as orações do honesto (v. 9b) porque ele busca a retidão.

O justo e o injusto

E é uma abominação ao Senhor em contraste com encontra o seu favor (veja 11.1) são paralelos antitéticos precisos. No entanto, sacrifício e oração é uma frase estereotipada quebrada que se refere aos dois atos essenciais de adoração: o abate de um animal de valor e a oferta acompanhada de uma oração pedindo favor (cp. Dt 26.1 -15; 1 Rs 8.22-63; 2Cr 29.27, 28; Sl 4.6[7]; Pv 15.29; 21.3, 27; 28.9, 13).

O provérbio não diz “Sacrifício é uma abominação ao Senhor, mas oração obtém o seu favor”. Se zebah tem o seu sentido mais específico de uma refeição de comunhão entre os adoradores, a divindade e a comunidade, então com “os perversos” é um oxímoro. Os perversos esperam manipular Deus através de ritual mágico, não obter a sua misericórdia ao confessar e renunciar seus pecados (28.13).

Estão dispostos a oferecer tudo, menos aquilo que o Senhor pediu, a saber, o seu coração. Em seu raciocínio obscurecido, acreditam que Deus deve mudar e baixar os seus padrões para acomodá-los. Os honestos, que rejeitam a magia, empregam a oração e o sacrifício como os meios que o Deus gracioso e santo instituiu para manter seu relacionamento com a humanidade pecaminosa. Moisés (cp. Êx 32.7,8), os profetas (cp. ISm 15.22; Is 1.10-17; Jr 7.22,23; Os 6.6; Am 5.21-25), o salmista (cp. S I 50.8-14) e o Senhor Jesus Cristo (Mt 23.23) rejeitam as atividades cúlticas contaminadas pelo pecado e não adoçadas pelo anseio de servir outros.

Bruce Waltke. Comentário do Antigo testamento Provérbios Vol I. Editora Cultura Cristã. pag. 761-762.

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Os perversos

Pv 15.8 O sacrifício dos perversos é abominável ao Senhor. O homem hipócrita ou semipiedoso, o homem corrupto que tem alguns sentimentos religiosos, podia fazer uma oferenda no templo ou realizar algum ato particular de devoção, mas, se ele assim fizesse, estaria praticando algo abominável aos olhos de Deus. Ver Pv. 11.1 quanto ao verbete Abominação.

Vemos o espetáculo da adúltera a oferecer a seu “convidado” os restos de um sacrifício que ela fizera anteriormente (ver Pro. 7.14)

Não há muitas referências a sacrifícios no livro de Provérbios, mas há um número suficiente delas para sabermos que, quando esse livro foi escrito, os sacrifícios ainda faziam parte da piedade externa dos hebreus. Ver também Pv. 17.14; 21.3,27.

“Sacrifícios desacompanhados da retidão não são aceitáveis ao Senhor, de acordo com os profetas e os sábios (cf. Amós 5.22). Os sábios reconheciam a importância do ritual, mas não a salientavam” (Charles Fritsch, in loc.).

Antítese

A oração do homem bom é um deleite para o Senhor, e podemos supor que isso represente os exercícios espirituais dos quais ele se ocupa.

Em consonância com a ausência de ênfase sobre os ritos, o autor sacro não nos diz que os sacrifícios feitos pelo homem bom são um deleite para Deus, mas, antes, os seus atos pessoais e espirituais de devoção é que Lhe agradam. Que motivo temos aqui para a oração! Deus observa e se deleita nela, pelo que certamente dará uma resposta favorável aos pedidos que Lhe fizermos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2612.

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Agentes transformadores

Como é possível o povo de Deus resistir às pressões que o “esmagam” para que se conforme com o mundo? De acordo com Romanos 12:1, 2, os “conformados” são aqueles cuja vida é controlada pelas pressões exteriores, enquanto os “transformadores” são aqueles cuja vida é controlada pelo poder interior. Daniel e seus três amigos eram transformadores: em vez de sofrer mudanças, eles as realizavam! Deus usou-os para transformar a mente de governantes poderosos e para trazer grande glória ao nome dele numa terra pagã.

O primeiro passo na resolução do problema e no exercício de ser transformadores foi entregar-se inteiramente ao Senhor. O coração de Daniel todo o seu ser pertencia a Deus, como também o de seus amigos (Dn 1:8; Rm 12:1, 2).

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4:23).

Um coração que ama ao Senhor não tem dificuldade em fazer as escolhas certas e em confiar em Deus para suportar as consequências. Alguém disse bem que fé não é crer apesar das evidências – isso é superstição -, mas sim obedecer apesar das consequências.

Quando tiveram de escolher entre a Palavra de Deus e a comida do rei, ficaram com a Palavra de Deus (Sl 119:103; Dt 8:3).

O segundo passo foi usar de bondade para com aqueles em posição de autoridade. Os quatro rapazes observaram que Aspenaz era especialmente amistoso e gentil para com eles e reconheceram nisso a mão do Senhor (José teve uma experiência parecida quando estava na prisão; ver Gn 39 – 40). “Sendo o caminho dos homens agradável ao Senhor, este reconcilia com eles os seus inimigos” (Pv 16:7). Em vez de esperarem que um oficial gentio pagão obedecesse à lei de Moisés e se metesse em apuros com o rei, Daniel e seus amigos usaram uma abordagem sábia e pediram para fazer uma experiência de dez dias.

Encontramos pessoas corajosas que tiveram de desafiar as autoridades a fim de agradar a Deus e, em todos esses casos, usaram de sabedoria e de gentileza. “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12:18).

Além de Daniel e seus amigos, temos o exemplo das parteiras hebréias (Êx 1), dos apóstolos (At 4) e mesmo do próprio Jesus (1 Pe 2:13-25). Todos tiveram de resistir à lei a fim de obedecer ao Senhor, e Deus permitiu que fossem bem-sucedidos. Foram corteses e procuraram não colocar outros em situações difíceis. Mostraram um espírito manso e pacífico. Viram o desafio como uma oportunidade de fazer prova de Deus e de glorificar seu nome.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. IV. Editora Central Gospel. pag. 310 311.

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Resistindo a tentação

Dn 1.8 Torna-se mais fácil resistir à tentação quando antes refletimos sobre nossas convicções. Daniel e seus amigos tinham decidido ser fiéis às leis de Deus antes de serem confrontados com as gentilezas do rei. e assim não hesitaram em manter as suas convicções. Encontraremos problemas se não tivermos decidido previamente o caminho a seguir. Antes de surgirem tais situações, determine os seus compromissos e o que irá fazer. Daí, quando a tentação chegar, você estará pronto para dizer não.

BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1091.

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Um coração voltado para Deus

Dn 1.8 Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele servia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar. ”O versículo em foco nos faz lembrar o que está dito em Atos 15.29, que diz: “Que vos abstenhais das coisas sacrifícios aos ídolos, e do sangue e da carne sufocada”

A razão desta decisão do jovem profeta e seus companheiros é geralmente a comida e bebida daqueles monarcas babilônicos era, antes de tudo, oferecida aos ídolos pagãos e, portanto, Daniel, como fiel judeu, não podia participar de comidas consagradas ou dedicadas a deuses pagãos. Daniel decidiu-se a servir a Deus, mesmo num país distante de sem terra natal, “com propósito do coração”, como o serviram os primitivos cristãos de Antioquia (At 11.23).

Um grupo de escravos, que tomaram tal decisão, serve de exemplo para os jovens cristãos da época atual. Eles foram considerados por Deus, como primícias naquela corte pagã, pois não se contaminaram e nem se corromperam com a idolatria e corrução ali existente. (Comp. c/ Ap 14.4.) O verdadeiro cristão segue à risca o conselho divino que diz em todo o tempo sejam alvos os teus vestidos, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça” (Ec 9.8).

Severino Pedro da Silva. Daniel versículo por versículo. Editora CPAD. pag. 17.

2        A estrutura de Daniel Capacitava-o para enfrentar verdadeiros combates em oração

Daniel ora por um despertamento; Daniel era um homem profundamente dedicado à oração. Manteve-se resoluto em sua determinação de orar, mesmo quando isso implicou em ser o profeta lançado na cova dos leões. Também dependeu de Deus na obtenção de sabedoria a fim de interpretar o sonho de Nabucodonosor e a visão de Belsazar. Falar diante de chefes de Estado com tal autoridade e certeza só se torna possível depois de extensos períodos no lugar de oração.

No seu primeiro caso de interpretação de sonhos, Daniel foi solicitado não somente a dar a interpretação, mas a contar o próprio sonho, igualmente. Os quatro jovens e sábios hebreus, da corte real da Babilónia, não tinham alternativa a não ser lançar-se à oração. Face à horrenda possibilidade de terem suas casas arrasadas e depois serem despedaçados, se não pudessem interpretar o sonho de Nabucodonosor (Dn 2.5,12,13), Daniel, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego oraram intensamente (Dn 2.18; cf. 1.7). Embora as palavras usadas em sua oração não tenham sido registradas, o conteúdo da petição é claro.

Daniel compatilha o caso

Então, Daniel foi para a sua casa e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros, para que pedissem misericórdia ao Deus dos céus sobre este segredo, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem com o resto dos sábios da Babilónia (Dn 2.17,18).

As circunstâncias extremas têm a virtude de reduzir a oração à sua essência, eliminando o excesso de palavras, dirigidas mais aos ouvidos humanos que aos ouvidos de Deus. E Daniel ora por um despertamento.

As cargas compartilhadas, por sua vez, tornam-se mais leves. A união de forças produz uma força maior. A dinâmica da oração unida é espantosa. Concordar juntos em oração, quanto a alguma necessidade particular, produz resultados. Quando a Igreja Primitiva orou conjuntamente, em unidade, o lugar de oração foi abalado (cf. At 4.31).

Oração em conjunto

Quando Daniel e seus companheiros oravam, na aflição do momento, é improvável que tenham imaginado que resposta Deus daria, revelando-se dramaticamente ao feroz rei da Babilónia. Mas, em primeiro lugar, Daniel sabia que fora Deus quem concedera aquele sonho a Nabucodonosor. Por conseguinte, ele pôde declarar com toda confiança ao monarca: “Mas há um Deus nos céus, o qual revela os segredos” (Dn 2.28). Quando oramos, embora pressionados por circunstâncias extremas, fazemos bem em relembrar que podemos estar cumprindo um papel divino que vai além de nossa visão limitada do momento.

Daniel provou que era, realmente, um homem de Deus, ao interpretar um outro sonho de Nabucodonosor, ao explicar o escrito na caiadura da parede, ao distinguir-se superior aos outros administradores, a ponto de o rei pensar em “constituí-lo sobre todo o reino” (Dn 6.3). Os outros administradores, cheios de ciúme, tiveram de ardilosamente traçar um plano para se livrar dele, visto que “ele era fiel, e não se achava nele nenhum vício nem culpa” (v. 4). Mas foram incapazes de encontrar motivos para acusá-lo quanto aos negócios do governo. Sabendo que Daniel era um homem de oração, e que não passava um dia sem orar, eles pediram a Nabucodonosor para assinar um decreto determinando que durante trinta dias ninguém orasse a qualquer deus ou homem, exceto o rei.

Daniel mesmo sabendo da lei ora ao Senhor

“Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa (ora, havia no seu quarto janelas abertas da banda de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como também antes costumava fazer” (Dn 6.10). Nenhuma linha das Escrituras acerca de Daniel é maior do que esta que finaliza o versículo citado: “como também antes costumava fazer”. Grandes indivíduos têm grandes hábitos; grandes hábitos fazem grandes indivíduos. A comunhão com Deus deveria ser o hábito mais importante de todo filho de Deus. A devoção inabalável de Daniel, diante de perseguidores perigosos e sedentos de sangue, derivava-se de seus antigos hábitos de oração.

Esse hábito havia fortalecido sua alma, deixando-a como o aço, e, quando sua vida foi ameaçada pela prática do hábito, ele simplesmente manteve a sua prática sem qualquer apologia. A força da pessoa que ora torna-se mais evidente quando ela está cercada e sendo observada.

Robert L. Brandt e Zenas J. Bicket. Teologia Bíblica da Oração. Editora CPAD. pag. 151 – 153.

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Lei assinada

Dn 6.10 Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada. Entrega o Teu Fardo ao Senhor. Daniel tinha por costume orar três vezes ao dia, e parte de seu ritual era recolher-se em seu pequeno quarto especial de oração, abrir as janelas na direção de Jerusalém, sua terra natal e sede de Yahweh, ajoelhar-se e orar. Parte de suas orações consistia em ações de graças.

Assim, estando agora ameaçado, ele continuou suas práticas, que eram bem conhecidas. Agora, porém, o homem era vigiado, com o objetivo de constatar se ele interromperia seus costumes de fé religiosa durante aquele período crítico de 30 dias. Mas Daniel não interrompeu sua prática, pelo que foi facilmente descoberto e acusado. Cf isso com o quarto construído para Eliseu pela mulher sunamita (ver II Reis 4.10).

Essas câmaras eram edificadas no eirado plano das casas, provendo um lugar fresco e recluso para que ali o proprietário se ocupasse da adoração, oração e meditação. Cf. Isa. 2.1; Sal. 102.7; I Reis 17.19; II Reis 1.2; Juí. 8.5; Atos 1.13; 9.36,39. Daniel gostava de orar diante da janela aberta, enviando suas orações na direção de onde estivera o templo de Jerusalém. O trecho de Eze. 8.16 menciona o costume de orar na direção do Oriente, a câmara do sol nascente, mediante o qual toda vida terrena é sustentada.

De joelhos

… se punha de joelhos. Esta é uma das posturas comuns na oração, embora orar de pé parecesse ser a mais comum. Quando alguém ora de pé, tem mais energia para orar e não dorme. Mas ajoelhar em oração indica humildade e súplica intensa. Cf. I Reis 8.54; II Crô. 6.13; Esd. 9.5; Luc. 22.41; Atos 9.40; 20.36; 21.5. Quanto à posição de pé na oração, ver Mat. 6.5 e Mar. 11.25.

Diante do seu Deus. É precisamente neste ponto que encontramos o “crime” de Daniel. Ele tinha desobedecido à ímpia regra dos 30 dias, e logo estaria à mercê dos leões sem misericórdia. O verbete chamado Oração, no Dicionário, apresenta notas que podem ilustrar e embelezar o texto presente.

Vemos pois o idoso homem Daniel, agora com mais de 80 anos, perseverando até o fim em suas práticas piedosas, a despeito das perseguições que lhe ameaçavam a vida.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3398 – 3399.

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A sabedoria de Daniel

Dn 6.10: “Daniel, pois, quando soube que a escritura estaca assinada, entrou em sua casa (ora havia, no seu quarto janelas abertas da banda de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante de seu Deus, como também antes costumava fazer. ”

“ …três vezes ao dia se punha de joelhos, e orava”. O versículo nos dá interessante evidência a respeito da oração no período bíblico posterior ao cativeiro, e ao mesmo tempo o cumprimento das palavras de Salomão em 1 Rs 8.46-49a, que diz: “Quando pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares contra eles, e os entregares nas mãos do inimigo, para que os que os cativarem os levem em cativeiro à terra do inimigo, quer longe ou perto esteja; e na terra aonde forem levados em cativeiro tornarem em si, e se converterem, e na terra do seu cativeiro te suplicarem, dizendo:

Pecamos, e perversamente obramos, e cometemos iniquidade; e se converterem a ti com todo o seu coração e com toda a sua alma, na terra de seus inimigos que os levaram em cativeiro, e orarem a ti para a banda da sua terra que deste a seus pais, para esta cidade que elegeste, e para esta casa que edifiquei ao teu nome, ouve então dos céus…” Daniel, o grande servo de Deus, foi inspirado nesta oração de Salomão e, a exemplo do salmista, orava de manhã, ao meio-dia e à tarde. Isto é, 9.00hs, 12.00hs, 15.00hs, respectivamente. (Ver SI 55.17.)

Severino Pedro da Silva. Daniel versículo por versículo. Editora CPAD. pag.114.

A Oração de Daniel. 6:10.

A reputação de Daniel diante do próprio Deus nos céus tornou suas orações dignas de atenção e imitação (cons. Ez. 14:14; Dn. 10:11). A sublimidade de sua corajosa fé está reconhecida por todos os que procuram se colocar dentro da situação. Ele manteve seus hábitos piedosos e suas crenças – como costumava fazer – diante de um transe absolutamente insuportável – quando soube que a escritura estava assinada.

Dn 6.10. Quando soube. A oração, em primeiro lugar, foi corajosa (cons. Hus at Constance, d.C. 1415 ). Entrou em sua casa … e orava. Em segundo lugar, ela era verdadeiramente piedosa, sem exibição do heroísmo em público. Não houve ostentação de religião. Daniel só fez o que achou que era certo (cons. Tg, 1: 27; Mt, 6: 5 e segs.). Em terceiro lugar, foi uma oração de acordo com as Escrituras. Como Moisés, em Dt. 28:36-68, predisse o cativeiro dos judeus, assim as palavras de Salomão em II Cr. 6:36-39 determinaram que adorariam em cativeiro. Daniel 6:10, 11 deve ser entendido à luz indispensável destas passagens.

Oito elementos específicos da verdadeira oração aparecem na comparação:

(1) Fé. Daniel cria na Palavra, pois ele obedecia e orientava suas orações por meio dela. A oração dos exilados tinha de ser orientada “na direção de sua terra” e ao orar voltado para os lados de Jerusalém, Daniel demonstrou fé respeitosa.

(2) Adoração. Salomão determinou que fosse “em direção da cidade”, isto é, Jerusalém (Dt. 12:5-7; I Cr. 11:4-9; 13:1-14; 15:25-29; II Cr. 3:1, 2; 5:1-14; 7:1-3. Cons. João 4:20-22; Atos 4:12). Daniel não podia adorar literalmente na Cidade Santa, mas sua atitude demonstrava que ele desejava fazê-lo; e em espírito ele o fazia.

(3) A base da expiação pelo sangue. “A casa edificada para o meu nome” era o centro do ritual sacrificial. A atitude de Daniel reconhecia isto (cons. Hb. 10:19-22).

(4) Humildade. Isto está indicado pela ênfase marcada sobre a posição de joelhos (cons. Luc. 18:13, 14).

(5) Regularidade. Três vezes no dia (cons. Sl. 55:16, 17).

(6) Petição. E orava ou e perseverava orando. A palavra sela significa “curvar-se num pedido”.

(7) Ação de graças. Dava graças, etc. (cons. Fp. 4: 6).

(8) Constância. Como costumava fazer.

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Daniel. Editora Batista Regular. pag. 45 -46.

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3         Coincidindo com o período de oração de Daniel profundas mudanças estavam para acontecer na Babilônia

Uma festa e as mudanças provocadas

Dn 5.2: “Havendo Selsazar provado o vinho, mandou trazer os vasos de ouro e de prata, que Nabucodonosor, seu pai, tinha tirado do templo que estava em Jerusalém, para que bebessem por eles o rei, e os seus grandes, as suas mulheres e concubinas. ”

“Mas em 562 a.C. Nabucodonosor morre e seus sucessores reinam por períodos curtos e insignificantes; não conseguem continuar sua obra grandiosa. Seu filho, Avil-Marduk [Evil-Merodaque (2 Rs 25.27,28)] foi assassinado.”

Em seguida, o rei da Babilônia mencionado nas Escrituras é Belsazar. Os críticos da Bíblia afirmavam que Daniel se enganara quando escreveu que Belsazar era filho de Nabucodonosor e, como tal, o rei na queda da Babilônia.

Isso não importa em erro, visto que a palavra “ pai” podia ser usada em oito acepções (pelo menos). N o texto, pode até ser que o sentido seja “ ancestral”. Diziam mais que o rei nesse tempo era Nabonido, que não morreu na queda da cidade e afirmavam ainda que não existiu nenhum rei com o nome de Belsazar. “Os arqueólogos, porém, em meados do século XIX descobriram, na região da antiga Babilônia, um grande número de inscrições gravadas em tábuas de argila. E, como sempre, a Bíblia é que triunfa; nessas inscrições está provado que, na verdade, Nabonido foi o último rei de Babilônia, mas Belsazar, seu irmão, reinava em sua ausência. ” No entanto, os eruditos modernos concordam em que Belsazar não era irmão de Nabonido, mas seu filho.

Os vasos consagrados

Dn 5.3: “Então trouxeram os vasos de ouro, que foram tira dos do templo da casa de Deus, que estava em Jerusalém, e beberam por eles o rei, os seus grandes, as suas mulheres e concubinas. ”

” …os vasos de ouro”. A palavra vaso tem nas Escrituras uma significação ampla, e pode ser aplicada em vários sentidos: são palavras gerais para designar utensílios, equipamentos, etc., (1 Sm 10.1; At 9.15), pelo que, em muitos contextos, indicam vasos tantos reais (1 Sm 10.1; Jo 19.29), como em sentido metafórico (1 Pe.3.7). Para comer pão sagrado, os mancebos de Davi, precisavam ter seus vasos (mulheres) santos (1 Sm 21.5). N o presente texto, porém, os vasos eram aqueles que foram utilizados na casa de Deus, em Jerusalém. Eles não podiam ser profanados por serem “ vasos de honra”; Belsazar, porém, não teve nenhum respeito por aquilo que era “ santo” e profanou os vasos santificados. Como consequência de seu erro, caiu sobre ele a ira divina. A Bíblia nos adverte, dizendo: “ Não erreis: Deus não se deixa escarnecer! ” (G1 6.7).

Lovando os deuses

Dn 5.4: “Beberam o vinho, e deram louvores aos deuses de ouro, e de prata, e de cobre, e de ferro, e de madeira, e de pedra. ”

O presente texto nos mostra quão grande foi o desrespeito daquela gente à santidade divina; eles não só beberam, mas deram também “ louvores” àqueles que, por natureza, não são deuses. Deus adverte, através do profeta Isaías, quando diz: “ Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória pois a outrem não darei, nem meu louvor às imagens de escultura” (Is 42.8). O rei e seus grandes não deram ouvidos à mensagem divina, que está sempre a clamar.

Eles não podiam dar, pois estavam embriagados; cinco vezes lemos nesse capítulo que eles beberam. Um escritor observa o seguinte: “Os adoradores, no festim de Belsazar, sentiram a animação do álcool e adoraram os ídolos mortos dando-lhes louvores”.

Mas, no Pentecoste, encontra-se o segredo da inspiração verdadeira: “Todos foram cheios do Espírito Santo… e falavam das grandezas de Deus” (At 2).

Paulo, o apóstolo, adverte seus leitores:

“ Não vos embriagueis com vinho [como fez Belsazar, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito”. Os efeitos nocivos do vício têm trazido consequências drásticas, tanto à pessoa humana (sentido individual), como também à própria sociedade (sentido coletivo). Portanto, é evidente que, principalmente as autoridades, não devem beber (Pv 31.4).

5.5: “Na mesma hora, apareceram uns dedos de mão de homem, e escreviam, defronte do castiçal, na estucada parede do palácio real; e o rei via a parte da mão que estava escrevendo.

“ …o rei via a parte da mão… A mão direita de Deus Pai, está em foco na presente passagem. O rei não pôde ver a mão completa, mas apenas uma parte; certamente apenas os dedos que escreviam; os magos de Faraó, no Egito, não puderam ver a mão de Deus, mas apenas o seu “dedo” (Ê x 8.19). Existe um grande contraste entre “ o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não o serve” (Ml 3.18); enquanto o rei via apenas “ a parte da mão” misteriosa, os profetas do Senhor puderam contemplar com exatidão, não só os dedos de Deus, mas de um modo particular: 1) suas mãos (1 Rs 22.19); 2) as palmas das mãos (Is 49.16); 3) a sombra da sua mão (Is 49.2).

A mão na parede

Aquela mão escrevia na “estucada parede”. Segundo a Arqueologia, escavações contemporâneas têm demonstrado que as paredes do palácio tinham uma fina camada de emboço pintado. Esse emboço era branco, pelo que qualquer objeto, movendo-se à sua superfície, tornava-se distintamente visível.

Severino Pedro da Silva. Daniel versículo por versículo. Editora CPAD. pag. 92 – 94.

Pregaor Vocacionado

II AS RESPOSTAS ÁS ORAÇÕES DE DANIEL

1 A Bíblia Relata o que Realmente Aconteceu.

Ed 1.1-3 No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia. Quanto à exposição essencial desses versículos, comparar com o trecho quase idêntico de II Crônicas 36.22,23. O cronista adiciona aqui algumas informações e refaz um pouco o fraseado. No livro de Esdras, o cronista presta-nos a informação, da qual não necessitamos (mas de que talvez outros leitores precisem), de que o templo a ser construído estaria em Jerusalém, capital de Judá. Ademais, o templo foi chamado de casa de Yahweh-Elohim, o Deus de Israel, a quem Ciro tanto respeitava.

No primeiro ano. A nota cronológica (vs. 1) refere-se não ao primeiro ano de Ciro como rei da Pérsia (isso aconteceu em 559 A. C.), mas ao seu primeiro ano como governador da Babilônia, a saber, 538 A. C. Esse foi o ano em que os judeus tiveram seu primeiro contato com Ciro (ver Esdras 5.13).

Rei da Pérsia.

Alguns eruditos pensavam anteriormente que essa expressão seria uma observação anacrônica do cronista, mas evidências têm demonstrado que o título era mais antigo do que antes se pensara. Está contido nas Crônicas de Nabonido, col. 2,1.15, que a arqueologia trouxe ao nosso conhecimento.

O edito de Ciro aparece tanto no hebraico (ver Esdras 1.2-4) como em aramaico (ver Esdras 6.3-5). Talvez a primeira menção a esse decreto seja uma forma oral, ao passo que a segunda seja a versão escrita. De qualquer modo, nenhum relato sobre esse decreto ficou preservado verbatim. Mas a essência está ali, em ambas as versões.

Deus dos céus. Um título comum para indicar Yahweh, que aparece no livro de Esdras por nove vezes: 1.2; 5.11,12; 6.9,10; 7.12; 7.21,23 (duas vezes).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1735.

Conheça mais: Antigo Testamento interpretado versículo por versículo

O Decreto de Ciro (Ed 1:1.3)

Jeremias tinha prometido que depois de 70 anos (Jer. 25:11), os cativos voltariam à sua terra. Acredita-se que durante estes anos os profetas Ezequiel e Daniel não teriam esquecido esta promessa e procuraram manter o coração do povo na esperança da volta.

Diz-nos o texto que o Senhor despertou o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: “Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus dos céus me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá. Quem há entre vós de todo o seu povo (seja seu Deus com ele) suba para Jerusalém, que é em Judá, e edifique a casa do SENHOR Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém” (Esd. 1:2,3).

Estava feita a proclamação e publicado o decreto em todas as províncias do grande império.

Pela linguagem, parece mesmo um hebreu falando, ou um crente, como diríamos nós, a verdade, porém, é que ele também atribuía a Marduque a conquista de Babilônia. Era um reinante que acendia velas a todos os santos. Assim mesmo, demos lhe o crédito de liberal, que merece, e o respeito que revelou para com o nosso Deus.

Estamos agora em 538, data da conquista de Babilônia. Se o decreto foi publicado logo após a conquista, o que não parece ser o caso, então data de 536, quando ele assumiu sozinho os destinos do grande império, depois da morte de Dario, o Medo. Por todo o vasto império soou a nota da volta a Jerusalém querida. Muitos não poderiam mesmo voltar, porque estavam envolvidos em grandes negócios, que não poderiam abandonar, mas ajudariam, como o fizeram, os que subissem.

Acredita-se que os judeus lhe teriam mostrado as Escrituras, em que ele era mencionado por nome (Is. 44:28 e Jer. 25:11), o que teria contribuído para, acelerar o decreto. Isso, entretanto, é pura possibilidade, pois não existe qualquer documento que autorize tal suposição. Isso tampouco importa, pois Ciro libertou todos os povos que se encontravam cativos em Babilônia; entretanto, somos de parecer que só os judeus teriam voltado, porque os outros não tinham razões destes para voltarem às suas terras de origem. Podemos imaginar, o que teria acontecido por todo o mundo persa. Os judeus tomam conhecimento de que não só poderiam voltar, mas iriam reconstruir o seu templo e a sua cidade, contando com o apoio do governo central para essa empresa.

Mesquita. Antônio Neves de,. Livro de Esdras. Editora JUERP.

O Decreto de Ciro, 1.1-4

Ciro, o primeiro rei do Império Persa, invadiu a Babilônia em 538 a.C. Um dos seus primeiros atos oficiais foi o de autorizar o retorno dos judeus exilados à Palestina, e a reconstrução do seu Templo em Jerusalém. Acreditamos que isso estava de acordo com a nova política inaugurada por ele com relação a todos os povos desalojados. No rolo de Ciro descoberto no século XIX por Hormuzd Rassam, lemos: “Quanto às cidades além do Tigre, cujas fundações são antigas – os deuses delas eu devolvi aos seus lugares e fiz com que fossem colocados nos seus santuários eternos. Reuni todo o povo e o devolvi às suas moradias”.

A redação do decreto, como apresentada em Esdras (1.2-4)

concorda exatamente, na sua maior parte, com o relato feito do mesmo decreto em 2 Crônicas 36.22,23, exceto que o relato não fornece o edito completo, como está citado em Esdras. A correspondência exata dessas duas passagens normalmente se explica pela suposição de que o livro de Esdras, ou mais provavelmente Esdras e Neemias, foram escritos como uma continuação da história dos livros de 1 e 2 Crônicas. A passagem em questão é considerada uma transição entre o segundo livro de Crônicas e Esdras, para terminar uma seção da história e ao mesmo tempo dar início a outra.

Por outro lado, este relato do decreto não corresponde, em texto, àquele citado em Esdras 6.3-5. Ali, o decreto é mencionado como descoberto por Dario entre os registros de Ciro. Uma explicação normal da diferença é a de que o edito, como citado em Esdras 1.2-4 e em 2 Crônicas 36.22,23, é a forma que assumiu na proclamação pública, de alguma maneira está ajustado ao caráter religioso e à compreensão geral dos hebreus. A passagem no capítulo 6 representa a forma escrita do decreto, conforme foi incluído nos registros oficiais. Isto explicaria o teor religioso de um, em contraste com o caráter secular do outro. Também é notável que o decreto, como citado no capítulo 6, esteja incluído nas partes em aramaico ou no idioma caldeu do livro, em que o aramaico era a linguagem na qual tais registros oficiais eram escritos normalmente.

A referência ao primeiro ano de Ciro

Aplica-se ao seu reinado na Babilônia e fixa a data do decreto em 538 ou 537 a.C. O seu reinado sobre os medos e os persas teve início em 557 a.C. A profecia referente a este fato é encontrada em Jeremias 29.10 (cf. 25.12). Está implícito que os setenta anos previstos por este profeta chegavam agora ao fim. Um meio comum de calcular esse período é o de 606 a 536 a.C.; a data aproximada do primeiro retorno. A época do cativeiro de Daniel e de seus três amigos foi aproximadamente 606 a.C. (Dn 1.1). Jeoaquim reinou de 608 a 597 a.C.

A afirmação de que despertou o Senhor o espírito de Ciro nos lembra simultaneamente de duas famosas passagens (Is 44.28 e 45.1-4,13), onde ele é mencionado e até mesmo referido como “o ungido do Senhor”. Ali estava predito que ele libertaria os cativos e que “construiria o templo em Jerusalém”.

O que o historiador

Josefo sugere que a vontade divina foi dada a conhecer a Ciro por meio dessas passagens de Isaías, que alguns judeus leais levaram ao seu conhecimento. Tenha isso ocorrido ou não, possuímos aqui uma notável predição e um nítido cumprimento; e, além disso, somos lembrados de que Deus tem uma participação em todos os eventos da história humana. E Ele que impulsiona os homens às boas ações e aos bons pensamentos, e nada mal pode ocorrer sem a sua providência permissiva. Com esta passagem podemos comparar o versículo 5, onde lemos, em linguagem similar, que aqueles “cujo espírito Deus despertou” acompanharam o retorno.

Em uma mensagem sobre “o espírito despertado” baseada nesta passagem, podemos afirmar que: embora não saibamos qual método ou quais meios despertaram o espírito de Ciro, fica claro que:

(1) O Senhor tomou a iniciativa.

(2) Quer Ciro conhecesse ou não Deus pessoalmente, ou entendesse a implicação dos seus próprios atos e das suas palavras, o Senhor operou em seu coração e em sua mente para que ele fosse generoso e sincero na sua resposta.

(3) Os resultados da proclamação de Ciro e dos seus atos subsequentes tiveram a finalidade específica de tornar realidade o plano de Deus a respeito do retorno de seu povo a Jerusalém, e, consequentemente, a restauração do Templo.

Traduzindo em termos de vida e ministério cristãos, isso sugere que:

(1) Deus sempre toma a iniciativa no processo redentor;

(2) Ele tem meios de tornar sua vontade claramente conhecida para nós;

(3) nossa resposta deve ser sincera e de todo o nosso coração (na verdade, Deus tem prazer em que isto ocorra); e,

(4) nossas palavras e ações, estejamos ou não plenamente conscientes do seu significado, estarão em específica harmonia com os propósitos de Deus, e irão trazer os resultados corretos, proporcionalmente à amplitude de nosso comprometimento.

Demaray. C. E. Comentário Bíblico Beacon. Esdras. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 488 – 490.

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2 Conforme esta Declaração de Ciro, estava cumprida a promessa Divina dada Através do Profeta Jeremias.

Ed 1.7 Também o rei Ciro tirou os utensílios da casa do Senhor. A Contribuição Real. Ciro deu o exemplo de liberalidade e doação. Além de ter oferecido provisões sob a forma de animais e dinheiro para o retomo dos exilados a Jerusalém, também devolveu os vasos do templo, que haviam feito parte do saque de Nabucodonosor. O trecho de II Reis 24.13 diz-nos que esses vasos foram cortados em pedaços, de maneira que devemos presumir que alguns, mas não todos, tenham sido despedaçados.

Por assim dizer, Ciro roubou o templo de Belus, na Babilônia (ver II Crônicas 36.7; Daniel 1.2), e devolveu os vasos a Yahweh, pois eram coisas que, realmente, lhe tinham sido furtadas.

Tinha Posto na Casa de Seus Deuses.

O principal desses deuses era Marduque ou Merodaque, a quem ele chamava de seu “senhor” (Daniel 1.2). O trecho de II Reis 25.13-17 indica que grande parte tinha sido tirada do templo de Jerusalém, e que Ciro não foi capaz de localizar. Coisa alguma é dita acerca das grandes peças do mobiliário, os principais itens do templo, incluindo a arca da aliança. Não tendo sido mencionados, presumimos que esses itens não tenham sido devolvidos. O que aconteceu a esses itens, não sabemos dizê-lo. Assim sendo, de certo modo, o crime de Nabucodonosor, por ter pilhado o templo e a cidade de Jerusalém (586 A. C.), foi revertido por Ciro, em 536 A. C., ou seja, cinquenta anos mais tarde.

A lista em Esdras é como segue:

Taças de ouro                    1.000

Taças de prata                  1.000

Incensários de prata         290

Frascos de ouro              300

Frascos de prata              2.410

Outros vasos                    1.000

Total peças                       5.469

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1736.

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Como o próprio Ciro afirmou

Era sua política devolver os deuses dos povos conquistados aos seus próprios santuários. Consequentemente, ele encorajou aqueles que agora retornavam do cativeiro a restabelecerem a adoração religiosa à qual eles tinham se acostumado na sua terra natal. Como o nosso Deus não é representado por uma imagem, como eram as divindades pagãs, Ciro decidiu dar um presente especial aos judeus cativos. Ele lhes devolveu os utensílios sagrados que foram guardados na Babilônia durante pelo menos cinquenta anos, ou seja, desde a destruição de Jerusalém, em 586 a.C. (2 Rs 25.15; 2 Cr 36.10,18; Dn 1.2).

Demaray. C. E. Comentário Bíblico Beacon. Esdras. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 490.

Ed 1.7. Os utensílios da casa do Senhor. Alguns utensílios foram levados à Babilônia em 605 A.C. (Dn. 1: 2), alguns em 597 A.C. (II Reis 24:13), e o restante cm 586 A.C. (II Reis 25:14, 15; Jr. 27:16-22). Aqueles que Ciro não enviou de volta nesta ocasião foram devolvidos ao Templo por Dario I em cerca de 518 A.C. (Ed. 6:5), contudo, o mobiliário do Templo, inclusive a arca da aliança, foram destruídos em 586A.C. (Jr. 3:16; lI Reis 25:13).

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Esdras. Editora Batista Regular. pag. 5.

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III O RESULTADO DE UM DESPERTAMENTO PROVENIENTE DE DEUS

1 O Rei Círio foi Despertado em seu Espirito

De onde essa proclamação surgiu. Despertou o SENHOR o espírito de Ciro. Observe: O coração dos reis está na mão do Senhor, e, como os ribeiros de água, ele o muda para onde desejar. Diz-se que Ciro não conhecia a Deus, nem sabia como servi-Lo; mas Deus o conhecia, e como servir-se por meio dele (Is 45.4). Deus governa o mundo pela sua influência sobre os espíritos dos homens. Assim, é Deus que incita o espírito a fazer o bem, e coloca pensamentos na mente para realizá-lo; Ele dá aos entendidos a capacidade de formar um julgamento justo, e comanda a vontade da forma que deseja. Portanto, Ele deve receber toda a glória de todas as obras que forem feitas, em qualquer momento, para a Igreja de Deus.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. pag. 778.

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Despertou o SENHOR o espírito. Assim como no passado Deus havia influenciado governantes pagãos (Gn 20:3; Dn 2:28; etc.) para realizar Seus propósitos, Ele trabalhou no coração de Ciro para cumprir as profecias de Isaías em relação a esse monarca, predições feitas mais de 150 anos antes (Is 44:28; 45:1-4, 13). (Este comentário serve de base Bíblica histórica não doutrinaria).

Comentário Bíblico Adventista I Crônicas a Cântico dos Cânticos. Vol. 3. Editora: Casa Publicadora Brasileira. pag. 347.

A LIBERTAÇÃO DOS CATIVOS

Ed 1:1-4 Mais de um século antes, o profeta Isaías havia advertido o povo de Judá que seriam levados cativos pela Babilônia e castigados por seus pecados (Is 6:11, 12; 11:11, 12; 39:5-7) e sua profecia se cumpriu. Em 605 a.C., Nabucodonosor deportou a família real e levou os utensílios do templo para a Babilônia.

Em 597 a.C., enviou para o exílio sete mil “homens valentes” e mil artífices 2 Rs 24:10-16) e, em 586 a.C., destruiu Jerusalém e o templo e exilou o restante da população de Judá, com exceção dos “mais pobres da terra” (2 Rs 25:1-21).

538 a.C., Ciro, o Grande, rei da Pérsia e conquistador da Babilônia, publicou um decreto permitindo que os exilados de Judá na Babilônia voltassem para sua terra e reconstruíssem seu templo. Esse acontecimento também foi predito por Isaías (Is 44:28).

Aquilo que Ciro fez vinte e cinco séculos atrás nos lembra de algumas verdades espirituais importantes.

Deus é fiel à sua Palavra. Durante pelo menos quarenta anos, o profeta Jeremias havia advertido os líderes de Judá de que o exílio na Babilônia era inevitável (ver Jr 20:4- 6; 2 1 :7-10); instou-os a arrepender-se de seus pecados e a entregar-se aos babilônios. Só assim poderiam salvar a cidade e o templo da destruição. Os líderes não deram ouvidos – na verdade, chamaram Jeremias de traidor e a Cidade Santa e o templo foram destruídos em 587-586 a.C..

Porém, Jeremias também anunciou que o cativeiro se estenderia por setenta anos (Jr 25:1-14; 29:10; ver Dn 9:1, 2). Os estudiosos da Bíblia não apresentam um consenso quanto ao cálculo das datas desse período – se ele começa com a invasão dos babilônios em 606 a.C. ou com a destruição da cidade e do templo em 587-586 a.C. De 606 a 537-536 a .C ., quando o remanescente voltou a Judá, tem-se um período de setenta anos. No entanto, esse também é o tempo transcorrido entre a queda de Jerusalém (586 a.C.) e a conclusão do segundo templo em 516 a.C.. Qualquer que seja o cálculo adotado, a previsão e seu cumprimento são espantosos. Quer prometa castigar quer abençoar, Deus sempre é fiel à sua Palavra.

“Nem uma só promessa caiu de todas as boas palavras que falou de vós o Senhor, vosso Deus” (Js 23:14). “Nem uma só palavra falhou de todas as suas boas promessas” (1 Rs 8:56). “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mt 24:35).

Deus é fiel à sua aliança.

Apesar de seus pecados, os exilados eram o povo escolhido de Deus, filhos da aliança que ele havia feito com Abraão, Isaque e Jacó (Gn 12:1-3). A nação havia rompido a aliança, mas o Senhor permaneceu fiel à sua Palavra. Havia chamado o povo de Israel a fim de ser bênção para toda a Terra e providenciaria para que cumprisse sua missão.

Por intermédio dos judeus, o mundo receberia o conhecimento do único e verdadeiro Deus vivo, a Palavra escrita de Deus e, por fim, o Salvador do mundo. “A salvação vem dos judeus” (Jo 4:22).

É Deus quem controla as nações. Foi o Senhor quem levantou Nabucodonosor “meu servo” (Jr 25:9; 2 7:6; 43:10) – para disciplinar o povo de Judá e foi ele quem levantou Ciro para derrotar os babilônios e estabelecer o império persa. “Quem suscitou do Oriente aquele a cujos passos segue a vitória? Que faz que as nações se lhe submetam, e que ele calque aos pés os reis […]?” (Is 4 1:2; ver também o v. 25). O Senhor chamou Ciro de “meu pastor” (Is 44:28) e de seu “ungido” (45:1), e Isaías profetizou que Ciro libertaria os exilados e permitiria que reconstruíssem sua cidade e seu templo (45:13).

A soberania do Senhor

O povo de Deus deve se lembrar de que o Senhor é soberano sobre todas as nações e pode fazer o que lhe aprouver com os mais poderosos dos governantes. Nabucodonosor teve de aprender essa lição do modo mais difícil (Dn 4:28-32), mas então confessou que Deus é aquele: “cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dn 4:34-35).

Deus pode fazer o que bem entender com os governantes da terra, como demonstrou ao tratar com o Faraó (Êx 9:16; Rm 9 :17), com Assuero (Livro de Ester), com Senaqueribe (2 Rs 19:28), com César Augusto (Lc 2:1) e com Herodes Agripa I (At 12:20-24). O rei Josafá se expressou perfeitamente: “Ah! Senhor, Deus de nossos pais, porventura, não és tu Deus nos céus? Não és tu que dominas sobre todos os reinos dos povos? Na tua mão, está a força e o poder, e não há quem te possa resistir” (2 Cr 20:6).

Deus usa quem ele quer

As pessoas não precisam ser cristãs nem tementes a Deus para ser usadas por ele. Seja um prefeito, um governador, um senador, um primeiro-ministro, um embaixador ou um presidente, Deus pode exercer seu poder soberano, a fim de realizar seus propósitos para seu povo por meio deles. Esse é um dos motivos pelos quais Paulo exorta os cristãos a orar por aqueles que se encontram em cargos de autoridade, não para que nossos interesses políticos se realizem, mas para que se faça a vontade de Deus aqui na terra (1 Tm 2:1-8). “Deus pode dar um golpe perfeito com uma vara torta”, disse o pregador puritano John Watson – e foi exatamente o que fez com Ciro!

O decreto do rei reconhecia o Senhor

Explicitamente e o chamava de “O Senhor, Deus dos céus ” (Ed 1:2), título usado dezes sete vezes em Esdras, Neemias e Daniel. O decreto foi dirigido a dois grupos: (1) os que desejavam retornar a sua terra; e (2) os que preferiam permanecer na Babilônia. Esse último grupo foi incentivado a dar ofertas a fim de ajudar a financiar as despesas de viagem e a restauração do templo.

Os exilados de Judá também aceitaram ofertas de seus vizinhos gentios (v. 6). Quando os hebreus deixaram o Egito, despojaram os egípcios (Êx 12:35, 36) e tomaram para si os salários que os homens deveriam ter recebido durante seus anos de escravidão. No caso da Babilônia, o povo de Deus estava fazendo seu “êxodo” do cativeiro, de modo que coletaram riquezas de seus vizinhos pagãos e as consagraram ao Senhor.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 587 588.

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2 O Rei Ciro Recebeu bênçãos Espirituais

Deus fala a Ciro, deixando-nos saber que todas as suas grandes vitórias eram realmente as vitórias de Deus. Até agora, os ungidos de Deus incluíam sacerdotes, reis, profetas e patriarcas (veja SI 105.10—15). Agora Deus chama um rei pagão politeísta de seu “ungido” (Heb. meshiach, “messias”). Embora Ciro não soubesse disto, Deus pelo seu Espírito Santo o tinha reservado, e o estaria dirigindo para trazer libertação e restauração para Israel. Para habilitar Ciro a fazer isto, Deus o tomaria pela sua “mão direita, para abater as nações”, abrindo portas e portões diante dele. Deus usou os habitantes da Babilônia para escancarar os portões para o exército de Ciro, em 539 a.C, e conceder a Ciro uma entrada triunfal, completa, com ramos de palmeira.

“Soltarei os lombos dos reis” significava despojar os reis da sua armadura, o que era um costume assírio. Senaqueribe fez isto a Mushezibk-Marduque, o rei rebelde da Babilônia. Isaías seguramente teria sabido sobre o costume e a história. Era uma demonstração pública que significava tirar dos reis o poder que eles tinham.

HORTON. Staleym. M. Serie Comentário Bíblico Isaias. Editora CPAD. pag. 393 – 394.

O ungido do Senhor

IS 45.1 Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita. Ciro tinha uma missão a cumprir. Que o leitor considere estes cinco pontos:

1. Liberar o mundo do domínio babilónico, para pôr fim ao pesadelo babilónico.

2. Vingar contra aquela potência todas as barbaridades que os babilônios tinham infligido a outros povos.

3. Liberar Judá do cativeiro e tornar possível a restauração de Jerusalém e Judá. Isso significava a continuação do povo de Israel, através de uma tribo, Judá, e armou o palco para toda a história que se seguiria, incluindo a era do reino, quando Israel se tornar cabeça das nações (Isa. 24.23).

4. Como é óbvio, a restauração de Israel possibilitou a vinda do Messias para ser o Salvador do mundo inteiro. Portanto, o edito de Ciro tornou-se possível até a existência da igreja cristã.

5. Com Ciro, terminou a época dos povos semitas, e o poder da civilização passou para nações de língua indo-europeia, caminhando na direção do ocidente. Comento sobre isso em Isa. 44.28. Ciro foi a mão de Deus quanto a todos esses propósitos.

Ao seu ungido. Descrição incomum para indicar um pagão. O título foi dado depois que Ciro foi chamado de “pastor”. A combinação fornece licença para que alguns intérpretes chamem Ciro de tipo de Cristo.

“Esta é a única instância onde a palavra ‘ungido’ é aplicada a um gentio.

Nabucodonosor foi chamado de ‘servo’ de Yahweh (ver Jer. 25.9; 27.6 e 43.10).

Isso, juntamente com a designação ‘meu pastor’ (Isa. 44.28), também um título messiânico, assinalou Ciro como notável exceção, um tipo gentílico de Cristo.

Os pontos são:

1. ambos são irresistíveis conquistadores dos inimigos de Israel (Isa. 45.1; Apo. 19.19-21);

2. ambos são restauradores da cidade santa (Isa. 44.28; Zac. 14.1-11);

3. por meio de ambos, o nome do verdadeiro Deus é glorificado (Isa. 45.6; I Cor. 15.28)” (Scofield Reference Bible).

E descingir os lombos dos reis. Ou seja, debilitá-los; levá-los à queda e à sujeição; desarmá-los, visto que a espada ficava pendurada do cinto.

Para abrir diante dele as portas. As portas de todas as cidades que Ciro conquistou, incluindo as famosas cem portas de Babilônia (Heródoto, História i.179). “As portas do palácio foram abertas, imprudentemente, por ordem do rei, para ver o que seria todo aquele tumulto. Dois grupos de soldados, guiados por Gobrias e Gadatis, se precipitaram.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2916.

Conheça mais: Antigo Testamento interpretado versículo por versículo

A palavra do profeta Isaias a Ciro

As palavras do oráculo são dirigidas a Cyrus, no que foi várias vezes designado como “forma epistolar” (Norte) e um “oráculo real” (Westermann). Nenhuma indicação é dada sobre como o profeta esperava que suas palavras chegassem ao rei persa – se, de fato, fosse sua expectativa. É provável que o oráculo tenha sido destinado a uma audiência israelita, embora tenha sido dirigido ostensivamente a Ciro.

O profeta se refere a Ciro como o ungido do Senhor (Heb. Mashiah; Gk., Christos), um título que em outro lugar do Antigo Testamento é aplicado apenas a um israelita. É usado para designar sacerdotes (cf. Lv 4: 3,5,16; 6:15), reis reinantes (ver 1 Sam. 24: 6-10; Salmos 2:2) e, no sentido metafórico, os patriarcas (ver Salmos 105.15). Curiosamente, nunca é usado no Antigo Testamento como um título para o futuro rei messiânico. Ainda não adquiriu conteúdo escatológico suficiente para tal uso.

A origem do termo encontra-se no costume israelita de ungir com o petróleo aqueles que deveriam assumir posições de responsabilidade e liderança na comunidade. A cerimônia da unção simbolizava a consagração da pessoa ao seu escritório e a doação de graça e força divinas. Ciro, portanto, foi chamado pelo título porque o Senhor o instalou como governante sobre as nações e o dotou de força para cumprir todo o propósito.

O oráculo

O oráculo dirigido a Cyrus contém comissão e promessa, embora este último seja predominante. Mais ênfase é colocada sobre o que o Senhor fará por ele do que sobre o que ele deve fazer pelo Senhor. É o Senhor que agarrou sua mão direita para subjugar as nações antes dele. Sua invencibilidade é vividamente expressa nas declarações contrastantes em vv. 1 e 5: o Senhor ungirds os lombos dos reis hostis (v.1), mas ele cingiu Ciro para lutar contra eles (v.5, ver Ex. 12:11; Deut. 1:41; 1 Reis 18:46; 20:11; Lucas 12:35; Efésios 6:14). A linguagem convencional utilizada ao longo do oráculo torna desnecessário tentar relacionar as promessas com eventos específicos na carreira de Cyrus.

Kelley, H. Comentário Bíblico Broadman. Provérbios – Isaias. Editora JUERP.

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6 respostas para “1° LIÇÃO 3° TRIMESTRE 2020 DANIEL ORA POR UM DESPERTAMENTO”

  1. A paz do Senhor!
    O tema escolhido foi muito bom, e pertinente ao momento que estamos vivendo, gostaria de saber se existe algum livro de apoio para essa lição?

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